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ESTADO DA NAÇÃO REAL: Democracia

O exercício democrático, em 2012, ficou marcado por alguns episódios vergonhosos para a nossa jovem história. Ainda que a versão dos factos que nos chegaram possam carecer de veracidade absoluta, já lhes basta não ser mentira para ficarmos realmente assustados. Quando um comandante de uma polícia municipal ordena a destruição de estandartes de um partido político içados em locais públicos de uma cidade, levantam-se duas questões: a legalidade do acto e o mérito do mesmo.

Relativamente à legalidade, somos em crer que não assiste ao comandante, salvo se a este termo tiver de atribuir um conteúdo de trajes que ele próprio veste em serviço, isto é, se partirmos do princípio ridículo de que um polícia camarário, apenas por sê-lo, tem cobertura legal para todas as asneiras que comete. A farda legaliza os actos de quem a enverga.

Isso porque, de acordo com a lei a que todos temos tido acesso, não é proibido hastear bandeiras partidárias nas nossas cidades. A admitirmos que exista tal proibição, não cremos que ela preconize a a sua incineração.

Para isso, as bandeiras tinham de constituir um perigo tal à sociedade, que a sua própria existência seria uma ameaça suficientemente forte para se exigir a imediata destruição, sempre que fossem postas em circulação ou fabricadas com esse intuito. Tínhamos de passar primeiro por uma proibição de fabricar as próprias bandeiras ou exigir que os partidos não as tivessem.

Afonso Dlhakama está em Gorongosa, confinado, entrincheirado ou escondido é o que se não sabe. No mínimo, que é quanto se vê claramente, o pai da democracia entrou num novo esquema de chantagem. E, neste capítulo, o líder da Renamo tem sido um especialista de marca. Em nome de uma estratégia de que já ninguém se lembra, decidiu, certa vez, fixar residência em Sofala.

Mais tarde, por motivos que só se podem aferir por autópsia, passou para Nampula, de onde dirigiu o partido nos últimos anos. Agora, em nome de algo que parece não ter sido feito a seu gosto há vinte anos, passou para Gorongosa, onde espera encontrar-se com o, ou um, interlocutor para a paz em Moçambique. Vezes sem conta, ameaçou paralisar o país e, outras tantas, prometeu manifestações pacíficas à escala nacional.

Em qualquer das situações, deixou o país em estado de alerta, plantou medo suficiente e insegurança capazes de instabilizar mais do que a triste realidade de uma guerra. Quando os ventos amainam, fica sempre a sensação de um alívio temporário, porque se não sabe qual vai ser o próximo passo de Dlhakama.

O terceiro acto que marcou negativamente o país foi a detenção dos membros do MDM por ilícitos eleitorais nas eleições intercalares de Inhambane. Um acto que foi interpretado, pela sociedade civil, como uma tentativa de fragilizar o partido de Daviz Simango.

Por outro lado, o ano ficou marcado pelos congressos da Frelimo e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM). Porém, o mais marcante, diga-se, foi o primeiro do MDM que reforçou, na opinião pública, a imagem de um partido que se apresenta, cada vez mais, como uma alternativa ao poder da Frelimo. Democracia

A voz do povo

“Nos últimos meses tem havido um problema entre a Renamo e o Governo moçambicano que carece de diálogo entre as partes, a fim de se encontrar pontos comuns que contribuam para que o país caminhe em paz. É que nós podemos menosprezar a situação, mas o problema é que nós não sabemos o que é que os homens da Renamo estão a maquinar. Isso pode perigar a paz que nós conquistámos duramente” Hermínio José.

“Este foi na generalidade um ano negativo. Houve muitas doenças, muitos acidentes que dizimaram vidas. A criminalidade manteve-se e o salário continua abaixo das nossas expectativas sobretudo para nós, guardas-nocturnos, que ficamos à margem do salário mínimo definido pelo Governo. Tive o privilégio de viver o período pós-independência do país e, apesar do que se dizia, que o Presidente Samora Machel era um homem mau, noto que hoje vivemos o pior momento da nossa história. É triste ver neste país uns a enriquecerem exponencialmente à custa dos outros.” Miguel Horácio, guarda-nocturno

“Para mim, o Estado da Nação é bom. Tenho a citar o facto de a ajuda externa ao orçamento do Estado ter decrescido para 36%, ao invés dos anteriores 64%, o que demonstra que há a construção de uma independência económica a médio prazo. Aliás, isto permite-nos outrossim, escolher acções que são prioritárias para o nosso desenvolvimento, avessas a uma espécie de ajuda financeira com ‘anexo’. Por outro lado, só tenho a lamentar a proliferação de segmentos da sociedade descontentes, que constituem uma nódoa para a boa governação que a cada dia, pedra sobre pedra, constrói afincadamente o país”, Américo Matavele, funcionário público.

