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‘@Verdade Editorial: Um Presidente “free lancer”

A categoria de free lancer é inerente à profissão jornalística, e não só, segundo os cânones do ramo, para identificar o jornalista, neste caso, que, não tendo um contrato empregatício com uma instituição de comunicação social, produz e vende as suas notícias a qualquer órgão. A priori o jornalista não tem compromisso com ninguém e não deve satisfações a qualquer entidade, termos em que, pode escrever quando quiser e deixar de escrever caso a sua consciência ordene.

É mesmo um funcionário livre. Mas não é dos jornalistas free lancer que nos pretendemos debruçar, mas das práticas à moda free lancer que tendem a ser adoptadas pelo actual Presidente da República Armando Guebuza. O seu modus operandi é, por maioria de razão, mesmo de um free lancer.

O Presidente da República conseguiu a proeza de levar o país à beira de um desespero e descontentamento generalizado, de que não há memória. Introduziu, de forma genial e com sucesso, uma estratégia de governação insuflada de falta de estratégia. O fruto dessa mesma estratégia não podia ser mais aterrador para o país.

Falta-nos tudo como país porque carecemos de uma liderança esclarecida. O povo hoje não tem transporte, não tem emprego, não tem comida, hospitais e muito menos água potável. Os dados dos nossos repórteres, diferentemente daquilo que dizem as estatísticas mentirosas do Governo, mostram que há lugares onde a água é um luxo e municípios que parecem autênticos bairros de lata. Isto só pode ser resultado de um país governado em regime free lancer.

Em nenhum momento o Presidente se dignou- esclarecer aos cidadãos as razões desta desgraça que nos abraça de forma eloquente. E não vamos criar teorias para explicar esse vazio de responsabilização, pois está explicada. Os free lancers não prestam contas a ninguém senão à permanente preocupação com o seu bem-estar.

O free lancer move-se pelo seu bolso. Enquanto os seus bolsos estiverem saudáveis, tudo o resto é acessório. É exactamente este o roteiro de vida que vivemos hoje. Estamos nas mãos de um free lancer. O free lancer, tal como dissemos, não tem contrato com qualquer entidade, razão pela qual não admira a ninguém que o Chefe do Estado não se recorde de um contrato social que o Estado deve ter para com os seus cidadãos que se resuma na provisão de serviços mais elementares. O Estado simplesmente deixou de existir para os cidadãos e tornou- -se uma vaca leiteira de um clã que prega o espólio.

E como um bom free lancer, o Chefe de Estado está muito interessado em impressionar o público, daí que não admira a ninguém a sua campanha Unidimensional de promoção da sua própria imagem, que mais se assemelha a um julgamento feudal sem contraditório.

E a Televisão paga pelos nossos impostos está a servir de rampa para tão degradante espectáculo. Degradante porque subverte o mais elementar princípio da lógica. Ou seja: ele mesmo é que se coloca na dimensional posição de avaliado e avaliador. Só quem já se apercebeu da sua incomum impopularidade é que se pode submeter a um exercício tão irracional e de dimensões monumentais, no que a pobreza mental diz respeito.

Estamos entregues, por enquanto, mas temos saída. Dispensemos os serviços do free lancer e arranjemos um funcionário a sério e que se identifique com o projecto desta nossa República que, se depender de nós, ainda pode ser um lugar normal para se viver. O projecto de Moçambique não se compadece com os free lancers!

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