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Adolescente com pernas arqueadas sofre de limitações na locomoção

Há pais que negligenciam a saúde dos próprios filhos. Quando estes ficam doentes ou são apoquentados por alguma anomalia numa das partes do corpo, não se preocupam em consultar um médico. Existem outros progenitores para os quais ir ao hospital chega a ser um exercício forçoso.

Assim aconteceu com Carlos Souto, um adolescente que, aos 13 anos de idade, ainda frequenta a segunda classe. Fala com dificuldade e os seus membros inferiores são anormalmente arqueados, não conseguindo, deste modo, percorrer longas distâncias.

Carlos Souto vive no bairro da Matola “A”, quarteirão 50, na província de Maputo. Em relação aos seus membros inferiores , a avó, Helena Guambe, contou que é um problema que começou quando o rapaz tinha um ano e cinco meses de idade. Os pais não se preocuparam porque pensavam que era algo passageiro.

Mas não foi assim, pois o defeito agravou-se com o tempo. Ninguém imaginava as consequências das mazelas que hoje apoquentam o adolescente, dentre elas a dificuldade de articulação das palavras e de aprendizagem.

Alberto Souto e Angélica Alberto são os seus pais. Helena Guambe disse ao @Verdade que quando os sinais da doença vieram ao de cima, o petiz manifestou, a partir daí, dificuldades na locomoção, não conseguindo rebolar nem dar os primeiros passos.

Os pais, embora desconfiassem que algo errado se passava com o menino, não consultaram nenhum médico. Hoje, talvez o sofrimento fosse menor e não seria vítima das troças dos seus colegas de escola. O pequeno Carlos não sabe ler nem escrever o seu próprio nome.

Na escola dizem que não tem domínio de quase nada, o que sugere que, para além dos problemas até aqui constatáveis, haja outros, segundo a visão da avó.

Carlos Souto nasceu em 2000 e permaneceu dois meses numa incubadora porque veio ao mundo com um peso abaixo do recomendado.

À medida que crescia, os problemas motores e a dificuldade na fala manifestaram-se intensamente, mas, mesmo assim, os seus progenitores continuaram a encarar tudo como normal.

Por causa da negligência dos pais, hoje dar alguns passos é um verdadeira “batalha” para o adolescente.

Às vezes fica revoltado porque as dificuldades de fala parecem causar-lhe também algum nervosismo quando tenta fazer algo e não consegue.

Aliás, contrariamente ao que tem acontecido com as outras crianças, ele só começou a dar os primeiros passos, marcados por quedas constantes devido ao arqueamento e desequilíbrio dos membros inferiores, em 2007, ou seja, aos 7 anos de idade. A situação ainda prevalece. A comunidade descrimina-o. Os colegas da escola também, segundo a própria avó.

Os pais separaram-se

Apesar do agravamento do problema que apoquentava o filho, Alberto Souto e Angélica Alberto nunca se preocuparam em levá-lo ao hospital a fim de ser examinado, até que um dia se separaram, em 2008.

Ele ficou sob os cuidados do pai e da avó, Helena Guambe. A mãe juntou-se ao outro homem e mora no bairro da Polana Caniço. Mas sempre que pode visita o rapaz.

A perda do pai

Em 2012, Carlos Souto ficou órfão de pai. Neste momento está sob os cuidados da avó, que não trabalha. A sua fonte de sobrevivência é uma machamba, que a qualquer momento vai ser tomada pelo município.

Desde que o pai do adolescente morreu, a avó vive preocupada em relação ao futuro do seu educando, que estuda na Escola Primária Completa do Língamo.

O que mais a angustia, de acordo com as suas palavras, é o facto de os colegas o agredirem fisicamente e, por vezes, ser expulso da sala de aulas sob o olhar passivo dos professores.

Por isso, ele fica acanhado e isolado do convívio social. Passa horas sem conversar com os outros meninos.

Este problema agrava as dificuldades de aprendizagem de Carlos Souto, que continua na escola mas ainda não sabe ler o abecedário. Ele tem um sonho: um dia ser professor.

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