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Ucranianos vão às ruas e enfrentam a polícia contra o uso do idioma russo

A polícia disparou gás lacrimogéneo e usou cassetetes para dispersar centenas de manifestantes em Kiev, esta Quarta-feira (4), depois de o Parlamento ter aprovado tornar o russo, e não o ucraniano, o principal idioma nas escolas e governos locais em algumas partes da ex-república soviética.

Os confrontos ocorreram depois de os manifestantes, liderados por parlamentares da oposição que defendem o papel do ucraniano como a língua oficial única, terem-se reunido à frente dum edifício onde o presidente Viktor Yanukovich realizaria uma entrevista colectiva.

A Câmara aprovou às pressas o projecto de lei do idioma, Terça-feira (3), minutos depois duma proposta surpresa de um deputado pró-Yanukovich, dando aos adversários pouco tempo para dar seu voto e provocando brigas no Parlamento e nas ruas.

Embora o projecto de lei precise da assinatura de Yanukovich e do presidente do Parlamento, Volodymyr Lytvyn, que ofereceu a sua renúncia, para tornar-se lei, os manifestantes tomaram as ruas e ficaram lá durante a noite para fazer pressão sobre o presidente.

A disputa animou a oposição ucraniana, enfraquecida com a prisão da sua líder, a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, em Outubro passado por acusações de abuso de poder.

Tymoshenko também enfrenta acusações paralelas de evasão fiscal num julgamento marcado para ser retomado na próxima Terça-feira, e vai tentar anular a sua convicção inicial em audiências separadas, a 12 de Julho.

A Ucrânia manteve o caso escondido enquanto co-organizou a Euro 2012 por três semanas em Junho, mas Yanukovich voltou agora a lidar com as relações turbulentas com o Ocidente e divisões políticas internas.

“Há milhões de nós e não podemos fingir que nada aconteceu”, disse Vitali Klitschko, campeão mundial peso-pesado de boxe, que fundou o seu próprio partido de oposição e participou no protesto desta Quarta-feira (4).

O próprio Klitschko teve que lavar os olhos por causa do gás lacrimogéneo e o seu braço esquerdo estava enfaixado por causa dum corte sofrido na confusão.

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