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Activista sul-africana vence Prémio Internacional de Liberdade de Expressão

A fotógrafa e activista sul-africana, Zanele Muholi, conquistou o prestigiado prémio internacional “Índice de Liberdade de Expressão”, deixando para trás a banda russa de música punk, Pussy Riot, o cineasta Haifaal al Mansour e o cartoonista Aseem Trivedi.

O galardão, que faz parte do Prémio de Liberdade de Expressão, segundo os organizadores, é “uma celebração extraordinária da coragem e determinação dos indivíduos em redor da terra que, apesar dos riscos, lutam pela liberdade de expressão”.

Este prémio é entregue pelo Instituto para o Índice de Censura, organismo que compila também o Índice de Liberdade nos media. Muholi recebeu o prémio das mãos do director daquele organismo, o escritor e radialista Jonathan Dimbleby.

Dedicando o prémio a dois amigos que foram vítimas de discriminação e que depois perderam a vida devido ao vírus do HIV, Muholi afirmou que “para todos os activistas, do género, visuais, homossexuais, escritores, poetas, músicos, artistas plásticos e a massa intelectual que tem usado todos os meios de expressão na África do Sul, a luta só terminará quando se colocar um ponto final às violações curativas e aos brutais assassinatos de lésbicas negras, homossexuais e transexuais na África do Sul”.

As violações curativas referem-se aos actos de violações sistemáticas de lésbicas como forma de “as chamar à razão”, uma vez que, no território sul-africano, certo grupo de indivíduos acredita que os homossexuais são pessoas doentes.

Na ocasião, o presidente do Conselho de Administração do Instituto Kirsty Hughes referiu que “Zanele havia demonstrado uma grande bravura face às críticas e perseguições através de imagens, que incluem fotografias íntimas de gays na África do Sul, onde a homossexualidade continua a ser um tabu e as lésbicas são vitimas de crimes horríveis. Ela ganhou o prémio pela sua coragem, bem como pelas fortes declarações patentes nos seus trabalhos.”

Quem é Muholi

Zanele Muholi nasceu em Umlazi, em 1972, e considera-se uma “activista visual”, apresentando imagens positivas de lésbicas negras e homossexuais através da fotografia. A sua série de quadros negros e brancos denominados “Faces e Fases” estiveram em exibição na Galeria Documenta 13, em Berlim, no ano passado, assim como o documentário da sua autoria “Amor Difícil”, que foi bem aceite e aclamado em diversos festivais do mundo.

A Documenta é uma das mais prestigiadas e bem organizadas galerias do mundo e realiza festivais de arte moderna e contemporânea, que acontecem de cinco em cinco anos em Kassel, Berlim, Alemanha.

Na altura, a fotógrafa e activista confessou que se sentia honrada por ser a primeira lésbica africana a expor na Documenta. A obra “Faces e Fases” encontra-se actualmente em exibição na Galeria Yancey Richardon, em Nova Iorque.

Excluída e violentada

“Sinto que a história, quando se é heterossexual, homossexual ou mesmo bissexual, deve fazer parte do arquivo nacional. Mas quando estás fora da lei, és obrigado a sobreviver tanto como pessoa, bem como artista”, disse.

O estúdio que se encontra na casa de Muholi foi saqueado em Abril do ano passado resultando no roubo de cerca de 20 discos rígidos contendo cinco anos de trabalho da artista, incluindo um vídeo não publicado da campa do assassinado activista gay do Uganda, David Kato. Alega-se que os ladrões teriam como missão fazer desaparecer os seus trabalhos, pois não levaram algo de valor.

Anos de trabalho documentando a brutal e aterrorizante vida da comunidade gay da África do Sul desapareceu naquela noite e os resultados das investigações levadas a cabo pela polícia ainda não são conhecidos. De referir que esta sabotagem ocorreu nas vésperas da sua deslocação a Alemanha para participar na exposição Documenta.

Milton Maluleque

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