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SELO: Um autêntico MONOPÓLIO chamado EDM, por Pedro Cossa

Monopólio é uma condição do Mercado caracterizada pelo controlo por um só vendedor de bens ou Serviços oferecidos aos usuários ou consumidores (GIDDENS). Quem detém o monopólio pode determinar o preço do seu produto, pode prestar péssimos serviços, pode até oferecer produtos ou serviços “podres”, os usuários ou consumidores não têm outra alternativa senão sujeitarem-se a consumir esses produtos desqualificados.

Enfim, no monopólio não há concorrência do Mercado. Moçambique está independente desde 1975, isto até hoje iguala-se a 38 anos, faltando 12 para completar meio século.

Produzimos aqui a nossa energia, que até abastecemos aos outros vizinhos nossos (por sinal, mais iluminados que nós), sei que ela (a energia) sai da- qui vai para fora e depois volta para cá de novo, mas isto para mim não é o caso! Não é por causa disso que temos até hoje distritos sem energia eléctrica.

Indo aos exemplos mais concretos, da má qualidade e a falta de inclusão na distribuição deste importan- tíssimo “recurso” para o desenvolvimento das comunidades e o posterior “Combate à Pobreza” (como diz o nosso MAIOR, nem sei se ainda vai a tempo de combater uma vez que próximo ano cessa as funções enquanto o povo ainda sente na pele a pobreza)! Mas okey, aqui o assunto é de energia e não do chefe do Estado!

Todos nós sabemos que a nossa energia é produzida na província de Tete, concretamente no distrito de Cahora Bassa, mas desengane-se quem acha que lá naquele distrito é tudo 1000 maravilhas quanto à questão de energia eléctrica nas Comunidades, há bairros como CHIRODZI, CHIGAMANGA, e uma parte de MARUERA que não têm energia, esses bairros todos estão no distrito de Cahora Bassas.

Já na cidade de Tete, o assunto é outro, tem energia, mas a mesma está completamente “podre”, são cortes constantes, são oscilações, é a má qualidade, entre outras coisas.

Na nossa capital (Maputo) há quem pode pensar que talvez lá sejam também 1000 maravilhas uma vez que é lá onde tem “tudo e todos” por favor, desengane-se também, não quero falar daquele apagão que se registou há dias pois aquilo considero um incidente normal, há na província de Maputo bairros que até hoje não “conhecem” energia eléctrica, exemplo concreto duma parte do bairro de MUHALAZE, concretamente nas mediações da Escola Primária Completa Trindade Muhalaze.

Ali não há energia, esse lugar localiza-se a menos de 10Km da cidade de Maputo e a 5Km da Vila Olímpica (Estimativas). E agora se o distrito de Cahora Bassa e Maputo (que é a capital) não estão completamente electrificados, imaginemos o cenário em que se encontram os distritos de Metangulo, Mandimba e Massangulo, em Niassa!!! Metuge, Quissanga, Macomia, em Cabo Delgado!!!

Mecubure, Mogincual, Namapa, em Nampula!!! Mopeia, Namaroi, Ile, na Zambézia!! Marromeu, Machanga, Maringué, em Sofala, que às vezes as suas imagens só chegam nas TV’s nos tempos de Campanha Eleitoral. Mas onde é que está a causa de tudo isto???

O Monopólio detido pela empresa pública EDM é que é a razão de todo este sofrimento dos moçambica- nos, esta empresa não consegue gerir este Mercado sozinha, não tem capacidade de iluminar o nosso país todo, não aguenta e, acima de tudo, opera sozinha, não tem concorrentes no Mercado, com ou sem qualidade, caro ou não, o povo não tem outra escolha, é só seguir a EDM.

Será que não há mais espaço para empresas (privadas) operarem na área de distribuição de energia eléctrica? Será que a HCB só pode vender (Gwevissar) energia à EDM? O mais engraçado é que este Governo abre espaços para mais Operadores de Telefonia Móvel, de Distribuição Televisiva por Satélite e não mete também distribuidores de Energia Eléctrica para ajudar a EDM a iluminar o país.

A pergunta é: como é que aquele povo de Muhalaze, Chirodzi e Chigamanga vai usar os telefones celulares se não tem energia, como é que vai usar as tais TV’s por satélite se não tem energia? Meus senhores, dêem energia às pessoas depois metam essas coisas!!! Que pobreza querem combater desse jeito???

Tive o privilégio de ir até Cahora Bassa, concretamente à vila de Songo, são só 120Km da cidade de Tete até lá, da cidade de Tete até ao cruzamento 18, onde se chega se deixa a EN7 se desvia à direita, são 20Km, do cruzamento 18 basta desviar, é só andar directo, a estrada vai exactamente até à vila de Songo (100Km), pelo menos eu sou tinha a certeza de que ia para um lugar onde se produz energia eléctrica porque já havia aprendido na Geografia que é lá mesmo, mas se fosse com um estrangeiro ele só ia acreditar depois de chegar e ver a barragem.

É que ao longo dos 100Km não há nenhum sinal de pelo menos um poste de iluminação, nem nas povoações, não há nada, o que se pode ver são só as torres metálicas que levam energia de Cahora Bassa para o “mundo fora”!!! Será que não se pode iluminar aqueles 100Km para o Songo??

Uma vez que a energia é nossa, não pedimos favor a ninguém, aquele troço (cruzamento 18 a HCB) tinha que ser a referência quanto à electrificação pública, tinha que ser o único troço mais iluminado de Moçambique!

Não estou contra a EDM, estou contra a sua insuficiência na capacidade e ineficiência de expandir a distribuição de energia eléctrica em Moçambique, até por mim, se o conseguisse fazer, estaria tudo bem, mas não consegue….enfim, melhor despir o Monopólio e abrir mais espaços para outros, para que haja bons serviços e concorrência no mercado!!!

Enfim, mudem a forma de fazer as coisas…Governo deve Governar e não deve “Governar”.

“Toda a pessoa tem o direito de exprimir e de difundir as suas opiniões no quadro das leis e dos regulamentos”. (Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos-Artigo 9

 

 

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