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‘@Verdade EDITORIAL: Um ano de choros e ranger de dentes

O ano preste a findar foi difícil para todos os moçambicanos, sobretudo aqueles cidadãos cuja vida é pautada por infindáveis intempéries. 2015 não foi apenas um ano difícil, foi, na verdade, um exercício hercúleo de sobrevivência. Foi um ano que, na sua recta final, coincidiram tantas notícias más para a população moçambicana, tais como a subida do preço do pão, de transporte e de água, para além de produtos alimentares de primeira necessidade.

Já nos últimos quatro meses do ano a situação económica do povo piorou e, ao invés de solução, foi encontrado um culpado para justificar a falta de políticas e acções claras com vista o aumento da produção de alimentos por parte do Governo. Foi encontrado um bode expiatório para justificar a incompetência mórbida e a tamanha falta de seriedade que caracteriza o Executivo moçambicano. O dólar norte-americano!

Porém, o que se pode esperar em ano 2016? A resposta é para já negativa, pois tudo indica que, a julgar pela inércia do Governo de turno e a corrupção que se tornou prática reiterada, o custo de vida vai continuar cada vez mais alto. Se até para os que auferem um a dois salários mínimos nacionais, a situação tornou-se insustentável, uma vez que os preços de produtos de primeira necessidade não paravam de subir, em 2016 vai ter de se “apertar o cinto” mais do que está.

Na verdade, para o próximo ano não se vislumbram sinais de refracção no que toca à subida de custo de vida, o que significa que os mais de 70 porcento da população moçambicana continuarão a enfrentar uma situação de extrema pobreza nas áreas suburbanas e rurais. Aliado ao débil poder de compra, o acesso aos serviços básicos será ainda mais deficitário, sufocando os moçambicanos mais carenciados.

O mais revoltante é que, diante desse caos que se avizinha, o Governo continua a assobiar para os lados, numa clara demonstração de que o assunto não lhe diz respeito, até porque tem todas as contas pagas com o suor do povo. Não se fala de austeridade ou outra qualquer medida com vista a aliviar a carestia de vida que está a deixar a população sem norte. Aliás, o que se assistirá no próximo ano serão discursos vazios e cheios de nenhuma coisa para entreter o povo.

Em suma, 2016 não será um ano fácil para os moçambicanos, será uma ano de sacrifício, um ano de choros e ranger de dentes. E, como sempre, o povo moçambicano será obrigado a auto-flagelar-se para que o Presidente da República e os seus títeres continuem a refestelar-se em banquetes regados de vinhos, uísque e champagne do que há de melhor no mercado internacional.

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