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“A terra vai arrefecer nos próximos vinte anos”

Para o meteorologista brasileiro Luiz Carlos Molión, a contaminação da atmosfera devido à acção do Homem não está a provocar um aquecimento substancial do planeta.

Luiz Carlos Molión, professor da Universidade Federal de Alagoas, no Brasil, e representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM) não acredita no aquecimento global provocado pela actividade humana.

Polémico, com um discurso simples e claro, o meteorologista brasileiro defende que as subidas de temperatura dos últimos anos está relacionada com a actividade do Sol e com os oceanos, que ele considera os dois grandes reguladores do clima global da Terra. Por isso, afirma que o planeta vai arrefecer nos próximos 20 anos.

Defende que as emissões de dióxido carbono de origem humana são incapazes de causar aquecimento global da Terra. Porquê?

Luiz Carlos Molión (LCM) – Quando verificamos a variação de dióxido carbono (CO2) ao longo dos últimos 150 anos, percebemos que não se relaciona com a temperatura.

Por exemplo, entre 1925 e 1946 houve um aquecimento muito forte, principalmente no Árctico, mais de quatro graus centígrados. Mas em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, as actividades humanas lançavam apenas 6% do carbono que lançam hoje para a atmosfera.

Como explica então esse aquecimento?

LCM – Analisando os dados, concluímos que houve uma coincidência incrível: nesse período, na primeira metade do século XX, o Sol apresentou o máximo de actividade nos 400 anos de registos que existem. É essa a explicação, até porque de 1916 a 1962 não houve nenhuma grande erupção vulcânica.

Grandes erupções vulcânicas, como a do Pinatubo, nas Filipinas, em 1991 – considerada a maior do século XX –, injectam material directamente na estratosfera. Cria-se uma espécie de véu em volta da Terra que refl ecte mais radiação solar de volta para o espaço tendo tendência para arrefecer o planeta.

O que se passou depois da Segunda Guerra Mundial?

LCM – Depois da Segunda Guerra Mundial, em que a industrialização se acelerou, foi necessária mais energia, e as emissões de CO2 aumentaram. No entanto, a temperatura global caiu entre 1947 e 1976. E estudos feitos a partir dos cilindros de gelo extraídos na estação meteorológica de Vostok, na Antárctica, revelaram que nos três últimos períodos interglaciais – há 130 mil anos, 240 mil anos e 340 mil anos – as temperaturas foram seis a dez graus mais elevadas do que no período interglacial que estamos a viver agora. No entanto, o CO2 na atmosfera não passava das 300 partes por milhão (PP), quando hoje estamos com 385 (PP). Como justifi car temperaturas mais elevadas com CO2 baixo?

Então, o CO2 nunca controlou o clima global?

LCM – Exactamente. Os cilindros de gelo mostram muito bem isso: a temperatura sobe antes e só cerca de 800 a 1200 anos depois é que o CO2 sobe.

Porquê?

LCM – Porque os oceanos estão frios, durante as eras glaciares, a produtividade do plâncton e das algas é muito grande e, por isso, tendem a fixar o CO2. Quando ocorre um aquecimento, há maior libertação do CO2 que estava dissolvido na água do mar, o que signifi ca que o CO2 que está hoje na atmosfera não é necessariamente de origem humana, muito pelo contrário: o carbono que a actividade humana lança na atmosfera é apenas 3% de todos os fluxos naturais que saem dos oceanos, dos solos e da vegetação.

O papel dos oceanos nas mudanças climáticas é muito importante?

LCM – É. Vivemos num planeta com 71% da área coberta por oceanos, em particular o Pacífico, que ocupa 35% da superfície terrestre. Quando a temperatura do Pacífico muda, ela influencia o clima global. Sempre que o Pacífico aqueceu, a temperatura global aumentou; no período de 1947 a 1976, quando o Pacífico arrefeceu, houve um arrefecimento global do planeta. Agora, o oceano está de novo numa fase fria e deve persistir assim nos próximos 20 anos, caso esta seja uma oscilação natural.

Além dos oceanos, dá mais importância à influência dos ciclos solares no clima da Terra?

LCM – Dou. O clima da Terra é controlado pelo fluxo de radiação solar, e existem ciclos de longo prazo, chamados Ciclos Milankovitch, que mudam a forma da sua órbita. É o caso do ciclo de 100 mil anos de cada era glaciar, relacionado com a forma geométrica da órbita da Terra, que passa de quase circular para levemente elíptica. Talvez seja essa a causa das eras glaciares.

Quando a Terra está com uma órbita quase circular, durante o ano todo recebe praticamente o mesmo fluxo de radicação solar. Mas quando essa órbita é uma elipse mais alongada, há um período em que a Terra está mais próxima do Sol e recebe mais radicação e outro em que está mais distante e recebe menos radiação. Em consequência, é o Hemisfério Norte, onde há mais continentes, que sofre uma maior variação.

