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Vida de Assange na embaixada: pouco espaço, mas acesso à Internet

A viver de refeições delivery numa pequena sala dotada duma esteira rolante para queimar as energias da frustração e duma lâmpada bronzeadora para compensar a falta de sol, Julian Assange ainda assim conta com o bem material mais valioso para ele: um computador conectado à Internet.

O fundador do WikiLeaks refugiou-se, nove semanas atrás, na embaixada equatoriana em Londres para evitar extradição à Suécia, cujas autoridades querem interrogá-lo quanto a um suposto estupro.

Ele temia a prisão, e agora vê-se a viver como prisioneiro. Mas o seu amigo e parceiro britânico Vaughan Smith, que hospedou Assange na sua mansão no campo por um ano durante a batalha legal fracassada que este travou contra a extradição, afirmou que o australiano está a manter o ânimo e a desfrutar da liberdade virtual de seu computador.

“Ele parece estar a aguentar bem. A chave para compreender Assange é que, se ele tem um computador, costuma estar feliz”, disse Smith à Reuters depois de uma visita è embaixada, que ocupa um pavimento dum edifício de apartamentos no elegante bairro de Knightsbridge.

“O que mais o preocupa é a possibilidade de que não possa trabalhar bem, e é por isso que prefere uma embaixada a uma cela de prisão”, acrescentou.

Domingo (19), o mundo viu Assange pela primeira vez desde 19 de Junho, quando ele chegou à embaixada. Semana passada, o presidente esquerdista do Equador, Rafael Correa, concedeu asilo político ao activista, mas as autoridades britânicas continuam a planejar detê-lo caso deixe a embaixada.

Discursando duma pequena sacada e criticando os Estados Unidos pelo que definiu como uma “caça às bruxas” que tem por alvo o seu site de divulgação de segredos governamentais, Assange, 41, ocupou a atenção da mídia mundial por 10 minutos.

O seu cabelo loiro grisalho agora está curto, e ele usava uma camisa bem passada e gravata, e parecia gozar de boa saúde, ainda que aparentasse cansaço.

Depois do discurso, ele parou para contemplar os seus animados simpatizantes, os jornalistas e os severos policiais londrinos que o assistiam da rua, e depois retornou ao seu mundo privado, do lado de dentro da embaixada.

Smith disse que Assange dorme e trabalha numa pequena sala que parece um escritório apressadamente convertido em quarto de hóspede. No começo ele só tinha um colchão de ar, mas agora conta com uma cama de verdade.

“A sala é pequena. Tem janela, mas eu não a descreveria como arejada. Não vi uma cozinha, mas sei que ele tem acesso a um micro-ondas. Um amigo deu uma esteira rolante a ele”, disse Smith.

Ele não quis falar sobre a vista que a janela propiciava porque não deseja identificar a sala para terceiros. As janelas da embaixada que dão para a rua estão com as cortinas fechadas desde que Assange chegou.

Ele pode fazer o que precisa’

“É bem apertado. Ele usou uma estante para dividir a sala em um espaço para dormir e um espaço de trabalho”, disse Smith. “O importante é que ele pode trabalhar. Pode realizar reuniões, pode convidar pessoas a visitá-lo. Pode fazer o necessário”, disse.

O Equador concedeu-lhe asilo sob a alegação de que Assange poderia ser transferido da Suécia aos EUA para enfrentar acusações relacionadas ao WikiLeaks. O Reino Unido não permitirá que ele deixe a embaixada para ir ao Equador porque os tribunais decidiram que ele deve ser extraditado à Suécia.

Christine, a mãe de Assange, falando por telefone da Austrália, disse ter recebido garantias pessoais do ministro do Exterior equatoriano, Ricardo Patino, de que o seu filho teria o maior conforto possível durante a sua estadia.

“O pessoal da embaixada vem sendo bom. São extremamente gentis. O povo equatoriano é muito caloroso. Garantem que ele coma bem, que esteja bem aquecido e confortável”, disse ela.

Christine e Julian Assange conversam ao telefone quando possível, mas ela afirma que as conversações são limitadas porque, na sua opinião, as linhas estão a ser monitoradas.

“Não podemos dizer nada de muito pessoal um ao outro”, ela afirmou. “Isso reduz o nosso contacto. Mas temos um relacionamento estreito.”

A embaixada fica no primeiro andar dum edifício de apartamentos de seis andares, construído na virada do século passado em Londres. O edifício abriga também a embaixada colombiana e apartamentos particulares.

A embaixada equatoriana não tem espaço externo excepto estreitas varandas, e por isso falta luz solar para os moradores. Os integrantes do WikiLeaks que visitaram Assange, semana passada, disseram aos simpatizantes do lado de fora que ele tinha uma lâmpada de bronzeamento na sala.

O edifício fica diante da entrada do fundo da luxuosa loja de departamentos Harrods, que atrai milhares de consumidores e turistas a cada dia.

A loja tem uma entrada de carga bem diante da embaixada, e os camiões e furgões verdes da Harrods ocasionalmente têm o seu caminho bloqueado pelas multidões de simpatizantes e jornalistas que tomam a rua. Do lado de dentro, invisível, Assange continua a trabalhar no seu computador.

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