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60 segundos com Leonor Marraneja

60 segundos com Leonor Marraneja

Ela é um exemplo de uma mulher que nasceu para vencer. Chama-se Leonor Marraneja, e tem 49 anos de idade. É enfermeira de profissão, formada no longínquo ano de 1983 em Quelimane. O espírito de liderança cola-se-lhe à pele como uma luva. Aos 49 anos já passou por vários cargos de chefia no sistema nacional de saúde. Foi chefe do Banco de Socorros do Hospital Geral de Chamanculo, e enfermeira chefe da área de Chamanculo. Actualmente, é delegada dos Serviços Funerários da Cidade de Maputo.

@Verdade – Há quanto tempo ocupa o cargo de delegada dos Serviços Funerários da Cidade de Maputo?

Leonor Marraneja – Ocupo este cargo há cinco anos, ou seja, fui indicada em 2006.

(@V) – Como reagiu à indicação?

(LM) -Não foi fácil, partindo do princípio de que se lida com pessoas sem vida. Só para ter ideia do quanto difícil foi ‘digerir’ a indicação para assumir este cargo, fiquei três meses sem vir à Morgue. Eu pensava que era um cargo só para homens.

(@V) – Arrepende-se de ter aceitado?

(LM) – Não, acho que foi uma boa experiência e hoje cumpro a missão com muito orgulho.

(@V) – Como foi o seu primeiro dia de trabalho?

(LM) – Foi muito difícil, tendo em conta que era o meu primeiro contacto com a realidade (Morgue). Tive que conhecer a casa e, obviamente, as gavetas, o que foi muito marcante para mim. Eu esperava conhecer todos os compartimentos da Morgue, menos as gavetas.

(@V) – E os colegas receberam-na bem?

(LM) – Sim, receberam-me bem. Mas o mesmo não aconteceu em relação aos colegas dos serviços funerários.

(@V) – Porquê?

(LM) – Fui mal interpretada porque pedi que os mesmos viessem de uniforme e devidamente identifi cados, ou seja, com crachá.

(@V) – Tem ? lhos?

(LM) – Sim, tenho.

(@V) – Quantos?

(LM) -Dois. Tive três, mas infelizmente perdi um.

(@V) – Uma qualidade.

(LM) – Sou muito directa na abordagem dos meus assuntos.

(@V) – Um defeito.

(LM) – Aborreço-me facilmente e não gosto de mentiras. Para mim, tudo deve ser feito com humildade e respeito acima de tudo.

(@V) – E no trabalho, o que a deixa mais irritada?

(LM) – Quando os familiares abandonam os seus entes queridos e quando pensam que nós trocamos os corpos. Nós trabalhamos com os dados fornecidos pelas famílias. Em nenhum momento trocamos corpos.

(@V) – Qual é o seu prato favorito?

(LM) – Matapa com xima moída.

(@V) – O que gosta de fazer nos seus tempos livres?

(LM) – Gosto de brincar com crianças. Quando elas vêm à minha casa, podem sujar o quanto elas puderem que eu não me importo.

(@V) – O que não pode faltar na sua bolsa?

(LM) – A capulana, com certeza. Ela é que me identifi – ca como mulher.

(@V) – Acha que a mulher actual é capaz de ocupar um cargo tão complexo quanto o seu?

(LM) – Sim, é. Acho que nós já provámos que somos capazes. A sociedade, essa, é que não está sufi cientemente preparada. As pessoas quando chegam à Morgue e pedem para falar com o responsável e são recebidas por mim ficam de “queixo caído”.

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