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África do Sul: Lonmin ameaça despedir mineiros se a greve continuar

A companhia mineira de Lonmin, localizada em Marikana, na província sul-africana de North West, ameaçou, nesta segunda-feira (12), despedir os mineiros caso continuem em greve que observam desde 23 de Janeiro último.

“Os postos de trabalho terão de ser restruturados com os despedimentos caso os mineiros continuem em greve”, defendeu o director executivo da companhia, Ben Magara. Este disse que os trabalhadores prometeram à Lonmin que iriam retomar as actividades de produção a 15 de Maio corrente.

As companhias mineiras produtoras de platina na África do Sul, nomeadamente a Anglo American Platinum, a Impala Platinum e a Lonmin perderam, desde o início da greve até este momento, cerca de 17 biliões de rands em rendimentos. A greve que dura há 15 semanas é a mais longa do sector mineiro na África do Sul. Os trabalhadores perderam, também, cerca de 7.8 biliões de rands em salários, segundo o website das três companhias.

O Sindicato dos Mineiros e dos Trabalhadores do Ramo das Construções (Amcu, sigla em inglês) reivindica um aumento salarial na ordem de 12.500 rands mensais e subsídios até o ano de 2017. Entretanto, as companhias recusam aprovar esse valor e optam por uma ajuda de custos.

A Lonmim possui um grupo de trabalhadores à espera de ordens para retomarem a produção dentro deste mês, antes do fim do stock previsto para Junho. Enquanto isso, segundo a vice-directora dos Recursos Humanos da Lonmin, Lerato Molebatsi, cerca de 9 a 11 porcento da força laboral da companhia teriam regressado ao posto no dia 09 de Maio em curso.

Entretanto, três mineiros foram mortos, nesta segunda-feira, em Marikana, supostamente por não terem consentido aderir à greve. Duas das vítimas foram mortas à facada quando se dirigiam para o trabalho e a terceira foi atacada em casa com a mulher, que, também, morreu.

“Estamos extremamente tristes e chocados com o assassinato dos nossos colegas”, defendeu o porta-voz do sindicato dos mineiros, Livuwhani Mammburu, tendo acrescentado que não se podia exigir o regresso dos mineiros ao trabalho sem as condições de segurança criadas porque seriam assassinados.

O delegado do ministério moçambicano do Trabalho na África do Sul, Adelino Espanha Muchenga, confirmou a existência de um moçambicano nos três mineiros assassinados nesta segunda-feira. A identidade da vítima será conhecida nesta terça-feira, segundo a fonte que já se deslocou a Marikana para se inteirar do assunto.

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