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A ntyiso wa wansatititi -A Malta Agradece

A malta agradece. Foi assim que a minha prima Vanessa me respondeu por sms. Assim, sem mais nem menos, depois do fim-desemana alucinante que passámos em Vila Nova em casa da minha tia Isabel com o Sérgio e o Nelson, dois irmãos gémeos que foram meus colegas no décimo segundo este ano, iguais como duas gotas, giros como a merda, cheios de ginásio e anabolizantes nas veias, com um cabedal de modelos que só visto.

Convidei os dois só por simpatia, porque o Nelson que me andava a fazer a cabeça desde o terceiro período é muito mais esperto do que o Sérgio, mas como eles são iguais, tive medo de me enrolar com ele, não fosse o irmão pregar-me uma partida e aparecer um dia a fingir que era o outro, e com isto lixei-me porque a maluca da Vanessa dormiu com um na primeira noite e com os dois na segunda e quem ficou a arder fui eu. A Vanessa tem a mania de que é igual às miúdas dos Morangos com Açúcar e acha que o que está a dar é comer tudo o que lhe aparece pela frente, tipo experiência, como se trabalhasse num laboratório de investigação. Há quem investigue o DNA, há quem investigue vírus e há quem investigue gajos, que é o que aquela maluca faz. Quem sai aos seus não degenera e filho de peixe sabe nadar.

A minha mãe que é uma santa e nunca olhou para nenhum homem a não ser para o meu pai sempre disse que a tia Isabel era avariada dos cornos. Quer dizer, a minha mãe nunca utilizaria a expressão avariada, muito menos dos cornos, a minha mãe é daquele estilo que, quando está muito chateada diz bolas, francamente e pouco mais. Já a tia Belita colecciona palavrões em cuvettes de gelo, estão-lhe sempre a sair a meio das frases, deve ser uma doença da fala, provavelmente hereditária, porque a Vanessa é igual, a propósito de tudo sai-lhe um porra e um dasssss como quem fala do tempo e das alterações climatéricas do planeta.

A minha mãe diz que não percebe como é que duas irmãs educadas da mesma maneira e na mesma casa podem ser tão diferentes. Ela, um modelo de discrição e virtudes e a tia Belita, uma doida varrida. Mas a genética é uma lotaria que gosta de pregar partidas com as famílias que se querem perfeitas e arranja sempre forma de lançar a confusão com um elemento inesperado. De outra forma, como é que a tia Isabel é tão diferente da minha mãe? Quem sai aos seus não degenera e a Vanessa deve andar a tentar entrar para o Guiness do disparate com as asneiras que faz.

Já assisti a noites heróicas em que se enrolou com dois de seguida, mesmo nas barbas das namoradas deles. O que eu nunca tinha visto era a Vanessa a enrolar-se com dois ao mesmo tempo. Não que isso a coloque directamente em qualquer top ou Guiness, mas lá que lhe deve dar gozo, disso não tenho dúvida, porque a cabra está sempre com um sorriso na cara e nunca a vi chateada com coisa nenhuma. A minha mãe diz que elas não pensam, nunca pensam em nada, e como não pensam, não duvidam nem se angustiam. Já nós somos feitas de outra matéria. A minha mãe é professora de Matemática eu ganhei uma bolsa para ir para Inglaterra estudar bioquímica. Se calhar chego ao curso e peço ao meu tutor que me deixe fazer da Vanessa um case-study porque química para sacar gajos é uma coisa que nunca lhe falta.

Já eu, não tenho jeito nenhum, porque se tivesse sido mais esperta, tinha apanhado o Nelson na curva antes de ela os apanhar na cama. A malta agradece o quê? Deve ser a boleia que lhes dei, já que nenhum se ofereceu para pagar a gasolina, o bolo de chocolate que devoraram no sábado e a boleia de volta no domingo à tarde, em silêncio, depois de os ter encontrado aos três, ressacados que nem uns porcos, a dormir na cama da minha tia. Nem contei nada à minha mãe, não fosse ela ter um ataque qualquer, ou pior ainda, pensar que sou como a Vanessa que passa a vida a fazer experiências.

Em vez disso, peguei no telemóvel e respondi-lhe vai lamber sabão, seguido de todos os palavrões que conheço. Só espero que nenhum deles me telefone nos próximos anos, senão vou ter com eles e deito-lhes um certo veneno nas bebidas daqueles usados pelos assassinos profissionais que não deixa vestígios no sangue e limpo-lhes o sebo enquanto o diabo esfrega o olho. Sempre quero ver quem é que me agradece a seguir.

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