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Tribunal pede pena de morte para líder da Irmandade Muçulmana e outros 682 no Egito

Um tribunal egípcio impôs a pena de morte ao líder máximo da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, e a 682 apoiadores dele, numa decisão que deve enfurecer os activistas do grupo, alvo de intensa repressão por parte do governo instalado pelos militares.

A sentença ainda será submetida ao mufti, principal autoridade religiosa do Egito, mas a sua opinião não precisa de ser obrigatoriamente seguida. Num outro caso, o tribunal impôs em carácter definitivo a pena de morte a 37 ativistas, como parte do julgamento final a 529 simpatizantes da Irmandade sentenciados preliminarmente no mês passado.

Os demais réus deverão cumprir pena de prisão perpétua, segundo fontes judiciais. Os julgamentos colectivos no mais populoso país árabe reforçam temores de grupos de direitos humanos de que o governo pró-militar e juízes anti-islâmicos estejam a exceder em seus esforços para esmagar a dissidência.

A Irmandade diz estar comprometida com o activismo pacífico, mas alguns de seus membros temem que a repressão das forças de segurança e dos tribunais estimule alguns jovens militantes a recorrerem à violência.

“As decisões são possivelmente as maiores sentenças de morte possíveis na história recente do mundo. Embora sejam excepcionais em escala, certamente não são excepcionais em seu gênero”, disse Sarah Leah Whitson, diretora-executiva da Human Rights Watch para o Oriente Médio e Norte da África.

“Parece que essas sentenças estão direccionadas a imporem o medo e o terror nos corações daqueles que se opõem ao governo provisório”, acrescentou. Cabe recurso a todas as sentenças, e muitos dos réus estão foragidos. Assim que a decisão sobre as penas capitais foi anunciada, parentes dos réus gritaram e choraram em frente ao tribunal, na cidade de Minya (sul).

O principal alvo da indignação era o marechal Abdel Fattah al-Sisi, homem-forte do país desde o golpe que depôs o presidente islâmico Mohamed Mursi e candidato favorito à presidência nas eleições de maio. “Sisi está governando como um rei. Que Deus o puna pelo que ele fez”, gritavam algumas pessoas.

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