Os defensores do aquecimento global falam numa subida das temperaturas em 100 anos, período muito mais curto do que os Ciclos de Milankovitch, que são de 24 a 100 mil anos. Por isso dizem que esse aumento é causado pela actividade humana.

LCM – Não estamos a falar de um aumento absurdo de temperatura. O que ocorre hoje é dentro do que se espera da fenomenologia física. Por exemplo, o último El Niño, em 1997/98, provocou um aumento de 1,1 graus centígrados na temperatura média do Hemisfério Norte.

Outro grande controlador do clima que não é tido em consideração em vários modelos climáticos são as erupções vulcânicas. Com a erupção do vulcão Pinatubo, em 1991, houve reduções da temperatura até 0,5 graus centígrados. Assim, a conjugação dos efeitos de um El Niño forte e de uma erupção vulcânica pode provocar uma variação da temperatura global da Terra até 1,5 graus centígrados.

Então, a variação de 0,6 graus centígrados dos últimos 150 anos de que falam os defensores do aquecimento global não é nada num planeta que passou regularmente, no último milhão de anos, por nove glaciações, cada uma com 100 mil anos, o que totalizou 900 mil anos.

Ou seja, em 90% deste período, a temperatura da Terra foi mais baixa do que é agora, o que signifi ca que os períodos interglaciais são a excepção e não a regra. Nas eras glaciares, em que as temperaturas baixaram 10/12 graus centígrados, aí sim, a vida animal e vegetal foi afectada e milhares de espécies desapareceram.

Em suma, não há infl uência da actividade humana nas alterações climáticas da Terra?

LCM – Exactamente. A superfície da Terra tem 71% de oceanos e 29% de continentes. Nestes 29% cerca de 15% são constituídos por terras geladas e areia. Sobram 14%. Destes, felizmente que ainda 7% estão cobertos por florestas tropicais e temperadas. Fica apenas 7% da superfície terrestre que é manipulada pelo Homem. E o que o Homem faz é uma modificação no ambiente local onde vive.

As cidades estão sujeitas ao chamado efeito de ilha de calor urbano, um fenómeno que vale para todo o planeta, embora no Hemisfério Norte as cidades tenham também o calor residual do aquecimento das residências e dos automóveis. Mas, em termos gerais, a radiação que chega do Sol é repartida em dois fluxos: um fluxo de energia gasta para evaporar a água e o outro para aquecer o ar.

Numa cidade não há água para evaporar; a água da chuva cai e, devido à impermeabilização dos solos, escorre e vai-se embora. Assim, praticamente toda a energia solar incidente vai aquecer o ar, e as temperaturas são, dependendo da urbanização, 5 a 6 graus centígrados acima da temperatura da região em que a cidade está localizada. Por isso temos a sensação de que a temperatura está a aumentar, mas, como este efeito é local e não se propaga globalmente, as nossas actividades não interferem no clima.

A Terra vai arrefecer nos próximos 20 anos?

LCM – Tudo indica que sim. O clima da Terra é antes de mais dependente do Sol, que está a atingir o chamado mínimo do Ciclo de Gleysberg, que é da ordem dos 90 a 100 anos. A cada 90 100 anos, o Sol entra nesse período, onde passa pelo menos 22 anos com o mínimo de actividade. Começou em Janeiro de 2008 e, se o Sol mantiver o mesmo comportamento dos últimos 300 anos, significa que vai produzir menos energia e, consequentemente, vai gerar arrefecimento.

Isto significa que estamos a caminhar para uma nova era glacial?

LCM – Não, porque os registos dos cilindros de gelo recolhidos na Antárctica mostram que uma era glacial leva cerca de 100 mil anos para chegar a uma diferença de 8 a 10 graus centígrados. Vai ser um arrefecimento muito pequeno, que em média talvez não passe de 0,5 graus centígrados. O problema é como esse arrefecimento se vai manifestar: através de invernos rigorosos, com massas de ar polar mais intensas.

Os defensores do aquecimento global falam também na subida do nível do mar devido à fusão dos glaciares e dos gelos dos pólos.

LCM – Não há evidência desses fenómenos. Medir o nível do mar não é fácil, porque vivemos num planeta que é formado por grandes placas tectónicas, e elas estão em constante movimento. Numa placa que está a sofrer uma subducção – que está a afundar – um marégrafo afunda também, e a impressão que o cientista tem é de que o nível do mar está a subir, mas se corrigirmos o movimento tectónico não existe nenhuma evidência.

O degelo é perfeitamente natural, já ocorreu no passado. Em 2007 houve uma redução de 2,7 milhões de quilómetros quadrados no gelo do Árctico, mas em 2010 o gelo perdido já tinha sido praticamente todo recuperado.

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