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ESTADO DA NAÇÃO REAL: Transportes

ESTADO DA NAÇÃO REAL: Transportes

O ministro dos Transportes merece, de todo em todo, a mais elevada admiração pelo seu excelente desempenho. Não é fácil um indivíduo brilhante, inteligente, de uma cultura invejável, competente e eficiente, passar para incompetente e vulgar em tão pouco tempo. Depois do sonho das bicicletas para Maputo e do barquinho de passageiros da Matola, dava para dizer que Zucula soube enquadrar-se numa perspectiva de asneiras nacionais e de demagogia. E por aí ficamos vendo o Ministério dos Transportes sem nenhuma utilidade para o país, numa clara situação em que o titular da pasta se tornou um carapau fora da água.

Em meados de 2012, trabalhadores da extinta empresa dos Transportes Públicos de Maputo (TPM) colocaram o ministério liderado por Zucula entre a espada e a parede. Estava em causa a possibilidade de ocorrência de uma greve porque ninguém respeitava os “acordos de aumento salarial de 17,5 porcento”. A greve não teve lugar, mas a gestão de Zucula ficou manchada.

Antes, porém, o bom ministro tinha dito que o problema dos transportes estava com os dias contados. Tal aconteceria devido à importação de um lote de autocarros Tata, adquiridos na Índia.

Ainda que tenha reconhecido que a vinda dos novos autocarros não iria resolver definitivamente o problema, porque um dos maiores obstáculos se prendia com o congestionamento do tráfego nas saídas da cidade de Maputo, sobretudo nas horas de ponta, Zucula esqueceu-se de informar aos moçambicanos que os lucros de tal aquisição beneficiariam uma empresa detida pelo seu superior hierárquico.

Um acto que, no país, é permito por lei, mas que roça a um abuso do poder que deve ser repudiado por qualquer cidadão sensato.

Assim sendo, a melhor solução passa necessariamente pela melhoria da actual rede de estradas. “Temos que ser muito criativos de forma a encontrarmos uma forma de minimizarmos o problema”, disse Zucula, que aventa a possibilidade da introdução, temporária, de algumas inovações em termos de tráfego rodoviário, sobretudo nas horas de ponta.

Estas medidas visam fundamentalmente descongestionar o tráfego e conferir fluidez na movimentação de viaturas nas principais artérias da cidade do Maputo. Actualmente, segundo Zucula, um autocarro chega a levar cerca de uma a duas horas para percorrer uma distância que, em condições normais, iria cobrir em apenas 20 minutos. Uma das consequências da lentidão do tráfego é o longo de tempo de espera a que os passageiros estão sujeitos nas paragens dos autocarros.

Por isso, disse Zucula, “estamos a pensar em tomar algumas medidas, utilizando a Polícia de Trânsito para, eventualmente, definirmos algumas linhas específicas para os passageiros que viajam nos transportes públicos.

Também poderemos redefinir o sentido de algumas estradas durante as horas de ponta e dizermos, por exemplo, que a avenida 24 de Julho das 06.00 até as 08.00 horas da manhã o tráfego circula apenas num sentido e a Avenida Eduardo Mondlane no sentido inverso. Creio que com essa medida poderíamos descongestionar o tráfego em mais de 50 porcento”.

Tudo isso saiu da boca do ministro e hoje o país tem menos transporte e mais congestionamento.

A voz do povo

“Como país ainda temos muito que fazer. Eu não entendo nada sobre os critérios que os políticos usam para avaliar se o país está “Bom” ou “Mau” mas, se for por aquilo que vejo, acho que ainda estamos muito longe. Começando pelos próprios políticos que parecem subir ao poder para enriquecer, esquecendo-se completamente do povo, daqueles que os elegeram. Por exemplo, eu acho injusto que as pessoas continuem a ser transportadas, em plena capital do país, como se de bois se tratasse, para, meia volta, os dirigentes que gingam com sirenes dentro de Mercedes dizerem que o país está num bom caminho. Para ser sincero, como país nós regredimos.

