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Votação no Egito termina, e a Irmandade Muçulmana diz liderar

Milhões de egípcios votaram, Quinta-feira, no segundo e último dia da volta inicial das eleições presidenciais, e a Irmandade Muçulmana disse que o seu candidato está à frente de outros políticos islâmicos e de rivais que participaram no deposto regime de Hosni Mubarak.

É o primeiro pleito presidencial livre na história do país, e não há pesquisas confiáveis. A apuração começou logo depois do fecho das urnas, às 21h.

Por meio do seu canal de TV, a Irmandade, grupo político mais organizado do Egito, disse que o seu candidato Mohamed Mursi lidera as cifras preliminares em alguns distritos.

Outros candidatos disseram estar à frente em áreas específicas, mas um quadro geral só deve tornar-se mais claro no Sábado.

Se nenhum dos 12 candidatos obtiver maioria absoluta, haverá uma segunda volta nos dias 16 e 17 de Junho.

Entre os candidatos laicos estão Amr Moussa, ex-chanceler e ex-chefe da Liga Árabe, e Ahmed Shafiq, último primeiro-ministro de Mubarak. O esquerdista Hamdeen Sabahy corre por fora na disputa.

Os egípcios parecem cada vez mais divididos entre os que querem evitar a todo o custo a entrega da presidência para um ex-integrante da era Mubarak, e aqueles que temem um monopólio islâmico sobre as instituições de Estado.

A Irmandade Muçulmana formou a maior bancada nas eleições parlamentares de meses atrás, mas as Forças Armadas, que há 60 anos dominam a política do país, retêm considerável influência.

Há quem tema distúrbios nas ruas, especialmente se o vencedor for Shafiq, que a exemplo de Mubarak foi comandante da Força Aérea. Quarta-feira, Shafiq levou pedradas e sapatadas quando chegava para votar no Cairo.

“Se Shafiq ou Moussa ganharem, eles vão criar uma revolução. Todo o mundo vai sair novamente à praça Tahrir”, disse Sherif Abdelaziz, 30 anos, eleitor de Mursi, referindo-se à praça no centro do Cairo onde enormes protestos contra Mubarak aconteceram.

Quinta-feira, houve confrontos entre partidários de Shafiq e Mursi numa aldeia ao norte da capital, com cinco feridos, segundo fontes policiais. No mesmo dia, surgiu no Facebook uma página a pregar “revolução se Moussa ou Shafiq vencerem”.

Ao cair da noite, Moussa fez um apelo de última hora ao eleitorado. “Agarrem a chance das últimas poucas horas. É vital que votem (…). Saiam, participem na construção de um novo Egito”, afirmou ele, caminhando perto do seu comité de campanha.

Ele parou para cumprimentar os motoristas presos no congestionamento causado pela cena. “É o presidente”, gritou uma mulher. O candidato acusou Shafiq de usar métodos escusos e espalhar “mentiras” sobre uma suposta desistência sua, e disse que quem deveria desistir é o próprio Shafiq.

“Como posso desistir se todos os centros de votação dizem que Amr Moussa está acabado e (…) não tem chance?”, reagiu Shafiq.

Mubarak, enquanto isso, contempla o espectáculo democrático a partir de um hospital num bairro nobre do Cairo, onde está confinado, aos 84 anos, enquanto aguarda o seu julgamento por corrupção e pela morte de manifestantes.

O veredicto está previsto para o dia 2, duas semanas antes da segunda volta presidencial. A pena de morte é possível, mas improvável.

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