“O Estado da Nação não é bom. Nem podemos buscar argumentos para provar o contrário. Como alguém ligado à área económica, lamento bastante o facto de os governantes deste país andarem nas televisões a anunciar que a economia está a crescer. Está a crescer? Sim, as contas bancárias pertencentes ao Estado estão a aumentar e sobremaneira graças aos megaprojectos e alguns negócios do Estado, mas, e depois? Será que com esta economia em crescimento compramos carteiras? Conseguimos vencer a crise dos transportes? Houve pouca venda de terrenos no município da Matola? É praticamente impossível dizer que o país está a crescer, só quem está por cima pode sentir isso”, Antonieta Antunes, funcionária bancária

“Será BOM uma nação onde os governantes, numa atitude de desprezo, simplesmente ignoram aos que lá os colocaram, uma nação onde a distância entre o rico e o pobre é grande, uma nação em que distritos registam bolsas de fome por falta de estratégias para suprir estas situações, uma nação onde a agricultura definida como base para a erradicação da pobreza absoluta recebe pouco dinheiro do OGE, e o pouco que recebe é usado para gerar riqueza absoluta para uns (gastando o pouco dinheiro em ajudas de custos, carros de luxo, salários astronómicos)? ”, Anónimo

“Politicamente falando, dirão que está bom ou rumando para a prosperidade, pois é nesse estado que eles vivem, de muito luxo e ostentação. Agora, a Nação onde vivem os moçambicanos como eu, ou seja, a maioria dos viventes desta pérola de bijutaria, é péssimo, o Estado da Nação é mau, com paz negativa (desigualdades, inclusão, participação, igualdades, liberdades). Délio Zandamela.

“Nem Estado da Nação existe, apenas Estado da família de G… Daí que o custo de vida aumenta e beneficia apenas a sua família e o povo que se irrite. O povo não é culpado, tudo faz para ver as suas vidas melhoradas mas quanto mais tentam apenas mais beneficiam alguém ou alguns/minoria. Onde vamos com isso? Nós já sabemos o que se vai falar, o habitual, que o “país está a crescer graças ao povo”, mas na verdade são pessoas/elites/ governantes, os que estão no topo que estão a crescer/desenvolver saqueando os bens públicos e individuais”, Bom Coração

“O Estado da Nação é bom!” “Mesma música, mesmo disco arranhado. Sr. Presidente, a que estado se refere? Se for da Nação que o Sr. e os seus criaram tudo bem! Mas esta que luta para comer, dormir, apanhar um chapa, escola, saúde e quanto mais luta mais é recuada, está mal e o Sr. sabe. É melhor manter- -se na sua cama e sonhar com as suas biliocontas”, Benvindo Naymunda “O país não está mal… Mas devia estar melhor… É imperioso que os nossos dirigentes parem de ver o país como se fosse o próprio umbigo deles…”, Mahumana

“O ‘Estado da Nação’ continua caótico, com o galopante aumento do custo de vida, prova disso são as sucessivas greves em diversos sectores laborais reivindicando melhores salários, que sejam adequados ao nível de vida actual”, Adelson Rafael

“O estado das liberdades está limitado: o moçambicano é livre de pensar que é livre, mas não é livre de ser livre, exercer e exigir os seus direitos! Liberdade de expressão sim, mas depois de censuras e pressões partidárias. Na minha visão, não é permitido que os moçambicanos não filiados às redes partidárias tenham acesso à Educação que lhes permita questionar o que há de errado e elogiar o que há de bom! Embebedam-lhes com tentação, el salvador e demais bebidas de baixo custo para que se anestesiem dos reais problemas sociais”, Lu

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