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Acusados de estuprar indiana estavam à caça da vítima, diz a polícia

A quadrilha acusada de estuprar e assassinar uma estudante de fisioterapia indiana tinha o objectivo de encontrar uma mulher para estuprar e matar, e terminou a noite com sangue nas roupas, disse um relatório da polícia obtido pela Reuters.

Cinco homens, juntamente com um adolescente que alega ser menor de 18 anos, reuniram-se para jantar numa casa numa favela no sul de Délhi, na noite de 16 de Dezembro, e formularam o plano para encontrar um alvo, de acordo com o dossier entregue ao tribunal pela acusação.

Os acusados “decidiram antes do tempo” que iriam procurar uma mulher e “pretendiam matá-la”, diz o relatório da polícia. O arquivo, que conta com mais de 600 páginas, contém as provas da acusação sobre o caso, incluindo evidências periciais contra os homens, confissões, declarações de testemunhas e relatórios médicos.

No entanto, os advogados de defesa designados pelo tribunal, Quinta-feira, disseram que o caso da acusação é marcado por falhas na investigação. A defesa ainda não apresentou a sua resposta ao dossier da acusação.

O tribunal que julga o caso tomou conhecimento do documento da polícia, chamado de folha de acusação, Sábado. Sob a lei indiana, assim que um tribunal toma conhecimento da folha de acusação, ela torna-se um registo público.

A quadrilha embarcou em um autocarro que o suposto líder da quadrilha, Ram Singh, conduzia diariamente para transportar crianças para a escola, e saiu em busca de uma vítima.

Eles encontraram a estudante acompanhada por um amigo que estava a procura de um transporte para casa depois de assistir ao filme “As Aventuras de Pi” num shopping, de acordo com o relatório apresentado ao tribunal.

A polícia prendeu Singh no dia seguinte, depois de rastrear o autocarro usando imagens da câmera de segurança de um hotel. Ele ainda estava vestido de uma camiseta manchada com o sangue da vítima e “em interrogatório sustentado”, confessou e levou a polícia a seus cúmplices, apontou o relatório da polícia.

Os outros acusados são o irmão de Singh, Mukesh, Akshay Kumar Singh, conhecido como Thakur, Pawan Gupta e Vinay Sharma, sendo que todos devem alegar inocência quando o julgamento começar.

Mukesh Singh afirma que ele foi torturado enquanto estava sob custódia policial, disse o seu advogado, Quinta-feira. Um sexto membro da quadrilha, um adolescente, está a ser processado como juvenil, ainda não foi acusado oficialmente e será julgado separadamente.

A polícia está a conduzir testes nos ossos para determinar a sua idade, uma vez que suspeita que ele possa ter mais de 18 anos. Depois de ser pego pela polícia, Ram Singh entregou duas barras de ferro ensanguentadas do autocarro, que tinham sido utilizadas para bater a vítima e o seu amigo, e foram inseridas no corpo dela, causando danos maciços aos órgãos, afirmou o relatório.

Segundo o dossier da polícia, os acusados apagaram as luzes e revezaram-se a conduzirem o autocarro, enquanto dois homens seguraram a mulher e o outro a estuprou. Ela sofreu mordidas em várias partes do seu corpo, mas também revidou e conseguiu morder os seus agressores.

Depois de retirar parte do intestino da vítima e a lançarem com o companheiro do veículo em movimento, eles tentaram passar com o autocarro por cima dela, mas o seu companheiro puxou-a para longe, afirmou o relatório.

Ambos foram deixados “gravemente feridos e a sangrarem” num viaduto no sul de Délhi e foram encontrados nus por um trabalhador da estrada que deu ao homem uma camisa e chamou a polícia.

A vítima, a quem Reuters optou por não mencionar o nome porque a lei indiana geralmente proíbe, morreu num hospital de Cingapura de infecção e “falência múltipla de órgãos” duas semanas após o crime.

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