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A política externa de Zuma

Equilibrado e sensato são as palavras que melhor adjectivam o novo Governo de Jacob Zuma saído das eleições sul-africanas do dia 22 de Abril transacto. Aqueles que esperavam um executivo de forte influência dos sectores mais radicais do ANC, da COSATU (União dos sindicatos) e do Partido Comunista, falharam os prognósticos, ficando mais uma vez confirmada a validade da máxima proferida por um grande jogador de futebol que dizia: “prognósticos só no fim do jogo”.
Mas o que representa a eleição de Zuma em termos de política externa?
Sabe-se, pela sua natureza, que Zuma, ao invés de Mbeki, que se multiplicava em mediações, auscultações, viagens ao exterior falando por África – era um grande entusiasta do Nepad – não pretende ser a voz de continente no exterior. Zuma irá, como bom homem do povo, concentrar os seus esforços no seu povo, relegando a África e o Mundo para segundo plano das suas preocupações, o que não significa perda da capacidade de influência uma vez que a África do Sul continua, apesar de tudo, a ser a principal potência continental.
Com Zuma, a política externa da África do Sul deverá continuar a privilegiar os países do sul, as relações com os partidos de esquerda no poder – espectro ideológico onde o ANC se situa – as causas palestiniana e da Polisário no Saara Ocidental e a convicção de que é necessário abrir o Conselho de Segurança da ONU a África e, neste contexto, a África do Sul e a Nigéria lideram a lista.
Desconhece-se bastante as amizades de Zuma no continente africano. Um documento dos serviços secretos que recentemente veio a lume, dá conta de que no auge da disputa com Mbeki, Zuma terá solicitado apoio, nomeadamente financeiro, para o seu “golpe” interno ao líder líbio Muammar Khadafi e ao Presidente angolano Eduardo dos Santos.
Sabe-se que Zuma passou os seus anos de exílio na Suazilândia, na Zâmbia, em Angola e em Moçambique, relacionando-se bem com os responsáveis políticos de então nesses países, uma vez que todos eles apoiavam a causa do ANC. Foi igualmente, enquanto Vice-Presidente da África do Sul, encarregue de uma mediação no Burundi, razão pela qual conhece bem o actual presidente, Pierre Nkurunziza.
Por fim o Zimbabwe, indubitavelmente o maior imbróglio da região. Espera-se um endurecimento de posições da parte de Zuma em relação a Mugabe e isto tem a ver com duas razões fundamentais: a primeira, a ancestral aliança entre os zulus, povo do qual Zuma faz parte, e n’debeles, a etnia que Mugabe tentou exterminar, sem sucesso, no início dos anos ‘80. A segunda prende-se com o facto de a COSATU, o seu principal aliado dentro do ANC, situar-se muito próximo de Morgan Tsvangirai, ele próprio um antigo sindicalista, e inimigo figadal de Robert Mugabe.

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