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Tribunal Comunitário condena mulher de 30 anos por bruxaria na Beira

O tribunal Comunitário do bairro da Munhava Central, na cidade da Beira, condenou, na passada quarta-feira (13), Anita Luís, de 30 anos de idade, acusada de matar um menor por meio de bruxaria, na Munhava Matope, ao pagamento de uma indemnização em valor ainda a ser estipulado.

Francisco Zeca Caetano, presidente do tribunal, é citado pelo jornal Diário de Moçambique, como tendo afirmado que a acusada confirmou ter “enviado os seus espíritos” para eliminação física da criança de uma família vizinha, “para se vingar do desaparecimento físico da sua filha de 15 anos”.

Anita Luís, para “enviar os maus espíritos”, conforme Francisco Caetano, alegou que a sua filha tinha sido morta pela vizinha que a acusa de feitiçaria, resultando em dois casos de bruxaria. Mas ela, inicialmente, negou que tivesse enfeitiçado a criança finada.

Caetano disse, no entanto, que parte do dinheiro que deve ser apresentado até 30 de junho, servirá para custear as despesas com um curandeiro que vai fazer a purificação da casa da família vítima de feitiçaria.

“Não estimamos o valor a ser pago por Anita Luís, porque ainda vai ser feito um levantamento dos custos para os trabalhos de purificação da família enfeitiçada, porque diz-se que a casa está ensombrada de espírito mau”, – referiu Caetano, precisando que esta foi a decisão do tribunal, numa altura em que a família ofendida reivindicava a venda da casa da acusada de feitiçaria.

O mesmo tribunal comunitário decidiu também ilibar Imaculada Luís, de 46 anos, irmã de Anita, por considerar que não participou de feitiçaria, pese embora as duas fossem apontadas como bruxas no caso e foram forçadas a se refugiar na 4ª esquadra da polícia, na Munhava, devido a ameaças de linchamento.

Entretanto, o secretário do 9º bairro, Acácio Vinte, disse que são muitos casos de feitiçarias que são julgados naquele tribunal comunitário, seguidos de disputa de terrenos e divórcios.

Referiu que os primeiros casos do género são encaminhados ao sector social para o aconselhamento. Quando se afiguram difíceis, transitam para o tribunal comunitário.

Os casos de alegado feitiço chegam a resultar em vítimas mortais, mesmo entre filhos e seus pais, sobretudo quando aqueles acusam os seus progenitores de insucessos na vida.

Trata-se de uma realidade que somente encontra uma possível explicação com recurso à metafísica, segundo o estudo sobre usos e costumes locais.

Acácio Vinte chega mesmo a dizer que há necessidade de campanha de sensibilização no sentido de as pessoas abandonarem actos de feitiçaria, de forma que as pessoas vivam em paz e harmonia nas sociedades.

Segundo o Diário de Moçambique, esta condenação tem a ver com as conclusões a que chegam os curandeiros indicados pela Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique (AMETRAMO) junto a tais tribunais, por processos de adivinhação.

O secretário da Munhava Central disse, anteriormente, que o cadáver da criança no centro deste caso chegou a ser transportado para a sede do bairro

. “A família chegou a levar o cadáver para aqui (bairro), mas, com o nosso aconselhamento, foi possível remové-lo para a morgue e a realização do funeral… Anita Luís foi apontada como a mandante de feitiçaria. Mais tarde, ela mesma confessou ter sido a pessoa que mandou os seus espíritos matarem o recém-nascido da vizinha em retaliação pela morte de uma filha sua de 15 anos” – disse Acácio Vinte.

A confissão a que se refere Vinte é arrancada pela AMETRAMO e mesmo a acusação feita segue-se a consultas a curandeiros. Estes casos não são de esfera dos tribunais comuns, mas, tal como disse o secretário do bairro, são muitos, complexos e são responsáveis por alguma violência entre pais e filhos, avós e netos, entre outros parentes.

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