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Abel Goumba 1926 – 2009 – 82 anos

Abel Goumba 1926 – 2009 – 82 anos

Abel Nguendé Goumba, figura emblemática da cena política da República Centro Africana – foi Vice-Presidente do país entre 2003 e 2005 tendo ainda sido nomeado duas vezes primeiro-ministro – e mediador da República desde 2006, morreu na passada segunda-feira, dia 11, numa clínica de Bangui, a capital do país. Contava 82 anos.
Nascido a 18 de Setembro de 1926, na municipalidade de Ouaka, Abel Goumba, doutorado em medicina e professor associado de saúde pública na universidade, marcou indelevelmente a vida política daquele país francófono da África Central. Fundador de um dos primeiros partidos do país, a Frente Patriótica para o Progresso (FPP), cuja presidência cedeu, em Março de 2006, ao seu filho Alexandre (49 anos), Goumba começou a sua carreira política ainda durante a colonização francesa, como ministro das Finanças do governo da África Equatorial Francesa. Entre 1957 e 1958 foi vice-presidente do mesmo governo, sendo em 1959 nomeado Presidente do conselho e Primeiro-Ministro, após a morte de Barthélemy Boganda, considerado o pai da independência da República Centro Africana. 
Recentemente, Goumba reagira de uma forma irritada à notícia levantada pelo semanário centro-africano “Le Démocrate”, segundo a qual a morte de Barthélemy Boganda num acidente de aviação não passava de uma farsa, defendendo a tese de exílio do primeiro chefe do Estado centro-africano nas Antilhas, via França até 1986. “Esta informação não tem nenhum fundamento e constitui uma alteração da verdade histórica. Revolta-me porque fui eu que vi os restos mortais do presidente Boganda”, indignou-se Goumba em declarações à PANA. “É uma construção intelectual desconectada da verdade histórica. Não é possível, nesta era do multimedia e da tecnologia, esconder alguém como Barthélemy Boganda sem que ninguém o saiba”, frisou o ex-Vice-Presidente centro-africano. Antes desta polémica, Goumba escreveu, num livro intitulado “Da Lei-Quadro à morte de Barthélemy Boganda”, uma versão com muitos pormenores do acidente de aviação que vitimou o primeiro Presidente centro-africano. “O espectáculo foi horrível. À nossa chegada, uma equipa de socorros estava a tirar um dos motores que provavelmente esmagou o Presidente Barthélemy Boganda porque os intestinos estavam parcialmente fora do abdómen.”
Nas vésperas da independência do país, Goumba perde influência, principalmente após a ascensão de David Dacko, e exila-se em França quando o país ascende à independência em 1960. No início dos anos ’80 regressa ao país, e reinicia a sua carreira política. Apresenta-se às urnas por cinco vezes, mas o melhor que consegue são 20% dos votos nas presidenciais de 1993 que lhe valem uma ida à segunda volta com Ange-Félix Patassé.
Abel Goumba era casado e pai de 15 filhos. Como professor e investigador, trabalhou no Ruanda, na República Democrática do Congo (RDC), Benim e na universidade de Bangui da qual era reitor.

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