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Xiconhoca da semana: Paulino Macarringue; Dra. Suzana; Sociedade Civil

Xiconhoca da semana: Mulher que trancou as filhas em casa e ateou fogo; Jorge Khalau prometeu...

Os nossos leitores elegeram os seguintes Xiconhocas na semana finda:

Paulino Macarringue

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Defesa de Moçambique foi vítima de um assalto. Este simples facto merece uma entrada no Guinessbook. Macarringue deve ser o primeiro na história da humanidade a ser assaltado por meros marginais. Mas não é isso que transforma Macarringue num Xiconhoca pleno.

A sua explicação sobre o sucedido é, no mínimo, ridícula. O homem diz que foi assaltado o cidadão Macarringue e não o chefe de Estado-Maior. Fala de uma missão familiar e de fórum privado para explicar o sucedido. Pelo meio atira farpas ao órgão que publicou em primeira mão o que lhe aconteceu.

Macarringue devia estar preocupado em evitar que lhe assaltem para dar mostras de umas forças de defesa sérias. É que a seriedade de uma instituição também se pode explicar pelas suas lideranças, e quando elas são assaltadas sem dificuldades não há muita coisa a dizer. Xiconhoca.

Dra. Suzana

“Com o livro de ponto na mão, a doutora Suzana obrigou os funcionários públicos em Namialo a marcharem em prol da paz. Isso foi contra os nossos direitos e por essa razão cremos que ela devia ser a Xiconhoca da Semana”, escreveu um funcionário público de Namialo que foi vítima da mão dura da Dra. Suzana. O gesto, para qualquer pessoa distraída, até pode parecer nobre, exactamente pelo facto de o motivo ou objectivo da manifestação obrigatória incluir uma marcha pela paz.

Não há, diga-se, nada melhor do que a paz. Contudo, a paz não pode atentar contra ela mesma e foi isso que a Dra. Suzana fez ao submeter os funcionários públicos a um movimento ligado ao partido no poder. A paz explica-se por ela mesma. Não precisa de Susanas a reboque da Frelimo para ser imposta. Ela é condição da liberdade e não da imposição. Xiconhoca há em todo o lado. Agora a população de Namialo já sabe disso.

Sociedade Civil

Que os nossos dirigentes são Xiconhocas já sabíamos, mas que tínhamos uma sociedade civil da qual não nos podemos orgulhar estávamos em dúvida. Foi, portanto, necessário haver uma marcha em prol da paz, coordenada pela mesma sociedade civil, para confirmarmos que ela não vale nada. É uma fantochada, um embuste, uma mentira representada por Xiconhocas. A sociedade civil é tão Xiconhoca como os políticos que temos.

Na verdade, trata-se de uma sociedade civil que nós, enquanto povo, merecemos. Os nossos brandos costumes assim indicam. A sociedade civil é, na verdade, o retrato desfocado dos Xiconhocas que todos somos. Uma coisa é não marchar pela paz, mas é inadmissível anunciar uma passeata por um motivo nobre e depois gazetar. Só mesmo Xiconhocas.

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