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Xiconhoquices da semana: Confrontos armados, Orçamento Rectificativo, Saúde

Xiconhoquices da semana: Funcionários públicos obrigados a participar na campanha eleitoral; Falta..

Os nossos leitores elegeram as seguintes Xiconhoquices na semana finda:

Confrontos armados

Já perderam graça. Se é que alguma vez tiveram graça os confrontos armados entre as forças governamentais e os guerrilheiros da Renamo. Não faz sentido que inocentes continuem a morrer sem saber porquê, sobretudo porque os sinais dos tempos mostram que a intenção de toda aquela encenação mascarada de diálogo, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, é continuar a ceifar vidas de cidadãos inocentes em nome de uma pátria que não quer saber deles e de uma oposição que, quando apetece, ataca civis indefesos.

É muito sangue derramado no altar da arrogância. Trinta e seis cidadãos perderam a vida deste que a carnificina começou. Curiosamente, o Presidente da República advoga a paz, mas surpreendentemente deixa que enviem cidadãos mal treinados para a boca do canhão. O discurso não pode, de forma alguma, ser contrário aos actos que se praticam. Este nível de Xiconhoquice vai dando, sem nos apercebermos, cabo de cidadãos inocentes que não podem ser responsabilizados pelos problemas mal parados que deixam desavindos os donos do país. O silêncio das autoridades é deveras preocupante. As notícias dão conta da transferência de feridos de uma província para outra somente para desviar os órgãos de informação. Isso é vergonhoso.

Orçamento Rectificativo

A proposta do Orçamento Rectificativo (OR), aprovado na semana finda pelo Governo, é uma Xiconhoquice capaz de colocar os cabelos em pé de qualquer cidadão que tenha firmado, ainda que frágil, um acordo com o bom senso. É que não se pode falar de cheias quando a ideia central de tal OR é dotar a Presidência da República, as FADM, o Ministério da Defesa e do Interior de mais dinheiro. Para que fins? Ninguém diz. Trata-se, como é normal no país do deixa-andar, de um esquema congeminado no esgoto da mais fétida sacanice. O pior mesmo é que o OR não altera nenhuma rubrica do Plano Económico e Social e ainda assim aumenta a despesa pública de forma tão ardilosa. Se todas as acções previstas no PES/2013 estão orçamentadas, como é que se pede mais dinheiro sem acrescentar ao documento em questão novas actividades? Só pode ser Xiconhoquice.

Em ano de eleições tudo é possível e não nos espantaríamos se boa parte desse dinheiro fosse desaguar numa conta para financiar campanhas eleitorais de um partido que pode tudo. Até porque ninguém sabe em que lugares e de que forma esse dinheiro será usado em prol das vítimas das mais recentes calamidades naturais.

Saúde

Moçambique é, definitivamente, um país de vinganças. Um país onde é impossível protestar sem ser rotulado, de imediato, como inimigo do desenvolvimento ou agente da oposição. Não há, neste rochedo à beira-mar, meio-termo. Os médicos que o digam. É que depois da greve muitos estão a ser alvos de processos disciplinares e reformas compulsivas. Tudo isso para satisfazer os espíritos medíocres das lideranças deste país. Como quem diz: “não se brinca com os donos do país. A culpa é tua por ousares trilhar, neste contexto, o caminho da cidadania e da militância dos direitos. Aqui quem manda somos nós. Tudo o que fizeres em prol da tua classe será usado contra ti”.

As estatísticas são claras e mostram da forma mais eloquente possível que ainda não somos um país para dispensar os bons préstimos do pessoal médico. Quanto mais para arrancar com uma série de vingançazinhas que só servem para insuflar o ego de quem pensa que manda nas pessoas e no país. Nenhum dirigente sério pode colocar o seu povo no mais profundo sofrimento porque não gosta dos olhos de um médico. Há coisas com as quais não se deve brincar. Grande Xiconhoquice…

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