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Tráfego na EN1: desconhecimento da faixa condicionada causa de atropelamentos

O condicionamento da circulação de veículos na Avenida de Moçambique (EN1), no período das 6:00 às 08 horas, a partir do bairro George Dimitrov (Benfica) até Inhagoia, devido ao congestionamento que diariamente se regista na via, iniciou, há poucos dias, com sucesso. As três faixas de rodagem, no sentido Norte/Sul, só servem para escoar o trânsito em direcção ao centro da capital moçambicana. Todavia, a sinalização nos bairros intermediários é ineficaz, o que faz com que haja atropelamentos.

Por um lado, poucos peões sabem que na Avenida de Moçambique, no período das 6:00 às 08 horas, as viaturas circulam unicamente em três faixas de rodagem e não em duas conforme acontecia outrora. Por isso, essas pessoas, incautas, atravessam sem prestar atenção aos carros que vêm em direcção à cidade.

Por outro, os automobilistas, como sempre, não respeitam os transeuntes e, para além de conduzirem a uma velocidade excessiva, fazem ultrapassagens irregulares, principalmente os operadores de transporte público de passageiros, vulgo “chapa 100”. Estes problemas acontecem, em parte, porque não houve divulgação da entrada em vigor da nova modalidade de escoamento de veículos, nem sensibilização dos utentes do troço em alusão.

Como resultado dessa situação, na manhã do dia 29 de Maio, por volta das 07 horas e 15 minutos, uma senhora, com um bebé no colo, foi atropelada na paragem da “carcaça” por ter travessado a estrada sem se precaver dos carros que vinham do seu lado direito, no trajecto Oeste/Este. A vítima, que não estava informada sobre a nova realidade de condução na EN1 nas primeiras horas, entre George Dimitrov (Benfica) e Inhagoia, prestou atenção somente às viaturas que vinham no sentido Sul/Norte.

O @Verdade esteve no local para se inteirar das circunstâncias em que o sinistro se deu. Segundo os nossos entrevistados, o sistema de sinalização do trânsito através de cones, na terceira faixa de rodagem, “não oferece segurança aos cidadãos porque ninguém foi informado sobre o que está a acontecer para que pudesse estar precavido”.

Júlio Carlos, residente no bairro do Bagamoyo, é comerciante nas proximidades do local onde a senhora cujo nome não apurámos foi atropelada. Disse à nossa Reportagem que “a vítima ao atravessar as duas faixas de rodagem habituais, indo do lado Oeste para o pôr-do-sol, olhou para a sua direita, parou no passeio central da via, controlou apenas os veículos que vinham à sua esquerda, mas quando tentava entrar na faixa recém-criada foi colhida de surpresa por um carro que seguia em direcção Benfica/Baixa. Depois do incidente, a automobilista estacionou o seu carro e prestou socorro, uma vez que a Polícia de Trânsito ainda não estava no local”.

Desde a altura em que o novo sistema de escoamento de viaturas na Avenida de Moçambique entrou em vigor, houve registo de pelo menos cinco acidentes rodoviários envolvendo peões e em situações em que a Polícia não estava no local para intervir, de acordo com os nossos entrevistados.

João Mipato vive no bairro 25 de Junho, um bairro atravessado pela EN1. Considera que o município de Maputo ignorou a segurança dos peões por não ter informado com antecedência que os carros passariam a circular em três faixas.

“Na semana passada, numa manhã, pensei que o uso da terceira faixa fosse uma transgressão do Código da Estrada porque temos muitos condutores indisciplinados. Procurei ter esclarecimento de um colega que ia ao serviço comigo mas ele também não sabia de nada, mas mais tarde li num jornal que das 6:00 às 08 horas os automobilistas passariam a conduzir nas actuais condições que temos visto”.

“Os perigos dessa nova medida são notórios e o agravante é que nos cruzamentos, tais como 25 de Junho, OpWay (vulgo paragem da ópica) e Bagamoyo, nem sempre existem agentes da Lei e Ordem por perto, e em número suficiente, para acompanhar os problemas que têm ocorrido neste troço. E nesta zona da “carcaça” tem havido muitos sinistros rodoviários e acredito que vão crescer devido a essa nova forma de condução”, disse Mipato.

Num outro desenvolvimento, o nosso entrevistado perguntou: “Será que as pessoas que tomam as decisões sobre o trânsito rodoviário pensam na segurança dos peões ou somente se preocupam com aqueles indivíduos que andam de carro? Eu não tive nenhuma comunicação sobre o uso de três faixas de rodagem na EN1, o que, nalgumas vezes, confunde os munícipes quando atravessam de um lado para o outro”.

Enquanto isso, alguns automobilistas interpelados pela nossa Reportagem afirmaram que um dos erros da edilidade e do Governo quando tomam medidas que afectam o povo é a ausência de informação sobre o que se pretende que seja de domínio público.

Em relação às vítimas de atropelamento na Avenida de Moçambique, os nossos interlocutores declararam que a situação foi causada pelo desconhecimento de que nas manhãs os carros circulam em três partes da mesma estrada de Benfica para o centro da cidade de Maputo e a sinalização é deficitária.

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