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EDITORIAL: Velha OJM

Não sabemos se a Frelimo tirou ilações da estrondosa e pornográfica derrota de 7 de Dezembro, em Quelimane. Também não sabemos se os mesmos já pensaram na responsabilidade da OJM na goleada sofrida em território chuabo.

O que a OJM, uma organização juvenil que se diz de massas, foi fazer em Quelimane? Qual foi a importância do discurso de Basílio Muhate para a juventude de Icidua, Coalane e Sangarivieira, só para citar três exemplos de onde a Frelimo foi objecto de uma copiosa derrota?

Para sermos mais claros, o que a OJM podia oferecer a uma juventude eternamente excluída para além das barrigas imponentes dos seus líderes?

A derrota da Frelimo é, diga-se, uma derrota da OJM em toda a medida. Até porque quem votou em Quelimane foram os jovens. Foram eles que não arredaram pé das escolas do subúrbio. Foram eles que enfrentaram uma polícia armada até aos dentes. Foram eles, mais do que a PRM, que vetaram qualquer possibilidade de fraude.

Como também foram eram eles que viram durante e depois da campanha figuras de proa da OJM brutalmente embriagadas pelas ruas de Quelimane. Com garrafas de cerveja, mulheres e carros top de gama a desfilarem nas crateras que alguns ousam chamar de ruas no pequeno Brasil.

Nas urnas, os jovens de Quelimane mostraram que não se deixam levar por discursos de plástico e sorrisos postiços de Basílio e companhia. Em Quelimane ficou claro que a OJM, que nem dentro do partido Frelimo tem força, é apenas uma caricatura da juventude moçambicana. Portanto, não pode ser chamada, de forma nenhuma, porque não significa, no seio da juventude, um interlocutor válido.

Quando o Presidente da República falou da geração da viragem, a OJM replicou até à náusea o discurso do chefe. Quando os jovens reclamaram de emprego e transporte, a OJM disse que estava tudo lindo e maravilhoso. Ou seja, o discurso da OJM nunca saiu do seio dos jovens. Veio sempre de cima.

Efectivamente, os jovens de Quelimane votaram contra essa passividade, contra essa genuflexão, contra essa falta de ideias, andando a reboque da orientação única.Na verdade, os jovens de Quelimane foram realmente jovens e votaram contra a letargia.

O drama é que letargia, neste caso, é sinónimo de OJM. Uma organização juvenil que não consegue ser rebelde, que não tem causas que não sejam as da Frelimo. Enfim, uma organização acéfala.

PS: Orçamento do SISE

É pena o ser humano tornar-se cada vez mais um “homem massa” como ensina Ortega e Gasset. Cada vez mais, o homem perde a sua essência, que é a liberdade, sentido crítico, responsabilidade e a dimensão histórica da vida de si mesmo. Vai-se despojando de tudo… Estamos de forma espectacular a alcançar uma Sociedade já “alcançada” pela ex-URSS, tudo isto em nome e em plena Democracia. Formidável!

Percebe-se clara e cristalinamente a razão – velhíssima – no desinvestimento na EDUCAÇÃO, SAÚDE e HABITAÇÃO, menos na “arma que reprime o povo”… PARABÉNS.

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