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Selo: “A violência é o último recurso do Incompetente” – escrito por Filipe Mathusso Lunavo

In ASSAC ASAMO

Sem querer trazer uma ideia sobre o sentido lato da violência, ela deriva do Latim “violentia”, que significa “veemência, impetuosidade”. Mas na sua origem está relacionada com o termo “violação” (violare). Nesta óptica de ideia podemos definir a violência como o uso da agressividade de forma intencional e excessiva para ameaçar ou cometer algum acto que resulte em acidente, morte ou trauma psicológico. Quando se trata de direitos humanos, a violência abrange todos os actos de violação dos direitos: civis (liberdade, privacidade, protecção igualitária); sociais (saúde, educação, segurança, habitação); económicos (emprego e salário); culturais (manifestação da própria cultura) e políticos (participação política, voto).

Hoje, assim como no passado, várias individualidades, entidades governamentais, entre outros, têm usado a violência para tentar lograr os seus intentos na sua vida, motivadas sobretudo por excesso de ganância de satisfazer as suas necessidades ou de um ninho de amigos com interesses comuns. Por exemplo, Herodes, usando do seu poder e autoridade, mandou matar todas as crianças de zero aos dois de idade quando se anunciou o nascimento de Jesus Cristo o Messias que traria a Paz para os povos que viviam na pior desgraça.

Numa análise profunda, encontramos nesta história o medo de perder o seu puder, pois ele governava com uma mão de vaca o seu reino, e porque não tinha capacidades suficientes para analisar e perceber até que ponto esta criança que iria nascer governaria o mundo, ele temeu perder o que já tinha conquistado, e movido pelos desejos e a ganância de sempre manter-se no poder achou por bem usar a violência como seu último recurso, mostrando assim toda a sua incompetência de falta de gestão de conflitos, sejam pessoais ou colectivos.

Em Moçambique, a violência encaixa-se em vários aspectos que talvez revelem incompetência. Estamos hoje em dia a viver momentos de tensão política que são motivados pelos desejos individuais, não pela causa comum que todos nós filhos desta nação desejamos em cada dia que nasce. Vou agora citar duas correntes diferentes, que mostraram incompetência, segundo a célebre frase de Assac: o Governo da Frelimo e a Renamo. Primeiro, a Renamo levou à mesa para discutir com o Governo do partido Frelimo uma questão relacionada com a paridade nos órgãos eleitorais, sugestão essa que nem na Assembleia da República, nem nos encontros que tem havido entre o Governo e a Renamo, fora aceite. E a Renamo, como último recurso, usou a violência para lograr os seus intentos.

O que resolveu a violência que a Renamo usou para forçar o Governo a aceitar a sua exigência? O que conseguiu a Renamo até hoje que já estamos quase a completar um ano desde que os confrontos começaram a causar mortes e danos materiais? Meus irmãos, quando Assac pronunciou esta frase pensou em várias dificuldades encaradas na vida, mas não se pode ousar usar a violência como forma de forçar alguém a aceitar o seu pensamento ou o seu desejo. Em segundo lugar, quero falar do Governo, que várias vezes usou a violência para forçar as pessoas. O Governo já usou a violência para reprimir manifestantes que se fizeram à rua na cidade de Maputo em protesto contra vários problemas, tais como a subida galopante de preços de transportes, pão, entre outros.

O Governo também usou a violência para deter os antigos combatentes quando exigiam o aumento da sua pensão. E estes até primeiro negociaram com o Governo sobre as suas propostas nas tabelas de salários, propostas que nunca foram aceites. Porquê? Os médicos quiseram que o seu ordenado tivesse um aumento maior que o proposto para fazer face ao alto custo de vida no país. O que aconteceu? Muitos deles foram reformados compulsivamente, aliás porque alguns tinham idade para reformar. Mas porque mandam alguém à reforma com tanta falta de médicos nesse país? Aqui também encontramos a violência psicológica.

Nas eleições temos visto e acompanhado sempre através da comunicação social pessoas a serem presas pela Polícia porque transgrediram as regras estabelecidas para os dias de votação, mas o irónico sempre é que se trata de membros da oposição. Estranho! Diz um ditado que “há fenómenos que parecem aleatórios mas no fim se encaixam”. Hoje conseguimos ver que a Frelimo sempre diz ter ganho as eleições sem nenhuma manobra. Se assim for, por que nega a paridade na CNE? Por fim o Governo seguiu a mesma onda da Renamo, usando a violência para deter a violência. Em que resultou? Os ataques de Muxúnguè nunca pararam mesmo com forças governamentais a escoltarem os carros todos os dias. E ainda me questiono: será que mesmo é escolta aquele rali a que assisti quando ia à minha terra nas duas últimas viagens?

Agora, quem é incompetente: a Renamo ou o Governo? Ou são os dois porque ambos usam até hoje a violência para resolverem as suas diferenças? E quem sai a perder neste jogo? Certamente somos nós a maioria, o povo, nós os inocentes, pobres, porque os ricos agora viajam de avião. Mas tarde ou cedo alguém responderá por este crime. Trata-se de violação dos direitos humanos. Estamos agora no nosso país a viver sem a observância dos direitos humanos, nem do direito à dignidade, à vida, etc. Quem já viu o rosto daqueles homens que o Estado moçambicano confiou para que garantam a segurança dos que viajam por aquele troço? É de fome, medo, desespero, incapacidade, mau humor, pior quando acontece um ataque.

O pior de tudo é que estes mesmos quando morrem nenhuma família é indemnizada, por vezes os de menos sorte nem recebem a informação sobre a morte dos seus filhos. Que pena! Que pena mesmo! Que Governo é esse que mata o seu próprio povo e nem pede desculpas? Ser crítico agora neste país passou a ser crime, ser da oposição pior ainda, embora nas “repúblicas democráticas” da Beira, Quelimane e Nampula ainda se viva a democracia. Meu povo, acorde. Onde acham que estamos a ir com este Governo que se esquece por completo da sua missão que é servir o povo? Que nada nos impeça de escolher entre o que nos ama com amor de pai e o que nos ama com amor de padrasto.

Se o Governo da Frelimo não ganha por “outras vias” as eleições, que aceite a paridade e ganhe de novo as eleições e mostre à Renamo a verdade e o povo será testemunha fiel deste acontecimento. Um ditado diz: “Se não devo a ninguém, não tenho nada a temer. Só teme quem deve”. Abaixo a violência, mostrem as vossas capacidades sem extorquir a ninguém. Deixem de ser incompetentes, a violência não trará paz a esta terra. Os discursos até podem ser suaves, mas, se não podem ser postos em prática, são inúteis.

Carta do filho desta nação que quer viver em Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, Paz, Paz.

 

Escrito por Filipe Mathusso Lunavo

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