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2013 em Retrospectiva: mês de Outubro

2013 em Retrospectiva: mês de Outubro

Para o mês de Outubro em retrospectiva apura-se a expulsão de Diamantino Miranda de Moçambique, o ataque à base da Renamo em Sathunjira, a suspensão do “bispo do luxo” pelo Papa, a abrangência de menores por raptos e o boicote do diálogo político com o Governo pela Renamo.

Diamantino Miranda expulso de Moçambique

O treinador português Diamantino Miranda, que comandava o Costa do Sol, foi expulso do país por ordem de Helena Taipo, ministra do Trabalho, depois de ter afirmado que os “jornalistas moçambicanos são vendidos por um prato de sopa”.

Duas semanas após o incidente em que o treinador fez comentários que originaram um coro de críticas, o Governo moçambicano emitiu um comunicado em que intimava o treinador português a abandonar o país num prazo legal de 48 horas.

A notificação, assinada pela ministra do Trabalho, Helena Taipo, classificou o comportamento de Diamantino, de 54 anos, como “reincidente de falta de respeito, civismo e consideração aos valores consagrados, quer na Constituição da República, quer na legislação ordinária em vigor no nosso país”.

Diamantino Miranda, que cumpria a segunda temporada à frente do Costa do Sol, envolveu-se em polémica ao afirmar que “todos aqui são ladrões”, durante uma discussão com jornalistas que cobriam um jogo entre a sua equipa e o Vilankulos F.C.

“Todos aqui são ladrões. Vocês são todos uma cambada de ladrões, você e outros jornalistas são pagos por um prato de sopa. Este país não é sério”, disse Diamantino Miranda, segundo uma gravação de um canal de rádio que fez a cobertura da partida.

Ataque à base da Renamo em Sathunjira

As Forças de Defesa e Segurança atacaram no dia 21, e com recurso a armamento bélico “pesado”, a base da Renamo, em Sathunjira, na província central de Sofala, onde Afonso Dhlakama tinha fixado residência há cerca de um ano. Embora os seus homens não tenham respondido ao ataque, o líder da “Perdiz” abandonou o local, estando neste momento em parte incerta.

Após o ataque, a Renamo considerou que “a tomada da base do presidente Dhlakama, pelos Comandos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique e elementos da Força de Intervenção Rápida marcava o fim da democracia multipartidária em Moçambique”.

A Renamo ainda não respondeu ao ataque das forças governamentais. Entretanto, avisou que não sabe qual seria a situação posteriormente pois o seu líder, Dhlakama, estava a perder o controlo da situação. O maior partido da oposição entende que este ataque resulta do facto de o seu presidente ter “desafiado o Presidente da República, Armando Guebuza, a deixar de condicionar a circulação de pessoas e bens no troço que vai de rio Save até Muxúnguè”.

Entretanto, o Governo, através do Ministério da Defesa, confirmou o assalto e disse que o mesmo foi em resposta aos diversos ataques que a Renamo tem protagonizado contra as Forças de Defesa e Segurança, Segundo Cristóvão Chume, porta-voz do Ministério da Defesa, “dissemos que responderíamos a qualquer ataque, independentemente de quem quer que seja. Hoje, nós íamos atrás dos homens que atacaram as nossas forças. Eles atacaram a nossa subunidade”.

Papa suspende “bispo do luxo”

Este ano mais uma polémica abalou o Vaticano e deixou transparecer a opulência na qual vivem e pela qual lutam alguns pontífices. É que o bispo da Igreja alemã, Franz-Peter Tebartz-van Elst, foi suspenso, até nova ordem, pelo Papa Francisco devido a um escândalo financeiro na Alemanha envolvendo milhões de euros. O pontífice, também conhecido como “bispo do luxo”, está implicado num caso relacionado com gastos excessivos da diocese. Em poucos mais de duas semanas, o bispo dominou as manchetes dos jornais alemães porque mandou construir uma casa em Limburg e aumentado o dinheiro das obras de 5,5 milhões de euros para 31 milhões.

