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Vestígio do vírus no sangue de pacientes com carga viral zero

O francês Luc Montagnier dividiu o prémio em Medicina ou Fisiologia de 2008 com a excolega Françoise Barré-Sinoussi pela descoberta do vírus da Sida. Aos 77 anos, surpreendeu a plateia de 675 jovens pesquisadores com a palestra “O DNA entre a Física e a Biologia”.

Poderia ter usado o título “Memória da Água”. Durante meia hora, discorreu sobre marcas que seriam deixadas pelo DNA de algumas bactérias e alguns vírus no arranjo de moléculas de água, mesmo após sucessivas diluições. O tema é ultracontroverso. Em 1988, o periódico científico Nature veiculou trabalho similar de Jacques Benveniste (morto em 2004). Em seguida, denunciou o trabalho como fraude.

A “memória da água”, tema caro a homeopatas, virou tabu. Montagnier não só ressuscitou tese equivalente como deu ainda a sua explicação para o fenómeno, que chamou de “ressonância”: as modificações de estrutura na água emitiriam sinais electromagnéticos. Um tubo de ensaio ao lado da água memoriosa “contrairia” a informação. Num dos dois artigos que publicou sobre o assunto em 2009, cita Benveniste como fonte do aparelho empregado para captar os sinais.

MEMÓRIA APLICADA

A sua ideia agora é usar o suposto fenómeno para diagnóstico. Uma das aplicações com que sonha é encontrar vestígios do vírus HIV ocultos no sangue de pacientes mesmo depois que a carga viral é zerada com medicamentos. Os dois trabalhos de Montagnier sobre o assunto saíram num novo periódico científico editado na China, “Interdisciplinary Sciences – Computational Life Sciences”.

O primeiro deles foi recebido no dia 3 de Janeiro, revisado dia 5 e aceite dia 6. Noutras revistas científicas, isso pode demorar meses. Já há blogueiros a defender que ele ganhe o Ig Nobel, prémio satírico para “pesquisas que não podem e não devem ser reproduzidas”.

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