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2º Dia da greve dos profissionais de saúde: MISAU mente que tudo está normal

O segundo dia da greve dos profissionais de saúde moçambicano começou com o Ministério de tutela a afirmar, através da sua porta-voz Francelina Romão, que todas Unidades Sanitárias apresentavam um ambiente calmo e de retorno a normalidade. “Todas as Unidades Sanitárias foram abertas com a excepção de alguns serviços dentro de uma Unidade Sanitária que foram criminosamente encerrados, porque as pessoas usaram cadeados (…) a noite (de Segunda-feira) foi completamente calma em todo o país”.

Entretanto os nossos repórteres em Maputo visitaram o Hospital Central, o Hospital Geral José Macamo, o Hospital Geral de Mavalane, Hospital Geral do Chamanculo e ainda os Centros de Saúde do Alto Maé, Albasine, Machava, Matola Gare, Moamba onde constataram estarem a funcionar os serviços mínimos nos bancos de socorros e maternidades. As consultas aconteciam com demora onde pudemos ver estudantes a fazerem a recepção e triagem dos doentes e médicos militares, estrangeiros e outros que ocupam cargos de chefia fora das Unidades a prestarem os serviços mais especializados.

Em Nampula o cenário foi parecido no Hospital Central contudo nos Centros de Saúde de Marrere, 1º de Maio e 25 de Setembro a greve silenciosa continuou – os profissionais estavam presentes mas não realizavam as suas actividades ou executavam-as com morosidade – apesar das tentativas de sensibilização dos responsáveis da Saúde provinciais e outras figuras ligadas ao governo.

O nosso jornalista presenciou um encontro onde o Director Provincial de Saúde, em Nampula, Mahomed Riaz tentou sensibilizar os profissionais de saúde do Hospital Geral de Marrere sem sucesso. Assim que o dirigente abandonou o local os enfermeiros manifestaram a sua revolta e, em seguida cada um deles retirou o uniforme e abandonou a Unidade Sanitária onde doentes aguardavam atendimento médico.

Entretanto o nosso repórter presenciou um momento de desânimo do Director Provincial de Saúde em Nampula que à saída da Unidade Hospitalar de Marrere comentou ter manifestado ao MISAU a sua vontade de abandonar o cargo. “A minha família pediu para eu deixar este cargo porque não tenho tempo para cuidar dela, passo o tempo todo a trabalhar” afirmou Mahomed Riaz.

Ameaças e Intimidações

Se a perspectiva da greve já estava a criar problemas para a vida dos profissionais de saúde, numa gravação áudio – realizada ao que tudo indica à seguir ao anúncio público da greve – disponibilizada pela Associação Médica de Moçambique (AMM) é possível ouvir o Director da maior Unidade Sanitária de Moçambique a expressar o seu desagrado pela atitude dos profissionais que trabalham sob as suas ordens e a intimida-los afirmando que “…no dia em que o Ministério da Saúde começar a usar toda a máquina que tem por trás, vocês vão chorar …” durante estes dois dias temos estados a receber relatos de vários tipos de intimidações aos grevistas efectuadas pelos seus superiores imediatos e até mesmo por membros do Governo a nível provincial e Distrital.

Um profissional que trabalha num distrito, e que esteve em greve na Segunda-feira, afirmou-nos que nesta Terça-feira “seria impossível de continuar, mandaram uma comissão vinda da província (pessoal da direcção provincial e governo da província), partido no poder e do governo distrital. Estamos a viver um dia laboral basicamente de insultos e ameaças”.

No Centro de Saúde de Panda, em Inhambane, um técnico de laboratório foi ameaçado de prisão se não se apresentasse no seu posto de trabalho e no Machava a direcção do Centro de Saúde ameaçou rescindir o contrato e anular os pedidos de continuação de estudos dos profissionais que aderissem a greve. Recebemos ainda relatos de médicos que estão a fazer mestrado e foi-lhes sugerido que as suas bolsas poderiam ser canceladas se não aderissem à paralisação de actividades.

Numa ronda, no princípio da noite de hoje, pelos bancos de socorros dos Hospitais da capital do país o nosso repórter encontrou vários doentes a aguardarem cuidados médicos a mais de 3 horas e, ante a inexistência dos médicos e enfermeiros muitos estavam claramente desesperados.

Governo não tem mais dinheiro para os médicos

Ainda nesta Terça-feira o Governo, através do Director Nacional de Gestão Estratégica de Recursos Humanos no Ministério da Função Pública, António Tchamo, veio afirmar que já esgotou tudo o que tinha para oferecer a classe médica este ano, porque já atingiu a sua capacidade limite em termos de disponibilidade financeira para o reajuste salarial.

Os médicos, segundo Tchamo, são os que beneficiaram da maior percentagem de reajuste salarial este ano porque no entender do Governo a sua carreira deve ser aproximada a dos magistrados judiciais em termos de salários. “Este reajustamento, de acordo com a disponibilidade financeira, deverá ocorrer de uma forma faseada (três fases) que começou este ano com o reajuste de 15 por cento, 13 no próximo, num processo que deverá ser concluído em 2015 com o reajuste também de 13 por cento”, explicou Tchamo.

Recordou que para o reajustamento salarial do corrente ano foi acordado pela Comissão Consultiva do Trabalho (CCT) a cifra de sete por cento para todas as carreiras gerais e específicas da Função Pública. Porém, depois de analisadas algumas disfunções adoptou a medida de diferenciação salarial nas carreiras de educação, tendo reajustado os salários da Educação e da Defesa e Segurança na ordem de nove por cento.

 

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