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EDITORIAL: Um presente envenenado

O Governo continua a revelar-se insensível em relação à situação miserável em que, nos últimos tempos, os moçambicanos são obrigados a viver. Diariamente, o custo de vida agrava-se e, consequentemente, o poder de compra vai-se deteriorando. O Governo não perde a oportunidade de mostrar ao país a sua contínua falta de bom senso.

O Executivo acostumou-se a falar de confiança no futuro e no mítico combate à pobreza absoluta e o povo a aplaudir projecções, alucinações ou discursos cheios de frases feitas na expectativa de milagres vindos de quem se serve do Estado para ampliar a sua riqueza para lá do obsceno. E pouco (ou quase nada) foi feito para aumentar a produção de alimentos ou dinamizar a economia de um país que anda alegremente aos papéis e à volta do umbigo.

Numa altura em que a conjuntura internacional está longe de melhorar, o que irá trazer situações adversas para o país, o Governo decidiu cortar o subsídio ao combustível e ao trigo – leia-se pão – além de introduzir o passe de transporte público para os trabalhadores e estudantes, e uma cesta básica para os mais necessitados na suposta tentativa de atenuar o custo de vida. Agora é que vamos mesmo comer o pão – ironia esta de se falar em pão – que o diabo (Governo) amassou.

Diga-se, as novas medidas mais não representam do que uma marosca, ou seja, “conversa para boi dormir”. São medidas tomadas por quem vive no conforto de um Mercedes, e de persianas fechadas à realidade de um povo que, todos os dias, se autofl agela para ter pão e água na mesa.

Estas providências são, sem dúvida, mais um “Atestado de Estupidez” passado a um povo por um Governo incoerente e inconsistente que adora posar de pai – qual mártir – diante das câmaras de TV com o ar mais cândido do mundo.

Não há dúvidas que estas novas medidas, que nem ao diabo lembram, foram habilmente concebidas para apenas benefi ciar uma minoria, os funcionários públicos ou sujeitos que dispõem de um emprego formal, marginalizando, assim, grande parte da população moçambicana, sobretudo a que (sobre)vive da actividade informal.

Senão vejamos: a tal dita cesta básica – composta por cereais, pão, peixe de 2ª, óleo alimentar e feijão – é destinada apenas aos indivíduos que têm remuneração igual ou inferior a dois mil meticais. É sabido que o sector com o menor salário mínimo é o agrícola, o que signifi ca que grande parte dos trabalhadores, tanto os do sector formal como os do informal, que auferem a remuneração básica nacional, será excluída.

Pelo andar da carruagem, fica claro que os próximos tempos serão de choros e ranger de dentes para os moçambicanos que auferem acima de 2 mil meticais e para os que não têm emprego neste ou naquele ministério ou em qualquer outra instituição pública, uma vez que o preço do combustível, do transporte, do pão e outros bens de primeira necessidade voltará a subir.

As novas disposições do Governo, aparentemente para benefi ciar as camadas mais vulneráveis, constituem um presente envenenado para um povo que anda distraído com deprimentes espectáculos de futebóis ou em células partidárias propositadamente criadas para domesticar os moçambicanos.

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