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Tumbine: Um agrupamento solidário

Tumbine: Um agrupamento solidário

Tumbine, um agrupamento de dança, é a materialização do sonho de um grupo de nativos do município de Milange, na província da Zambézia. Evolvido em causas sociais, sem distinção de raça e proveniência, a colectividade, formada por cidadãos de origem zambenziana, já prestou assistência a milhares de pessoas. Presentemente, o conjunto, composto por 30 membros, na sua maioria na terceira idade, conta com, pelo menos, 25 composições.

Inicialmente, o grupo era uma organização intitulada “Irmãos de Milange” e tinha a sua sede na vila municipal de Milange. A associação foi fundada em 1973 pelos actuais integrantes do grupo cultural Tumbine.

O sofrimento dos “Irmãos de Milange” relacionado com a falta de fundos para a alimentação, saúde e despesas para funerais foi o principal motivo que levou à mudança brusca daquela associação para um movimento cultural. Ou seja, a causa social falou mais alto na formação do agrupamento. Mas a associação não dispunha de meios para obter recursos de modo a aliviar as dificuldades por que passavam os seus membros.

O grupo de dança Tumbine surgiu em 1998, no município de Milange. Numa primeira fase, a colectividade estava ligada ao apoio financeiro nas despesas fúnebres das famílias enlutadas. Cada integrante do grupo tinha a responsabilidade de elaborar uma letra aconchegante que pudesse ser usada nos funerais.

“Nós vimos que os nossos conterrâneos passavam por necessidades para suprir as despesas fúnebres no seu dia-a-dia, e pensámos em criar um grupo cultural. Porém, na primeira fase, não dançávamos para o público, fazíamos apenas apresentações nos funerais, cantando músicas de conforto”, refere Cecília André, chefe do agrupamento.

A colectividade viu-se obrigada a interromper as suas actividades por algum tempo, quando os guias daquela colectividade mudaram de residência para a cidade de Mocuba. Naquela circunscrição geográfica, as peripécias foram de tal modo que o grupo cultural foi obrigado a esconder-se dos populares porque os líderes comunitários não permitiam que o movimento actuasse, alegando a falta de um comprovativo da sua procedência.

A paixão pela dança e o amor ao próximo prevaleciam no seio dos membros, e eles já não suportavam ficar sem desenvolver a actividade artística. Posteriormente, o grupo foi oficializado no município de Mocuba.

Naquela cidade, a agremiação não tinha espaço para ensaiar, mas a situação foi ultrapassada graças à boa vontade de um de membros que cedeu a sua residência para o efeito. “Quando chegámos a Mocuba, enfrentámos várias dificuldades. Os líderes comunitários proibiram que nos actuássemos alegando que não pertencíamos àquela região. Para fazer face ao obstáculo, nós legalizámos pela segunda vez o nosso grupo. Feito isso, entrámos em acção, prestando assistência aos nossos amigos da Zambézia e não só”, explica.

Volvido algum tempo, o grupo tornou-se popular e já era convidado para alguns funerais. Devido ao crescimento da colectividade, os integrantes viram-se obrigados a mudar de política de trabalho, mas introduziram a dança moderna.

Aquelas mudanças não alteraram o propósito de prestar assistência aos necessitados. Com a nova componente, o agrupamento passou a actuar nas casas de pasto da cidade de Mocuba. Os convites aumentavam a cada dia que passava, mas aquela colectividade nunca abandonou as apresentações em funerais.

O valor monetário proveniente das actuações era destinado a acções sociais. A cada apresentação numa casa de pasto cobrava, no mínimo, 500 meticais, ou géneros alimentícios correspondentes àquela cifra. A comida era para os membros e o dinheiro para os necessitados. Ao longo do tempo, iam surgindo dificuldades na conciliação dos afazeres pessoais com os do grupo, mas com o tempo a situação foi melhorando.

“Não abandonámos a actuação nos funerais, apenas introduzimos a componente diversão nos nossos trabalhos e prosseguimos com a nossa causa social de prestar assistência aos pobres. Não era fácil conciliar o trabalho com a dança, mas desafiámos o destino e superámos esse obstáculo”, salienta Cecília.

Envolvido na arte de cantar e dançar, o grupo de dança Tumbine conta com mais de 25 músicas, que retratam aspectos da sociedade, nomeadamente a infidelidade entre os casais, a gravidez precoce e a violência doméstica, além das canções aconchegantes que, geralmente, são usadas somente nos funerais.

“O município não apoia a cultura em Mocuba”

As estruturais municipais e administrativas da cidade de Mocuba não prestam apoio aos grupos culturais da cidade. O Tumbine não escapa da falta de ajuda por parte da edilidade, embora tenha uma abordagem diferente dos outros agrupamentos. Segundo os integrantes, o município devia, ao menos, disponibilizar um lugar para os ensaios.

Em algumas datas comemorativas e dias festivos, são convidados para apresentar coreografias relacionadas com o dia mas eles não recebem nenhuma contrapartida financeira, o que, segundo os membros do Tumbine, é uma situação desmotivadora, uma vez que o agrupamento é composto actualmente por pessoas adultas e algumas na terceira idade.

“Estamos numa cidade onde os fazedores da cultura não são valorizados. Isso não é só com o nosso grupo. Já elaborámos canções em forma de crítica aos dirigentes a pedir emprego, mesmo que seja para varrer as ruas ou então que nos dêem espaço para o cultivo, mas não temos resposta”, lamenta Cecília.

Mesmo sem o apoio da edilidade e do sector privado, o agrupamento de dança Tumbine sonha em lançar um álbum. De acordo com as projecções do conjunto, as vendas seriam úteis para a manutenção da colectividade e das suas actividades.

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