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2013 em Retrospectiva: mês de Agosto

Mia Couto entre os finalistas do Man Booker International Prize

Para o mês de Agosto em retrospectiva apura-se a indicação de Mia Couto para o Prémio Neustadt, o rombo no Tribunal Administrativo, a reeleição de Mugabe, o arranque do encontro de jovens simpatizantes da Frelimo em Nampula, e o desassossego em Maputo e Matola.

Mia Couto alivia tristeza nacional

O escritor Mia Couto, o primeiro moçambicano a participar no evento, ganhou o Prémio Neustadt. Entretanto, repudiando a crise político-militar que se vive no país, o autor considera que o prémio “é um alívio, um raio solar, neste momento nacional triste”.

Mia Couto foi seleccionado por um júri constituído por 9 autores internacionais a fim de o Prémio Internacional de Literatura – 2014 Neustadt. Este galardão é patrocinado pela Universidade de Oklahoma (OU), pela família Neustadt, incluindo a World Literature Today (WLT) – uma revista literária e cultural internacional dessa universidade.

O jurado foi convocado para o Campus Norman, para as deliberações que decorreram no dia 31 de Outubro, num evento integrado no Festival Anual da Literatura e Cultura Neustadt. Gabriella Ghermandi, nomeada para o Prémio Neustadt, referiu que Mia Couto “é um autor que aborda não apenas assuntos referentes ao seu país, mas universais que narram as vivências dos seres humanos”.

Mia Couto é o primeiro escritor moçambicano a ser indicado e a ganhar o Prémio Neustadt. É considerado um dos autores mais importantes de Moçambique. As suas obras foram traduzidas para mais de 20 línguas.

Rombo no Tribunal Administrativo

Em Agosto, uma auditoria externa detecta um rombo de 170 milhões de meticais referentes ao exercício económico de 2012 no Tribunal Administrativo, que é responsável pela fiscalização das contas do Estado.

Segundo a empresa de auditoria, designada Deloitte & Touche, houve “graves problemas” de gestão no Tribunal Administrativo, nas contas de 2012. Dos problemas enumerados indicava, por exemplo, a adjudicação directa de contratos públicos, pagamentos antecipados a fornecedores de bens e serviços, distribuição de subsídios indevidos à auto-con¬tratação dos gestores de topo como consultores no próprio Tribunal Administrativo, num valor total de 170 milhões de meticais.

O escândalo veio a público através do semanário Savana e do Centro de Integridade Pública. Na altura, o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) anunciou que estava a fazer diligências no sentido de esclarecer o assunto e trazer a verdade à tona, o que veio a ser confirmado no Parlamento pela ministra da Justiça, Benvida Levi, durante a sessão de perguntas ao Governo.

Mugabe reeleito

O Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, foi reeleito para mais um mandato de cinco anos, informou a Comissão Eleitoral daquele país. “Mugabe, Robert Gabriel, do partido Zanu-PF é, doravante, o Presidente eleito da República do Zimbabwe a partir de hoje”, disse a chefe da comissão, Rita Makarau, em conferência de imprensa, apresentando o resultado das eleições de 31 de Julho.

Entretanto, um comissário eleitoral renunciou, supostamente por dúvidas sobre a justeza dos resultados que conferiram a vitória ao partido ZANU-PF do Presidente Robert Mugabe. Mkhululi Nyathi disse que deixou a Comissão Eleitoral do Zimbabwe, (ZEC), de nove membros, devido à forma como o órgão dirigiu as eleições presidenciais e parlamentares.

O principal rival de Mugabe, o Primeiro-Ministro Morgan Tsvangirai, denunciou as eleições de 31 de Julho como uma “grande farsa”, alegando fraude maciça pela ZANU-PF. O maior grupo de observadores nacionais do Zimbabwe também disse que foram “comprometidas”. Líder mais antigo de África, Mugabe, de 89 anos de idade, governa a ex-colónia britânica, então conhecida por Rodésia, desde a independência em 1980.

Arrancou o encontro de jovens simpatizantes da Frelimo em Nampula

O posto administrativo de Anchilo, no distrito de Nampula-Rapale, foi palco, entre os dias 19 e 22 de Agosto, do 3º Encontro Nacional da Juventude moçambicana. O @ Verdade esteve presente na cerimónia de abertura do evento, tendo constatado que, contrariamente às informações oficiais, segundo as quais no encontro participavam representantes de todos os jovens moçambicanos, de diferentes quadrantes políticos e de pensamento, a maior parte dos jovens presentes era simpatizante da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), braço direito do partido Frelimo, facto que rebate a ideia de que as decisões que saíssem do encontro reflectiriam os problemas enfrentados por todos os jovens de Moçambique.

Duvida-se que estes e outros cidadãos que participaram no 3° Encontro Nacional da Juventude tenham discutido abertamente os problemas que lhes apoquentam por causa das suas “afinidades” políticas, apesar de ter sido afirmado que se pretendia discutir com frontalidade as dificuldades por que passam com vista a encontrarem as respectivas soluções. No seu discurso, o presidente do CNJ, Osvaldo Petersburgo, limitou-se ao enaltecimento dos feitos do Chefe do Estado, Armando Guebuza, ao invés de falar dos problemas que afectam os membros da organização que dirige.

Desassossego em Maputo e Matola

Os moradores de vários bairros das cidades de Maputo e da Matola viveram momentos de aflição, pavor e insegurança por causa da existência de um suposto grupo de assaltantes de residências composto por 20 elementos, conhecido pelo cognome “G20”, que, para além de assaltar domicílios e agredir fisicamente, violava sexualmente e passava a ferro o corpo das suas vítimas como forma de coagi-las a revelar os locais onde guardavam dinheiro e outros bens valiosos.

As denúncias chegavam de quase todos os lugares das duas urbes, mas o problema não passou de um boato propalado com o intuito de aterrorizar os habitantes, implantar insegurança e medo, bem como descredibilizar o trabalho da Polícia, de acordo com o ministro do Interior, Alberto Mondlane. O governante podia estar certo na medida em que, das várias denúncias que recebemos de presumíveis vítimas, ninguém se identificou como vítima de tortura com um ferro de engomar, excepto um cidadão cujo caso foi confirmado pela corporação, no bairro de São Dâmaso, no município da Matola.

Apesar do patrulhamento popular, volvidos alguns dias, houve notícias de que os malfeitores afixavam anúncios em algumas casas informando que os proprietários das mesmas seriam as próximas pessoas a serem atacadas. Sobre este caso, também não houve evidências. Devido aos desmandos decorrentes do patrulhamento, algumas pessoas inocentes morreram, das quais o escritor Alex Ferreiras (cujo nome artístico era Alexandria), por ter sido confundido com um integrante do bando em apreço.

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