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SELO: Um show sem auto-estima, escrito por Dércio Ernesto J. Tsandzana

Antes de entrar no cerne do artigo, apraz-me dizer que a auto-estima pode ser definida como a valorização geralmente positiva, que temos de nós mesmos, por outras palavras, significa amor próprio que culmina em colocar em primeiro plano tudo o que é de mais valia para um indivíduo.

Foi com uma imensa magoa que acompanhei ao longo da semana passada o anuncio de um mega show que teve lugar na cidade de Maputo no dia 29 de Junho alusivo aos 38 anos da nossa Independência Nacional comemorados no pretérito dia 25 de Junho. A magoa relacionada com este show não se trata apenas de ser mais um show, mas sim pela composição do “banquete” de artistas que compunham o mesmo. Este show que se intitulou “show entre povos” foi composto por 11 artistas estrangeiros entre Angolanos e Cabo Verdianos e apenas meia dúzia de artistas moçambicanos.

Este show não fazia sentido algum realizar-se no mês de Junho sobre a capa de se tratar de um show alusivo a nossa independência, muito pelo contrário, este tipo de shows serve para tirar dividendos por parte dos promotores com falta de auto-estima e claro desrespeito pelos artistas nacionais e pelo povo moçambicano no geral.

De referenciar que o show teve o custo mínimo de 500 Meticais para o bilhete normal e 1000 Meticais para área VIP, o que é logo a priori um preço discriminatório e excludente para o grosso da população moçambicana que pretendia festejar o dia da independência com independência e liberdade. Não obstante a questão do preço ficou claro que o show era mesmo para apenas ganhar dinheiro se olharmos pelo local do mesmo, porque diferente seria se o mesmo realizasse na praça da independência onde foi proclamada a independência nacional em 1975.

Muito se tem apelado a exaltação da auto-estima entre os moçambicanos e essa auto-estima deve partir de nós moçambicanos pela valorização do que é nosso, e posso afirmar sem margem de duvida que Moçambique tem actualmente um bom leque de artistas capazes de proporcionar um show de arromba.

Surgem diariamente debates na comunicação social de apelo a valorização do que é nosso, mas ficou evidente neste show que os promotores nacionais não se preocupam com o nacional, mas sim em tirar algum proveito financeiro usando artimanhas e temáticas de shows que não condizem com a finalidade dos mesmos.

Não quero hostilizar os artistas estrangeiros que tem actuado em Moçambique, aliás, com o advento da globalização e das tecnologias de informação e comunicação não há possibilidades de ficarmos alheios a música estrangeira, e não deve ser esse o caminho. Mas é preciso acima de tudo dar primazia ao que é de Moçambique e é feito pelos moçambicanos, porque qualidade e quantidade musical nós temos.

Quero em última análise apelar às autoridades e as instituições do pelouro da cultura para que não permitam que se repitam casos como estes, aliás, se não um dia em vez de seis teremos um show nacional 100% estrangeiro.

Mas não disse!

Dércio Ernesto J. Tsandzana

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