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Vendedores de rua perseguidos e espancados pela polícia

No princípio desta tarde (30 de Setembro), em Nampula, alguns vendedores de rua foram perseguidos, espancados e desapropriados os seus bens pela Polícia Municipal local. A cidade tem um número cada vez mais crescente de pessoas que ganham a vida nos passeios ao longo das principais artérias da urbe, comercializando todo tipo de produtos.

Em Novembro do ano passado (2010), o vendedor ambulante, Diamantino Fernando, de 21 anos de idade, foi perseguindo, espancado, arrancado a mercadoria e preso pela Polícia Municipal da cidade de Nampula. Perdeu produtos no valor de 1500 meticais, numa altura em que se estreava no mercado informal.

Nesta sexta-feira, 30 de Setembro, a história repetiu-se, embora com episódios novos e uma particularidade: não foi espancado. “Desta vez, consegui fugir, evitando que me batesse novamente”, diz. Mas não foi a tempo de salvar a sua mercadoria. Ele vende sapato, acessórios de telemóveis e outras quinquilharias no passeio. Perdeu todos os seus bens estimado em cerca de seis mil meticais.

Com uma família de três membros por sustentar e a renda de casa por pagar, Diamantino não sabe onde ir buscar dinheiro para recomeçar o negócio. Sente-se sem chão, até porque tiraram-lhe tudo que tinha como o seu ganha-pão. “Não sei onde vou buscar dinheiro. Acabava de comprar os produtos e tive de pedir emprestado quatro mil meticais” afirma e questiona: “E agora, como vou pagar a dívida”.

À semelhança de Diamantino, dezenas de vendedores de ruas que perderam os produtos nesta tarde numa acção da Polícia Municipal que se assemelhou a uma guerra, vivem o mesmo dilema. O drama começa por volta das 12 horas, próximo do Hospital Central de Nampula. Num carro de caixa aberta, desceram alguns agentes municipais, pelo menos dois empunhando armas de fogo, e apanharam desprevenidos muitos vendedores.

O pânico instalou-se. Cada vendedor procurava salvar o produto. Algumas pessoas abandonavam os seus bens, e outras carregavam o que podia. Bananas, amendoim e bolinhos espalhavam-se pelo chão. Num cenário de guerra e desespero. Ouvia-se gritos por todos os lados. Adultos e crianças corriam de um lado para o outro. Os agentes da polícia camarária corriam atrás deles, os que tiveram o azar de serem apanhados recebiam cacetadas, eram pisoteados e, de seguida, lançados como animais para o carro juntamente com as mercadorias. A atitude da polícia tem uma justificação: as pessoas que honestamente ganham a vida nas principais ruas e avenidas da cidade de Nampula, a capital do norte, fazem-no ilegalmente.

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