“Muitos vão dizer que o Estado da Nação é BOM, outros, muitos, vão concordar com os que assim o dizem. Agora eu pergunto: será que devemos considerar BOM um estado onde muitos (distraídos) andam pendurados em carroçaria de camioneta para chegar ao seu local de trabalho, enquanto outros poucos usam, para passear, carros caríssimos, pagos por aquele que anda na carroçaria de uma camioneta?”, António Vasconcelos

“O Estado da Nação é Bom, conseguimos comprar um Mercedes Benz blindado S500 de 500 mil dólares para a presidente da AR, o OE para 2013 sofreu um agravamento e, o mais importante, enfiámos uma ROLHA no “S” do Povão! Tenho dito”, Júlio Nhancume

“Alguém dirá que o Estado da Nação é bom, consegui sair às 5h e só cheguei por volta das 8h30 e ainda tive uma falta por atraso…É o meu país, o que fazer?” António Matola

“Melhorou muito: antes eu ficava na terminal uma hora à espera do chapa ou autocarro, agora permaneço três horas e meia”, Duarte Neto

“Nos últimos dois meses o sistema de transporte registou alguma melhoria, embora haja ainda alguns indivíduos que resistem à mudança. Refiro-me aos próprios operadores dos semicolectivos que continuam a cometer indisciplina encurtando, por vezes, as rotas e ainda alguns agentes da polícia camarária que, no lugar de fazerem cumprir as rotas, fazem cobranças ilícitas aos transportadores. Verifiquei isso por duas vezes na paragem do Museu onde no segundo dia um agente da polícia municipal levara porrada da população”, Euclides Cumbe

“Estado do transporte é péssimo… 1. As vias de acesso foram engolidas pelos buracos. 2. Antes de as tarifas do chapa aumentarem, as pessoas eram transportadas em condições desumanas. Agora, com o aumento do preço do chapa piorou ainda mais. As condições pioraram. Agora as pessoas parecem animais. Onde é que isto vai parar?”, Angelii Ivenilayne Gonçavinha

“A situação dos transportes e vias de acesso vai de mal a pior, agora já não se sabe se são buracos na estrada ou estrada em buracos. Os transportes também não oferecem condições. Leva-se 3 horas na paragem e nem os transportes públicos fazem-se presentes, pois estes encontram-se estacionados em algum terminal alegando que não há passageiros” Vanya Filipe

“No meu bairro não há vias de acesso porque o Nhancale nada faz, Sandra Bila

“A situação é crítica, há poucos transportes e os poucos existentes encurtam muito as rotas. Na minha opinião, deveria haver mais fiscalização ou implementação dos TPN”, Timóteo José Paulino Muatica.

“Acho melhor não falar, podes confirmar pessoalmente, vivo na zona do Costa do Sol”, Luís Panguene

“Na minha cidade, Matola, bairro de Khongolote, o sistema de transporte está um caos, um insulto ao povo trabalhador e sofredor, humilhado e transportado em chapas de crimes ambulantes (caixas abertas), como animais. É vergonhoso e deprimente em pleno século XXI”, Reginaldo Mangue…

“Sou transportada em condições desumanas, banco de 4 entram 7 pessoas, abrem o vidro da janela para sentar alguém com o rabo na janela, as pernas dentro a pisar com sapatos sujos em alguém, a cabeça fora, assim chego ao meu destino toda suja, por vezes até machucada, para não dizer as bagagens de peixe, sacos a cheirarem mal dentro do carro, para além das bagagens em cima do carro que não são poucas, o motorista à frente acompanhado de mais de 2 pessoas, até criança na frente, por vezes a fumar. Passamos por polícias de trânsito, PRM, Alfândegas…só pedem documentação do carro, não olham para o estado das pessoas, nem condições e põem-se a rir com os motoristas. Estado da Nação está péssimo!”, Luluck Oliveira

“No meu bairro, a nível de transportes, há uma boa organização. Somos transportados minimamente em boas condições tendo em conta as do resto do país. O problema que enfrentamos é da estrada porque quando chove fica cheia de água, o que condiciona a circulação dos transportadores e, consequentemente, há falta de transporte. Agradecia que fosse reparado este problema. Grande Maputo”, Lucílio Américo

“Vou falar do Moçambique em geral: se é que nós somos bois os transportes estão bem. Mas se continuamos seres humanos os transportes não estão bem em todo o país”, Silva Sisal

“Sou residente do bairro N’kobe. E acho que nem preciso de dizer qual é o estado do mesmo porque acredito que muito de vós conhecem este bairro através dos canais televisivos que incansavelmente reportam o nosso sofrimento no que diz respeito ao troço que inicia no quilómetro 15 até ao mesmo. Estrada péssima, uma guerra de ligações de transporte uma vez que os vulgo Fematro (salvação do povo) há muito que não circulavam nesta estrada. O problema de os centros de saúde, bancos, atm´s estarem distantes deste bairro agasta a população residente.”, Guibandgo Rich

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