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Um “Encontro entre Gerações” para aproximá-las e alavancar a música moçambicana

Um “Encontro entre Gerações” para aproximá-las e alavancar a música moçambicana

Foto Eliseu PatifeDurantes cerca de três horas, as paredes do Centro Cultural Universitário da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, vão vibrar sem estremecer nem racharem-se, nesta sexta-feira (23), com as vozes de Elvira Viegas, Hortêncio Langa, José Barata, Roberto Chitsondzo, Sizaquel Matchombe (devia escrever-se Matlombe), João Cabaço, Arão Litsuri, Miguel Chabinza, Tancel, Xishel, Fernando Luís, Euridze Jeque, Ray Phiri (da África do Sul), entre outros, num “Encontro entre Gerações”, um evento organizado pela banda Kakana, de Yolanda Chicane, dona de uma das vozes femininas mais suculentas que o país possui.

A dona da “Suhura”, música com a qual a Banda Kakaka conquistou, há anos, o prémio fusão no programa Mozambique Music Award (MMA), disse que no “Encontro entre Gerações”, com início previsto para as 20h00, haverá grandes duetos e a noite será puramente moçambicana, com o objectivo de criar um intercâmbio entre os músicos de diferentes gerações.

Um evento deste calibre, organizado pela Banda Kakana, que celebra 11 anos da sua criação, aconteceu em Novembro do ano passado, no Parque dos Continuadores, e contou com a participação de artistas como Wazimbo, Neyma Alfredo, Isabel Novella e os sul-africanos Zamajobe Sithole, e Zolani Mahola.

Na quinta-feira (22), na conferência de imprensa que visava dar a conhecer os pormenores do show, os artistas foram confrontados com o facto de Moçambique ser bastante poroso à música estrangeira, sobretudo a angolana.

Roberto Chitsondzo, dos Ghorwane, disse que se os moçambicanos considerassem a música deles como a sua bandeira, não assistiríamos ao que se passa no país. “Infelizmente nós não aplaudimos o que fazemos por nós. (…) Somos mais aplaudidos fora do que cá dentro. (…) Vamos tocar mais a nossa música (…). Ouvimos muito aqui falar do Made in Mozambique”.

O músico estendeu também as suas críticas à proliferação de cantores cujas letras são ocas em termos de conteúdo e considerou que “cantar é deferente de mexer o rabo”. Em relação às queixas que têm a ver com o distanciamento de artistas jovens dos da velha guarda, Chitsondzo e outros músicos disseram que aqueles não querem aprender dos mais velhos.

Relativamente à falta de espectáculos em que actua a chamada velha guarda, Chitsondzo afirmou: “Dêem-nos espaço e tempo necessário” para mostrar trabalho. “Nós não queremos actuar na televisão”, porque “o público não nos quer ver a fazer mímica” nem “play-back”.

Ainda sobre este aspecto, Elvira Viegas – uma das divas da música ligeira moçambicana, que se envaidece dos seus totós – afirmou que deve haver equipamento de som disponível e com qualidade, o que não tem acontecido. Sobre a permeabilidade do país à música estrangeira, a artista considerou que a nossa Imprensa tem alguma culpa na medida em que promove pouco a nossa arte musical.

Para José Barata, nas escolas, nos aeroportos moçambicanos, entre outros locais, devia ser indispensável tocar a nossa música, mas sem restringir a arte estrangeira.

Sem meias-palavras, Hortêncio Langa disse que parece haver uma visão estreita em relação à música e cultura moçambicanas por parte da Imprensa. Talvez seja por isso que esta é uma das áreas pouco propagandeadas. Espevita-se a “música estrangeira, o que é triste”.

Ademais, segundo Langa, as leis criadas em prol deste sector não são respeitadas, a pirataria das obras discográficas é “nua” e está nas barbas de todos, o que fez com que as editoras musicais falissem, os empresários e as empresas públicas patrocinam a música de fora; por isso as coisas não andam como deve ser.

Por conseguinte, os jornalistas, que fazem muito pouco em prol desta área; a Polícia, que precisa de melhorar a fiscalização com vista a combater a pirataria; as empresas públicas e os empresários, que valorizam o que é de fora, são todos culpados, na óptica do compositor que, apesar da sua decepção com a cidade de Maputo, dispõe de uma letra com a qual advoga a beleza desta urbe.

“Eu não visito nenhuma praia em Maputo, porque todas têm estado superlotadas debatendo-se com o problema de lixo e de águas sujas. As pessoas compram comidas e bebidas e atiram a sujidade para o mar. Não há nenhum trabalho de educação cívica. Por isso, a situação em que nos encontramos é terrível. Devia haver uma actuação conjunta entre os Ministérios da Saúde, da Cultura, da Educação, do Turismo e o Conselho Municipal de Maputo a fim de se garantir a educação dos jovens a partir da escola. (…) Esse é outro problema sério, porque nós temos instituições a nível do Ministério da Saúde e do Conselho Municipal criadas para dar resposta a estas situações. Não percebo como é que essas entidades conjugam os esforços para garantir a salubridade do meio e a saúde pública. O Ministério da Cultura e Turismo empenha-se em atrair turistas para uma cidade em que vemos as pessoas a urinar em pleno público. Falta-nos uma boa postura camarária”, afirmou Langa numa entrevista ao @Verdade.

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