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VIII Festival Internacional de Maputo: Homenagem merecida a Ruth First

Arranca no dia 4 de Maio o VIII Festival Internacional de Música. O evento que irá decorrer na capital moçambicana, durante um período de oito dias, artistas oriundo de diversas parte do mundo que irão realizar uma série de concertos e bailados como forma de preencher a e diversificar a agenda cultural da urbe.

Nada acontece por acaso. É nesta lógica que a organização do VIII Festival Internacional de Música escolheu o dia quatro de Maio para assinalar o arranque do evento. Se fosse viva, este ano a jornalista e antropóloga sul-africana, Ruth First, nascida a quatro de Maio, celebraria 87 anos de vida. Infelizmente, o mesmo não acontecerá assim pelo facto de a repórter ter sido assassinada na capital moçambicana no dia 17 de Agosto de 1982.

Em vida, além de jornalista e antropóloga, Ruth First assumiu o cargo de directora de pesquisa do Centro de Estudos Africanos de Maputo (CEA) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM). “Ruth First foi militante do ANC exilada em Maputo, o que lhe valeu, como a outros camaradas que se basearam na nossa capital, perseguições pelo regime do apartheid. Os serviços secretos sul-africanos conseguiram matar a proeminente intelectual, por meio de uma carta-bomba, a 17 de Agosto de 1982, em pleno gabinete de trabalho”.

Portanto, há razões suficientes para prestar homenagem First, uma grande mulher africana. É neste sentido que na sua oitava edição, o Festival Internacional de Música de Maputo, uma iniciativa da Associação Kulungwana, “quer assim homenagear a grande intelectual e combatente pela causa da liberdade do povo sul-africano e outros oprimidos numa África Austral que se concertava para fazer frente o regime minoritário sul-africano, que também ocupava a Namíbia”.

Crescer continuamente

De acordo com a organização, nos últimos oito anos, desde a sua fundação em 2005, “o Festival Internacional de Música tem sido um crescendo de performances e de adesão do público”. Em parte, a proeza deve-se à estratégia dos organizadores, que para além da programação da música clássica, acresceu ao avento, nas várias edições, “o jazz acústico, a world music e a ópera, cativando uma audiência sempre mais ampla sem nunca descurar a música clássica, a rainha desta realização”.

Como tal, “é justamente este leque de várias expressões artísticas que propicia aos jovens moçambicanos a possibilidade de adquirir mais conhecimentos e sonhar mais alto para realizar as suas ambições, já que o festival contempla para além da componente de entretenimento, com artistas de classe internacional, uma forte vertente pedagógica”, conforme a organização reitera.

Principais atractivos

De acordo com a organização, na edição do Festival Internacional de Maputo, o ballet será, em certo sentido, uma das maiores atracções do evento.

É neste sentido que foram convidados artistas de renome internacional naquela disciplina musical como, por exemplo, Carlos Pinillos e Filipa Castro, os bailarinos principais da Companhia Nacional de Bailado de Portugal, e trechos, de “West Side Story” (Amor sem Barreiras), o musical dos anos 1950 inspirado no “Romeu e Julieta” de Shakespeare, no original e único contexto africano.

Refira-se que o director e coreógrafo desta produção de Broadway é Greg Ganakas. Consta da experiência do artista um trabalho entusiástico com estudantes e cantores moçambicanos na mise-en-scène de “Porgy and Bess”, em 2010. A performance proposta em Maputo chama-se “Something’s coming”.

Um atractivo do evento, a não perder, é a orquestração do musical, de Leonard Bernstein, que será efectuada pelo Steve Zegree Quartet, todos professores da Escola de Música de Bobby McFerrin, que esteve em Maputo na edição passada e que, desta vez, embora em contexto diferente, vem replicar uma experiência que foi a todos os níveis formidável.

A programação de música clássica tem nomes excepcionais como a pianista lituana Muza Rubackyte, com o seu recital para piano com obras de Lizst e Schubert. No entanto, serão muito mais os músicos que deliciarão o público moçambicano, vindos dos Estados Unidos, Japão, Noruega, Polónia, Portugal e Moçambique.

Mais importante ainda é que, no âmbito do mesmo evento, um concerto especial será dirigido por quatro músicos moçambicanos, nomeadamente Kika Materula, Moreira Chonguiça, Feliciano Castro e Luka Mukhavele, numa sessão musical com os artistas convidados, criarão uma orquestra única que se espera que seja inesquecível.

A produção do evento que de uns tempos a esta parte trabalha afincadamente para garantir que o festival decorra sem muitos sobressaltos, acredita que “esta apresentação será o pontapé de saída para uma edição que se quer memorável tanto pela classe dos músicos como pela adesão do público, que certamente aderirá a esta homenagem a uma ilustre personagem da história da África do Sul, de Moçambique e da África Austral”.

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