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Urge proteger o ambiente!

Urge proteger o ambiente!

Num “Olhar Dicotómico Sobre o Ambiente”, os artistas plásticos moçambicanos Jussa e Circle exploram o lado romântico e atraente do ambiente, fazendo jus à força da linguagem pictórica. Grotescos e surreais, brindam-nos com a verdade: “urge proteger o ambiente”. A intenção é consciencializar a sociedade para uma acção proactiva relativamente ao ecossistema.

A amostra foi inaugurada muito recentemente. Com telas ricas de beleza, empresta vida e cor à Galeria do Centro Cultural Brasil Moçambique. São obras ímpares, cuja beleza, para um apreciador desatento, capturam o combate dicotómico entre o urbano e o suburbano, o vital e o nefasto, o favorável e o desfavorável para o desenvolvimento sustentável, numa discussão em que o ambiente se mantém o assunto do momento.

Na verdade, a exposição chama-se “Um Olhar Dicotómico Sobre o Ambiente”. Nela, “abordamos o ambiente sob o ponto de vista romancista, onírico, desejável, valorizando as mil maravilhas que se podem dizer sobre a natureza e o ambiente”, explica Circle. Tal pretensão desemboca na recorrência à pintura com tendências para a abstracção e, por conseguinte, mais estética.

Extravasar limites

Porque a acção humana coloca em causa o belo do nosso ambiente, os artistas rompem com tal abordagem e tratam a realidade com frieza. Ficam mais críticos, querem intervir para garantir a manutenção do belo na natureza. Desta vez, apresentam uma pintura surrealista em que fazem menção a todos os aspectos da acção humana que colocam em causa a qualidade do meio ambiente.

Pela nobreza da causa, os artistas extravasam os limites do ambiente. Retratam-no sob o ponto de vista das convulsões sociais e políticas, bem como de questões económicas. Afinal, apesar de “aparentemente não terem muito a ver com o ambiente, contribuem para a sua má conservação”, assinala Circle.

Amigos do ambiente

A industrialização crescente do mundo e os seus derivados, quando feitos interagir entre si, “acabam por contribuir para a degradação do meio ambiente, colocando, como consequência, em causa o desenvolvimento sustentável”.

Assim, espera-se que na simbiose que resulta da combinação dicotómica do pensar no ambiente – o belo e o grotesco –, se consiga convidar a sociedade “para uma refl exão sobre a importância do meio ambiente, elevando, sobretudo, a consciência social para que a sociedade se torne mais amiga do ambiente”.

Trazer soluções

Contemplar a beleza da natureza talvez seja uma força de inspiração para valorizá-la. Neste prisma, nas suas obras Jussa compromete-se a “trazer as soluções para os problemas que o meio ambiente enfrenta”.

Nascido na cidade de Maputo, onde cresceu, recicla alguns resíduos sólidos – como discos, papelões, restos de jornais – muito familiares no meio urbano, e reaproveita-os para produzir arte.

Em contraposição, Sérgio Langa, ou simplesmente Cicle, é de opinião de que a realidade deve ser encarada sem rodeios. Por isso, sem papas na língua, em obras como “Amazónia em 2050” olha para o futuro com insegurança e tristeza, e explica-se:

“Sabemos que a Amazónia é o pulmão do mundo. No entanto, estudos revelam que a Amazónia está a ser degradada. Esta degradação está a acontecer a um ritmo bastante exacerbado. Olhando para o horizonte do tempo, caso não se melhore o comportamento humano face ao ambiente, até 2050 talvez tenhamos na Amazónia apenas três árvores ou nenhuma”.

Assumir a responsabilidade

Na ocasião o embaixador da República Federativa do Brasil considerou que “o Brasil sempre foi muito criticado pelo desleixo em relação às suas riquezas naturais. Por isso, pelo facto de sermos o país com a maior floresta do mundo, passamos a desencadear medidas para preservá-la de maneira que se possa garantir um desenvolvimento sustentável. Promovemos a utilização desses recursos de uma maneira ecologicamente mais aceitável. No entanto, devido à pobreza – porque também somos pobres – torna-se difícil consciencializar um indivíduo a preservar recursos que, uma vez exploradas, lhe valeriam uma riqueza que em quatro anos não produziria”.

Recorde-se, então, que no mundo inteiro mais de 1.6 bilhão de pessoas depende das florestas para o próprio sustento e sobrevivência, e Moçambique não é excepção.

Mas quem polui o ambiente?

Segundo Circle que também é ambientalista “existe um falso paradigma” na discussão. É que se tenta incutir que a degradação do meio ambiente é originada pelas comunidades rurais – o que não é verdade.

Por exemplo, na obra “gestores seniores”, por si criada, temos algumas senhoras carregadas de lenha – um peso vertical na cabeça. Sobre o aspecto, Circle explica que tal lenha não resulta de um abate de árvores, mas de galhos secos que, uma vez caídas, são reaproveitados para fazer combustível doméstico.

A verdade, porém, é que “os grandes predadores provêm das zonas urbanas. Deslocam-se para o meio rural, onde, utilizando equipamentos industriais, abatem as árvores e lançam a responsabilidade aos habitantes locais”. Por isso, Cicle encontra nas comunidades urbanas “gestores seniores” do ambiente. Afinal, elas têm a compreensão de que precisam da lenha para viver – o que faz com que preservam o ecossistema local.

A mostra “Um Olhar Dicotómico Sobre o Ambiente” enquadra-se na celebração do cinco de Junho – Dia Internacional do Ambiente, bem como na de 2011 – Ano Internacional das Floresta. Pode ser apreciada até 20 de Junho corrente no Centro Cultural Brasil-Moçambique, em Maputo.

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