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Zimbabweanos são donos do seu próprio destino – Tomaz Salomão

O secretário executivo da Comunidade de Desenvolvimento da Africa Austral (SADC), o moçambicano Tomaz Salomão, disse quinta-feira, em Maputo, capital moçambicana, que os zimbabweanos são donos do seu próprio destino, pois estão perfeitamente cientes daquilo que é bom para o seu próprio país.

Salomão falava a imprensa no término da Cimeira de um dia da Troika do “órgão de Política, Defesa e Segurança da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que tinha como agenda avaliar a situação política e de segurança na região, sobretudo a crise do Zimbabwe. Por isso, explicou Tomaz Salomão, a SADC decidiu endossar a liderança do processo para a resolução da crise do Zimbabwe aos próprios zimbabweanos.

“Dissemos que este processo é vosso, porque vocês sabem o que é bom para o Zimbabwe, sabem o que é bom para os zimbabweanos, e por favor voltem para a mesa (de negociações)”, disse Salomão. Prosseguindo, o secretário executivo da SADC fez questão de vincar que, “melhor do que ninguém, Mugabe, Tsvangirai e Mutambara sabem e os outros actores políticos também sabem, bem, bem, bem, o que é bom para o Zimbabwe, o que é bom para os zimbabweanos e o que é que não deve ser feito”.

Para o efeito, os lideres zimbabweanos, deverão reunirse imediatamente para analisar os pontos de discórdia, nomeadamente a nomeação do governador do Banco Central, do Procurador Geral da República, dos governadores e do caso de Roy Bennett, um dos colaboradores directos do primeiro ministro zimbabweano, Morgan Tsvangirai. Bennett, vice-ministro da agricultura, designado por Tsvangirai, encontra-se a contas com a justiça por alegados actos de terrorismo.

Contudo, adverte Salomão, a Cimeira recomendou que as partes zimbabweanas “deverão analisar não só os quatro pontos em disputa, mas também todos os outros decorrentes da implementação do Acordo Politico Global (GPA) e elaborarem um relatório que será entregue ao Facilitar (no caso vertente a Africa do Sul)”.

O referido documento, será posteriormente submetido ao presidente da Troika do “órgão para Política, Defesa e Segurança, ou seja ao estadista moçambicano, Armando Guebuza. Durante a Cimeira, as partes zimbabweanas chegaram a um acordo para debaterem todas as questões pendentes durante os próximos 15 dias, e elaborar um calendário para a sua resolução.

Questionado sobre a entidade que teria a competência de definir o referido calendário, Tomaz Salomão disse que “ eles próprios (os zimbabweanos) é que vão definir o calendário. Foi-lhes dito que têm que apresentar em 15 dias e não mais do que 30 dias”.

Para Salomão, é imperioso e condição fundamental o funcionamento normal do governo, manutenção da paz do ponto de vista de tranquilidade interna, de forma a conquistar a confiança dos mercados internacionais e investidores estrangeiros. Por isso, explicou Salomão, “foi dito aos zimbabweanos que vocês não podem sistematicamente, transmitir uma mensagem que o Zimbabwe é um país em constante crise. Têm que chegar a um ponto em que vocês, os líderes políticos, mostrem que o vosso país é normal, onde a vida funciona normalmente”.

Na ocasião, Salomão fez questão de referir que haverá sempre problemas no Zimbabwe, mas o mais importante é que os lideres zimbabweanos criem condições para o dialogo e resolução desses mesmos problemas, pois nada deve impedir o funcionamento das instituições do Estado, sobretudo o Governo, que deve funcionar sem nenhum impedimento.

Sobre as sanções impostas ao Zimbabwe, Salomão defende o seu levantamento incondicional, pois aquilo que eram as causas profundas das sanções estão sendo eliminadas. “Por isso, não faz sentido que as sanções continuem. Felizmente, alguns parceiros de cooperação já estão a se reengajar, o que é positivo para o Zimbabwe. Alguns investidores estão a voltar ao Zimbabwe, e oxalá portanto que esse clima de confiança prevaleça”, afirmou.

Durante a Cimeira, Tsvangirai suspendeu o boicote do seu partido, o Movimento para Mudança Democrática (MDC-T) contra o actual governo inclusivo, com o qual havia rompido parcialmente devido a sua insatisfação na resolução de algumas questões pendentes já referidas. O boicote iniciou a 16 de Outubro último, na sequência de detenção de Roy Bennett, vice ministro da agricultura, e que foi a gota de água que fez extravasar o copo.

A Cimeira, que foi dirigida pelo estadista moçambicano, Armando Guebuza, presidente da Troika da SADC, também contou com a participação do Rei da Swazilândia Mswati III, do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, e do presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe. A delegação zimbabweana incluía ainda o primeiro-ministro zimbabweano, Morgan Tsvangirai, o primeiro vice-primeiroministro, Professor Arthur Mutambara e a segunda vice primeira-ministra, Thokozani Khupe. Por seu turno, a Zâmbia fez-se representar no evento pelo ministro da defesa Kalombo Mwansa e a República Democrática do Congo (RDC), que também detém a presidência da SADC, pelo seu embaixador na África do Sul, Bene M’Poko. Integram a Troika da SADC Moçambique, Swazilândia e a Zâmbia.

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