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Um atentado contra a saúde pública!

Um atentado contra a saúde pública!

Na lixeira de Hulene, a sete quilómetros do centro da cidade de Maputo, o muro frontal ruiu há pouco mais de um mês, deixando o espaço aberto e com um aspecto ruim. Contudo, a situação mais preocupante é o intenso cheiro nauseabundo que se faz sentir por ali, causando, como sempre, um permanente atentado contra a saúde pública.

Ao todo são quase 20 metros da parte quebrada pela pressão da saturação e por uma máquina que trabalhava no local. Pelo aspecto débil e marcado por um fim iminente, tudo indica que aquilo constitui apenas o começo de um processo que vai prosseguir ainda. “Nos próximos dias a situação pode arrastar-se pelo resto do muro”, consideram alguns observadores. A par disso está o cheiro nauseabundo que se propaga para o outro lado da estrada, principalmente nas primeiras horas da manhã e no final do dia.

Em suma, é um verdadeiro perigo para a saúde pública carecendo de uma pronta intervenção das autoridades, segundo a percepção de alguns ambientalistas, moradores e os utentes que diariamente se fazem à via. “É com certeza uma situação desagradável. Esperávamos por uma pronta intervenção das autoridades competentes, mas pelo que temos visto, parece que a falta de vedação vai continuar a criar este mau aspecto e intoxicar-nos durante um bom tempo”, comentou um transeunte.

“É claro que o espaço sempre cheirou mal, mas esta abertura frontal só agravou as coisas, pois deixa a lixeira cada mais a céu aberto. Portanto, é urgente que o Concelho Municipal intervenha nisto”. De facto, além disso, verificámos igualmente a preocupação que reina entre os moradores das zonas circunvizinhas. “Isto é uma situação que devia fazer corar de vergonha as nossas autoridades, pois desde que o muro caiu nunca vimos algum interesse da parte das autoridades municipais”, sublinhou Chico Matavel residente do Bairro Laulane.

“Nas noites é péssimo, o cheiro pode sentir-se até do outro lado da zona. A ameaça aumenta mais sobretudo, porque o muro está cansado e não vai aguentar por muito tempo”.

Consequências ambientais

Com mais de 30 anos de existência, nos últimos tempos, a lixeira constituiu sempre um atentado ao ambiente devido a vários factores que incluem a sua localização, o facto de estar saturada, a incineração e deposição desordenada do lixo e a falta de fiscalização e controlo dos camiões que depositam os resíduos sólidos por parte dos agentes da Polícia Camarária e guardas da lixeira.

Os riscos vão agravar-se mais, caso a barreira venha a cair por completo, pois pode também obstruir a estrada principal que liga os vários bairros ao centro da cidade. Assim, entre os principais problemas que provoca destacam-se a poluição ambiental devido ao facto de ser um local aberto e com incineração descontrolada do lixo, e a proliferação de moscas e mosquitos, insectos sobejamente conhecidos pela propagação de doenças como as diarreias e malária. Por outro lado, o local é altamente vulnerável à ocorrência de crimes dada a falta de iluminação e vedação, bem como de controlo na deposição do lixo.

Muitos separadores dos resíduos recolhem produtos fora do prazo de consumo para vender nos mercados ou noutros locais. De acordo com a Livaningo, uma organização que luta pela defesa do ambiente, esses problemas fizeram com que, num passado recente, as populações residentes no bairro B, a zona mais próxima da lixeira, depois de várias tentativas fracassadas de negociação com o Governo, solicitassem o seu apoio em busca de soluções para os problemas causados pela lixeira.

Por outro lado, a organização constatou que a lixeira recebe uma variedade de produtos, incluindo químicos que, quando são incinerados, emitem gases tóxicos prejudiciais à saúde humana.

 Autoridades municipais

Segundo o Concelho Municipal, na voz de Háfido Abacassamo, director da área de Salubridade, a queda da barreira frontal da lixeira é o resultado da pressão que o muro vinha sofrendo cujo corolário se deu há sensivelmente um mês quando uma máquina escavadora estava no terreno a fazer trabalhos de rotina. Todavia, aquele responsável garantiu tudo estar a postos para a sua reposição.

De um perímetro com cerca de 500 metros e uma altura de dois metros e meio, 20 foram abaixo e a edilidade prevê levantar 40, pois pretende, igualmente, repor todas as partes danificadas e as que estão em perigo. Quer o orçamento, quer as datas do início não foram revelados, mas a pretensão é que até finais de Agosto a infra-estrutura esteja pronta. “Neste momento já existe material.

O empreiteiro será do município”, adiantou. Apesar de se apresentar em visível estado de saturação, aliado ao facto de o muro ter sido feito para resistir a pouca pressão, a lixeira ainda pode aguentar por algum tempo. Embora sem datas, neste momento pondera-se um possível encerramento e em substituição será construído um aterro, empreendimento que acarreta avultadas somas em dinheiro, no caso concreto 10 a 40 milhões de dólares, dada a sua complexidade e outros factores ligados à quantidade de lixo que a cidade de Maputo produz diariamente.

De salientar que a urbe produz cerca de 1000 toneladas de lixo por dia, uma cifra superior à produção de todo o país. Olhando para o lado social da questão, o encerramento da lixeira irá levar à penúria cerca de 200 pessoas que sobrevivem directamente dos restos que adquirem no local.

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