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Vinte pessoas morreram nas minas de Marracuene

Pelo menos 20 pessoas perderam a vida nos últimos sete anos no areeiro de Nhongonhama, no distrito de Marracuene, em Maputo, quando extraíam areia usada para consumo, tudo porque os métodos de trabalho seguidos não oferecem as mínimas condições de segurança.

Os trabalhadores desta mina cavam buracos enormes, formando cavernas escuras e perigosas, com o risco de desabar a qualquer momento, à procura de areia apropriada para o consumo.

A actividade é praticada maioritariamente por jovens como sua fonte de sobrevivência. A areia é posteriormente vendida a grosso a mulheres provenientes da cidade de Maputo, que as revendem nos mercados informais. Um saco de 75 quilos custa, à porta da mina, 40 meticais e aos revendedores, 120 meticais, mais que o dobro.

Segundo constatou o Diário de Moçambique no local, eles trabalham em condições humanamente inaceitáveis, desde questões de higiene, à segurança das suas próprias vidas. Não possuem equipamento de protecção como luvas, capacetes, botas e máscaras.

As cavernas formadas constituem, por sua vez, um grande perigo para os que tiram areia. Segundo uma fonte local, quando a mina desaba com uma pessoa dentro, não há meios para salvar a vítima.

Curiosamente, por temerem que as autoridades policiais possam proibir ou mandar encerrar a mina, a população que beneficia da actividade esconde casos de morte que se registam em Nhongonhama.

Entretanto, sempre que houver desabamento, os jovens encerram a mina e abrem outra.

O secretário do bairro Nhongonhama, Jeremias Mussane, confirma a morte de pelo menos 20 pessoas vítimas de desabamento das minas de extracção de areia para o consumo.

“Naquele lugar morre-se muito. Já levei o assunto ao conhecimento da polícia, saúde e outras identidades, mas até agora nada se fez”, referiu.

Lamentou igualmente o facto de que quando há um caso de morte por desabamento, o corpo do finado é removido pela sua família e não pela polícia ou bombeiros.

Contactado o comandante distrital da polícia em Marracuene, Gaspar Timóteo, este entrou em contradição com as declarações de Mussane. Ele deu a entender que tudo está tranquilo, ao afirmar que não há nenhum registo de mortes nas minas de Nhongonhama.

“Oficialmente, não temos nenhum caso registado, mas temos conhecimento, a título particular, de casos de morte naquele lugar, mas como a população não faz denúncias desses casos, passam despercebidos”, disse.

Timóteo disse que aquando da visita de uma brigada da Assembleia da República, em Março do corrente ano, ao distrito, foram apresentadas algumas questões acerca daquele local.

“A brigada da Assembleia da República visitou o local e há um plano de encerramento daquele espaço por constituir perigo à vida dos que exploram areia. Na altura houve medições da profundidade do buraco e verificou-se que está quase a atingir a linha férrea”, referiu.

Enquanto isto e falando no anonimato, os trabalhadores da mina foram unânimes ao afirmar que o negocio é rentável, apesar de constituir um risco para a sua vida. “Conseguimos um bom dinheiro nas minas. Por dia uma pessoa é capaz de encher dez a doze sacos. Vendemos um saco de 75 quilogramas por 120 meticais fora da mina”, contaram.

“Este é o nosso posto de trabalho. Não temos onde pedir dinheiro para sustentar as nossas famílias, é por isso que este lugar é sagrado para nós, apesar de constituir um perigo para as nossas vidas”, explicaram.

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