A opinião pública de Limburg considera que o incremento das despesas da edificação da moradia em casa se deve aos pedidos luxuosos de Tebartz-van Elst, porém, a imprensa alemã refere que o visado tentou, durante bastante tempo, esconder o custo real das obras, cujos gastos aumentavam constantemente.

Enquanto isso, os aposentos do bispo terão custado 2,9 milhões de euros, com uma sala de refeições de 63 metros quadrados e uma banheira de 15.000 euros. Alguma corrente de opinião especula que os gastos com as obras completas poderão atingir os 40 milhões de euros. Face a esse escândalo, a Igreja alemã nomeou uma comissão para averiguar as despesas do bispo, enquanto o mesmo continua afastado das suas funções. No seu lugar foi nomeado o vigário-geral Wolfgan Rosch, que se ocupará da diocese, de acordo com um comunicado da Santa Sé.

Raptos abrangem menores

Os crimes de raptos, que começaram a evidenciar- -se em Moçambique em meados de 2011, tomaram proporções alarmantes em Outubro do ano prestes a findar, abrangendo crianças, o que gerou uma onda de insatisfação que culminou com marchas pacíficas nalgumas cidades do país, tais como Maputo e Quelimane, em que cidadão de vários estratos sociais e origem exigiam protecção das autoridades e fim do mal em causa.

Os sequestradores, pese embora aparentem ter abrandado, continuam a tira o sono a qualquer cidadão e a insegurança mantém-se. Na verdade, o Governo de Moçambique ainda não possui novas estratégias para acabar com a onda de raptos que tomou de assalto as principais cidades do país, consubstanciando crime organizado, principalmente na cidade de Maputo, onde houve vários cidadãos moçambicanos e estrangeiros sequestrados durante o dia.

Refira-se que os supostos raptores até atiraram contra as suas vítimas de dia e a poucos metros de algumas unidades da Polícia tal como aconteceu numa manhã, na zona baixa da capital do país. A onda de violência que se instalou fez com que se pensasse que os malfeitores eram mais poderosos que a nossa corporação.

Aliás, mais tarde descobriu-se que o tal vigor tinha a ver com o facto de haver agentes da Lei e Ordem que colaboravam com os sequestradores. Entretanto, a Assembleia da República (AR) aprovou, por consenso, o projecto de lei atinente à alteração pontual do Código Penal para a penalização do crime em alusão com uma moldura penal de 20 a 24 anos de prisão.

Renamo boicota diálogo político com o Governo

Depois de meses de reuniões sem consenso, em finais de Outubro passado, a Renamo boicotou as conversações que mantinha com o Governo moçambicano e condicionou a sua retomada à presença de personalidades tais como Lourenço do Rosário, Reitor da Universidade A Politécnica, e Dinis Sengulane, Bispo da Igreja Anglicana em Moçambique.

Entretanto, Saimone Macuiane, chefe da comissão que dialogava com o Executivo, assegurou que o seu partido continuava aberto ao diálogo. As duas partes discutiam desde o princípio do ano a paridade nos órgãos eleitorais, nomeadamente a Comissão Nacional de Eleições (NCE) e o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE). Todavia, nunca houve entendimentos nesse ponto. Aliás, a Renamo cumpriu, também, a sua ameaça de não participar das eleições autárquicas.

A partir daí, o que se assistiu foi uma troca de acusações sobre uma alegada falta de responsabilidade e seriedade por parte da Renamo, de acordo com o Governo, para quem aquela formação política faltava aos encontros sem comunicar que iria enveredar por essa via. O que o Executivo pretendia é que, mesmo depois de a “Perdiz” anunciar o seu desinteresse em continuar no diálogo devido à falta de consenso, informasse antes de segunda-feira que não se faria presente à sala de reuniões.

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