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Três novas industrias de descaroçamento de algodão

Pelo menos três novas indústrias de descaroçamento de algodão vão surgir, em breve, nas províncias moçambicanas de Sofala e Manica, no centro, e Inhambane, no sul.

Trata-se de investimentos que se enquadram no contexto da estratégia governamental para o sector têxtil, actualmente em processo de revitalização.

“No âmbito da estratégia para o sector têxtil, temos no terreno, na área do descaroçamento, novos investimentos na Beira, na província de Sofala, em Guru, província de Manica, e em Inhambane, onde vão surgir novas indústrias”, disse, recentemente, a jornalistas, em Maputo, o director nacional da Indústria, Sidónio dos Santos.

Contudo, aquele responsável não revelou o valor dos investimentos, mas reconheceu que Moçambique tem ainda “uma lacuna, que é a fiação e tecelagem. Este é o grande desafio, porque nós entendemos que é preciso agregar valor, pois, se exportar hoje uma tonelada de algodão fibra e uma tonelada de fio sai mais em conta a exportação do fio”.

“Exportar fibra rende seis ou sete vezes mais porque agrega-se valor ao produto, sendo por isso que, neste momento, este é o nosso desafio”, realçou o director nacional da Indústria, esclarecendo que a estratégia para o sector têxtil, para além de revitalizar a indústria, prioriza também toda a cadeia de valor, que contempla os sectores agrícola, descaroçamento de algodão, fiação, tecelagem e vestuário.

A ideia é conseguir-se uma integração vertical dos sectores de algodão, têxtil e confecções, tendo como pilares o aumento da produção algodoeira, melhoria do ambiente de negócios e mercado e fornecimento de energia eléctrica para atrair investidores.

A atribuição de algumas isenções fiscais faz parte das medidas inseridas nos esforços para revitalizar o sector têxtil nacional, que foi um dos mais dinâmicos da economia moçambicana no passado, contribuindo fortemente para as exportações e empregando milhares de trabalhadores.

De referir que até princípios da década de 80, o sector têxtil moçambicano desempenhava um papel social muito forte, devido à sua contribuição em termos de criação de postos de trabalho, já que empregava mão-de-obra intensiva, encontrandose, actualmente, muitas das fábricas têxteis paralisadas.

Pretende-se que a estratégia para a revitalização do sector têxtil possibilite a geração de cerca de 100 mil postos de trabalho até 2012, um melhor aproveitamento da fibra de algodão e o estabelecimento de uma indústria especializada, a recuperação do parque industrial existente, entre outros objectivos.

Entretanto, dados do Instituto do Algodão de Moçambique indicam que a situação actual das fábricas de descaroçamento de algodão, no país, se caracteriza por quatro unidades velhas destruídas, cinco velhas avariadas, quatro velhas operacionais, 12 funcionais reabilitadas e duas novas.

Um significativo investimento tem sido feito, nos últimos tempos, no domínio do descaroçamento do algodão, para responder aos esforços no campo produtivo, que se traduzem no aumento dos níveis de produção que atingem uma média de 90 mil toneladas por campanha, apesar da queda de preços no mercado internacional.

Com efeito, cerca de seis milhões de dólares norte-americanos foram já investidos na instalação de uma fábrica com capacidade de processar cerca de 80 mil toneladas de algodão caroço por ano, em Gaza, sul de Moçambique.

Em Mossurize, na província central de Maputo, também estão a ser investidos seis milhões de dólares norte-americanos na construção de uma fábrica de descaroçamento de algodão.

A unidade fabril pertence à empresa Olam Moçambique, que possui três concessões algodoeiras no centro e norte de Moçambique e presta assistência a pelo menos 35 mil produtores do sector familiar.

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