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Vilanculo ergueu-se dos escombros, mas faltou assistência em saúde mental as vítimas do ciclone

Depois do ciclone “Fávio” devastar a costa moçambicana em 2007, o distrito de Vilanculo, província de Inhambane, reconstruiu quase tudo quanto tinha sido destruído pelo fenómeno, tendo apenas faltado a assistência em saúde mental às vítimas deste desastre natural. Este ciclone, que afectou todas as regiões do país mas com maior incidência no distrito de Vilanculo, destruiu quase tudo quanto existia nesta vila turística, tendo também provocado a morte de quatro pessoas e mais de 50 feridos.

O ciclone “Fávio” destruiu mais de 130 mil casas e diversas infra-estruturas sociais, como escolas, unidades sanitárias, estabelecimentos hoteleiros, entre outras. A sociedade acredita que em situações do género é importante providenciar assistência em saúde mental às vítimas do desastre para evitar complicações e transtornos mentais capazes de os perturbar em ocasiões futuras.

Segundo um estudo da publicação da Academia Americana da Psiquiatria de Crianças e Adolescentes, citado em Janeiro passado pelo “Portal de apoio e bem-estar” do Brasil, o índice de prevalência de transtornos emocionais e de comportamento nas vítimas de furacão Katrina (que assolou os Estados Unidos da América em 2005) é de aproximadamente 15 por cento. Estes transtornos incluem comportamento inadequado, depressão, hiperactividade, transtornos alimentares, medos e fobias.

Desse grupo de pessoas, quase 10 por cento desenvolvem tipos de transtornos directamente relacionados com as situações vividas durante aquele desastre natural. Certamente que a assistência em saúde mental pode contribuir para a redução desse tipo de casos. De igual modo, a falta desse tipo de assistência pode concorrer para a ocorrência ou agravamento desse tipo de situações.

As autoridades moçambicanas da saúde também reconhecem a importância da assistência em saúde mental para as vítimas de crises para prevenir possíveis casos de traumas no futuro. É nesse contexto que o Ministério da Saúde (MISAU) providenciou assistências do género às vítimas do acidente ferroviário de Tenga (província de Maputo) em Maio de 2002 e àqueles que sofreram directamente com as explosões do Paiol de Mahlazine, arredores da cidade de Maputo, em Março de 2007, só para apontar alguns exemplos.

Entretanto, não houve o mesmo tipo de atenção e assistência para as vítimas do desastre natural “Fávio” que, em Fevereiro de 2007, destruiu quase tudo quanto existia em Vilanculo, segundo confirmou a AIM Lídia Gouveia, do Departamento de Saúde Mental da Direcção Nacional de Saúde Pública do MISAU. A AIM confirmou o mesmo facto junto do Administrador de Vilanculo, José Mabureza, durante uma entrevista concedida há dias à AIM.

“Nós criamos um comité de gestão de riscos, mas assistência psicológica não tivemos”, disse, sublinhando que “nem sei se haverá um dia… mas espero podermos ter assistência nessa área futuramente”.

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