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Vettel é o mais jovem bicampeão da Fórmula 1

Vettel é o mais jovem bicampeão da Fórmula 1

Sebastian Vettel (Red Bull) entra para a história do desporto motorizado como o mais jovem bicampeão da Fórmula 1, ao terminar em terceiro no Grande Prêmio do Japão. A prova foi vencida pelo seu rival da McLaren Jenson Button. O piloto alemão de 24 anos, que começou a prova na pole position pela 12a vez na temporada, precisava de apenas um ponto em Suzuka para garantir o seu segundo título consecutivo com quatro corridas de antecipação.

Em pouco mais de um ano, Sebastian Vettel deixou de ser o “garoto problema” com várias batidas no currículo para ser coroado como o mais jovem bicampeão da história da Fórmula 1. O piloto da Red Bull, que tornou no Japão um dos nove pilotos a conquistar dois títulos consecutivos, parece ser o mesmo garoto sorridente que celebrou o seu primeiro título em Abu Dhabi em novembro passado.

E, ainda assim, os seus rivais perceberam várias vezes durante a temporada que o alemão — apenas o segundo a conquistar um título para o país depois de Michael Schumacher — conseguiu adicionar maturidade ao seu arsenal e abriu distância dos perseguidores.

No final de agosto do ano passado, quando em uma tentativa muito otimista de ultrapassagem o alemão bateu com força contra o carro de Jenson Button no Grande Prêmio da Bélgica, o chefe da McLaren, Martin Whitmarsh, classificou Vettel como “garoto problema”. Esse tipo de declaração parece história antiga agora.

Esta temporada, o piloto de 24 anos – que é o quinto mais novo na categoria – não foi nada menos do que um “senhor consistência”. “Ele (Whitmarsh) teve que engolir o que ele disse nesse ano, não teve?”, disse à Reuters o chefe da equipe Red Bull, Christian Horner, com um sorriso no rosto.

Vettel pontuou nas últimas 17 corridas e é o único piloto que terminou todos os Grandes Prêmios nesta temporada até agora. E ele não só fez isso, como venceu nove corridas e começou 12 das 15 provas do ano na pole position. Ele só ficou fora do pódio uma única vez e, nesse dia, terminou em quarto.

“Sebastian aproveitou a experiência que adquiriu e o nível em que ele atuou nesse ano foi fenomenal”, disse Horner, cuja equipe tem contrato com o alemão até o final de 2014. “Ele realmente elevou o padrão. Ele começou o ano defendendo o título e se portou como um campeão mundial, foi um prazer acompanhar isso.”

RITMO FENOMENAL

O campeão mais jovem, vencedor de várias corridas, assíduo no pódio e dono de muitos pontos e várias poles, Vettel aparenta ter tanta confiança quanto Schumacher no seu melhor momento. Na última temporada, ele não liderava o campeonato até bem próximo do final, quando venceu sob as luzes da Yas Marina para ficar com o título.

Este ano, ele liderou de ponta a ponta e só viu a sua vantagem aumentar a cada corrida. “É fácil esquecer que ele só tem 24 anos e é fácil subestimar o que ele conquistou”, disse Horner. “Eu acho que ele deu um grande passo e teve desempenho fenomenalmente bom.”

O desempenho na pista pode sugerir alguém com uma atenção ao detalhe como Schumacher e ele realmente passa horas com os engenheiros, mas o piloto que já foi chamado de ‘bebê Schumi’ pela imprensa alemã recusa-se ser estereotipado.

Fã do humor inglês e dos Beatles, assim como um colecionador de palavrões e gírias em várias línguas, o jovem tem um perfil mais brincalhão. O filho de um carpinteiro de Heppenheim dá a todos os seus carros nomes de mulheres, começando com ‘Kate’ e indo para ‘Irmã Safada de Kate’, a ‘Liz Sensual’, ‘Randy Mandy’ e a atual ‘Kylie Danada’. Ele também cuida de si mesmo, negociando os seus próprios contratos ao mesmo tempo em que mantém uma estável amizade com o chefe da Fórmula 1 Bernie Ecclestone.

Ecclestone, que cuidou da carreira e era amigo próximo do alemão nascido na Áustria Jochen Rindt até a sua morte em 1970, encontra paralelos no passado. “Ele lembra-me Jochen”, disse o executivo de 80 anos neste ano. “Seb sempre vai manter o pé no chão, não importa o tamanho do sucesso. Isso é o que faz os verdadeiros campeões. Esta também era a força de Jochen. Além disso, os dois eram perdedores barulhentos.”

Um sonho de marketing para a Red Bull, com o óbvio apelo para os jovens e a paixão por desportos de ação, Vettel nasceu em 1987 – mesmo ano que a empresa vendeu a primeira lata de bebida energética. Participante do programa de jovens pilotos da companhia, ele estreou na F1 pela BMW-Sauber em 2007 – pontuando imediatamente – mas voltou para a Red Bull, à época para correr na equipe irmã Toro Rosso.

Vettel deu à nova equipe sua primeira e única vitória na F1 até hoje, na Itália, em 2008 e então, na Red Bull em 2009, garantiu à equipe a primeira pole position e a primeira vitória.

DÍGITO ÚNICO

Na temporada passada, ele lutou com o companheiro de equipe, o australiano Mark Webber, que acusou a Red Bull de favorecer o alemão. Mas, este ano, Vettel ficou sozinho na disputa. Ele bateu durante os treinos, mas cometeu poucos erros durante as provas, apenas cedendo sob a pressão de Jenson Button no Canadá e desperdiçando a vitória na última volta.

A comemoração com o indicador levantado depois de cada corrida, combinada com os gritos dentro do cockpit, se tornaram a sua marca registrada – e algo que irrita muito os rivais, efeito semelhante ao salto de Schumacher no pódio no início dos anos 2000. Schumacher era um herói da sua infância – um dos três Michaels que ele disse admirar. Os outros são Jordan e Jackson. “Eu queria ser o Michael Jackson quando jovem”, disse o piloto loiro para o site oficial formula1.com no ano passado. “Foi triste descobrir que eu não tinha voz para isso.”

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