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Unesco declara a Igreja da Natividade património da humanidade

A Unesco concedeu o estatuto de Património Mundial ameaçado e recursos para reparos ao local visto por cristãos como o berço de Jesus na cidade de Belém, na Cisjordânia, apesar das objecções dos Estados Unidos e de Israel.

Treze membros dos vinte e um do Comité do Património Mundial votaram a favor do gesto numa reunião em São Petersburgo. A decisão foi recebida com uma salva de palmas. Seis membros votaram contra e dois abstiveram-se.

A Igreja da Natividade, datada do século 4º, e erguida sobre uma gruta onde a tradição cristã diz que Jesus nasceu, precisa de restauros, mas a Autoridade Palestina, que exerce um poder limitado no território ocupado por Israel, está carente de fundos.

O pedido da Autoridade Palestina também incluiu parte da Rota da Peregrinação, o caminho que José e Maria teriam seguido rumo à cidade na sua jornada de Nazaré mais de 2 mil anos atrás.

Os palestinos sublinharam o que descrevem como os perigos da ocupação israelita e citaram em particular o cerco de Israel em 2002 à Igreja da Natividade, onde os militantes refugiaram-se durante o levante palestino.

A violência diminuiu drasticamente nos últimos anos e mais de 2 milhões de pessoas visitam anualmente a igreja.

Mas peritos independentes enviados pela Unesco para examinar a igreja recomendaram a rejeição do pedido, dizendo que, embora o telhado da igreja precisasse de reparos, o santuário não pode ser considerado “como tendo sido severamente danificado ou sob ameaça iminente”.

Estado palestino

O ministro das Relações Exteriores palestino compareceu ao encontro desta Sexta-feira (29) em São Petesburgo, e a Autoridade Palestina viu a sua inclusão na Unesco como um marco estratégico antes de um reconhecimento internacional mais abrangente que busca para o seu futuro Estado.

“Isto traz esperança e confiança ao nosso povo para a vitória inevitável da nossa causa justa “, disse o primeiro-ministro Salam Fayyad num comunicado na esteira da decisão.

“Aumenta a determinação em prosseguir com esforços para aprofundar a preparação do estabelecimento de um Estado Palestino independente, com a sua capital em Jerusalém Oriental dentro das fronteiras de 1967”, declarou Fayyad.

As autoridades israelitas questionaram a necessidade de Belém ser registada como local ameaçado, e vê a manobra palestina na Unesco e noutros organismos da ONU como um esforço para constranger Israel no palco mundial.

“Esta é uma decisão irresponsável”, disse Gideon Koren, vice-presidente israelita do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios.

David Killion, embaixador dos EUA na Unesco, disse estar “profundamente decepcionado com a decisão”.

O governo palestino planeia registar cerca de 20 locais na Unesco, incluindo a cidade antiga de Jericó e o sítio arqueológico de Sebastia, e desdenhou das acusações de Israel.

“O nosso objectivo é preservar e salvaguardar esses locais, a despeito da ameaça da ocupação israelita”, afirmou Hanan Ashrawi, chefe do Departamento de Cultura e Informação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), à Reuters.

Ano passado, a Unesco concedeu o status de membro pleno aos palestinos, uma decisão vista à época como um incentivo à sua intenção, desde então amplamente divulgada, de obter o reconhecimento da condição de Estado nas Nações Unidas, na ausência de conversas de paz com Israel.

Israel e os Estados Unidos, que subsequentemente cortaram a sua contribuição anual de 80 milhões de dólares à Unesco, criticaram a decisão, dizendo que as negociações de paz, que desmoronaram em 2010, são o único caminho para um Estado Palestino.

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