A Primeira- Ministra moçambicana, Luísa Diogo, reiterou que o país jamais voltará a abraçar uma educação virada para um pequeno punhado de pessoas, tal como aconteceu durante a era da dominação colonial estrangeira.
“Nós queremos uma educação para todos e não para um pequeno grupo de pessoas”, sublinhou Luísa Diogo, respondendo hoje aos deputados da bancada parlamentar da Renamo-União Eleitoral (RUE), na oposição.
Em plena sessão plenária reservada a perguntas de insistências as informações prestadas pelo Governo, na Assembleia da Republica (AR), o Parlamento, o deputado da RUE, Filipe Primeiro, disse que sentia saudades do sistema de educação colonial, alegadamente porque o actual “não tem nenhuma qualidade”.
Diogo indicou que longe de se abraçar a vontade da RUE, o Governo continuará a pautar por um sistema educativo para todos.
“É um total saudosismo da política colonial e uma total falta de auto-estima e patriotismo”, frisou Luísa Diogo.
A Primeira-Ministra explicou que, em 500 anos, o sistema colonial só conseguiu reduzir o analfabetismo em um por cento.
Com efeito, quando Moçambique proclamou a independência nacional, em 1975, 99 por cento dos moçambicanos não sabiam ler nem escrever.
Mas 34 anos depois da independência, o índice do analfabetismo baixou drasticamente dos anteriores 99 por cento para os actuais 43 pontos percentuais.
Enquanto isso, o Ministro da Educação e Cultura, Aires Aly, disse que o Governo da Frelimo optou por um sistema universal, onde não se olha para as condições sociais e económicas do aluno, exactamente para se eliminar o facto de a escola ter sido sempre um local de exclusão social.
Aly explicou que o actual sistema de educação é muito oneroso para o Estado moçambicano, mas há necessidade de se garantir a educação para todos.
De acordo com o Ministro, há países onde cada aluno investe para a sua própria educação. Neste tipo de sistema a abrangência é menor.
Quanto as alegações da RUE indicando que, desde a independência, o Governo esta constantemente a trocar de currículos, o Ministro esclareceu que as reformas não são lineares, levando o seu tempo para a sua implementação.
Ademais, segundo Aly, Moçambique tem pouca história da reforma da educação, esclarecendo que, depois da independência, houve uma reforma factual que visava expurgar o sistema colonial.
O Ministro destacou que o actual currículo foi amplamente debatido e que muito esta a influenciar para a mudança da face da escola.
“O número de alunos está a crescer e a afluir cada vez mais ao sistema”, disse Aly, deixando claro que anteriormente o sistema era caracterizado por altas taxas de desperdício escolar.
De acordo com ele, a pressão das matrículas que ocorre actualmente é sinal de que algo está a mudar no sistema, requerendo-se, no entanto, a fortificação da formação de professores, construção de novas escolas, entre outras acções afins.
Ainda hoje, responderam as insistências dos deputados os Ministros das Obras Publicas e Habitação, Felício Zacarias, da Agricultura, Soares Nhaca, e Brasil ajuda a implantar força de manutenção de paz em Moçambique Educação é para todos e não para um punhado de pessoas o da Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia.
Quarta e Quinta-feira, o Governo trabalhou no Parlamento para responder a duas principais questões colocadas pelas duas bancadas parlamentares, nomeadamente a estágio das acções de combate a pobreza, por parte da Frelimo, o Partido no poder, e sobre a qualidade de ensino no país, feita pela RUE.
Sexta-feira, o Governo volta ao Parlamento para o debate dos últimos acontecimentos no distrito de Mogincual, na província nortenha de Nampula, onde 13 reclusos morreram asfixiados numa cadeia local.