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Trabalhadores da OMEGA acorrentam portões da Direcção Provincial de Trabalho

14 de Fevereiro de 2011. Manhã de segunda-feira, com um pouco de chuva em Quelimane. Quase 6 horas, mais de cinquenta funcionários da empresa de segurança privada ÓMEGA, decidem marchar até a direcção provincial de Trabalho.

O objectivo era único, reivindicar o não pagamento de cerca de 20 meses de salários em atraso. Nas mãos, os grevistas empunham correntes, cadeados e outros instrumentos que lhes permitissem encerrar as portas daquela direcção.

Dito e feito, sabendo que a instituição abre as portas as 7horas, os trabalhadores da ÓMEGA, lá chegaram e acorrentaram as portas da direcção provincial de Trabalho, impedindo a entrada de qualquer um que seja.

O movimento foi ficando estranho e o número de funcionários que queriam entrar para mais uma jornada de trabalho ia aumentando. Mas não tinha acesso ao interior do edifício.

Como solução, foi chamada a Força de Intervenção Rápida, a temida FIR, que logo se fez ao local em duas viaturas e pronta para agir. Os grevistas mantinham as suas exigências.

Queriam explicações junto da direcção de Trabalho sobre o seu assunto que vem se arrastando desde 2005. Este assunto já é do conhecimento do presidente da República, Armando Guebuza. E não só, na província, não é novidade falar do caso ÓMEGA.

Os trabalhadores da ÓMEGA vivem à Deus dará. São mais de duzentos e cinquenta trabalhadores espalhados um pouco pela província toda. Os mesmos não poupam esforços em procurar soluções sobre o seu problema.

O patronato anda fugitivo algures na capital do país. “Estamos cansados e queremos nosso dinheiro”-ouviam-se vozes de trabalhadores e alguns deles sem força para gritar, mas mesmo assim, faziam eco com os outros.

Coisas de pena, quando pessoas com muitos dependentes, ficam meses e meses sem salários, depois de tantas noites sem dormir, sem comer, enfim.

FIR bate e encarcera manifestantes

A Força de Intervenção Rápida, a temida FIR, chegou ao local, mediante a solicitação do director provincial do Trabalho, que se sentia já em situação de amargura.

Chegada ao local, houve alguns momentos de negociação, algo que não pegou no seio dos grevistas. Logo de seguida, ouviram-se tiros e os chambocos saíram das cinturas e começaram a funcionar.

As imagens que temos mostram o momento do posicionamento da FIR. Gente assistia e comentava de todas as formas, mas não poderia intervir nem sequer para impedir que a FIR batesse. Duas pessoas tidas como cabecilhas, foram detidas pela polícia.

Aliás, o nosso jornal viu os dois detidos na 1ª Esquadra da PRM na Zambézia. Sindicato diz estar cansado Virgílio Sintela, representante do sindicato na ÓMEGA, diz que a decisão de irem até a D.P.Trabalho visa pressionar esta direcção, visto que a mesma é acusada de ser a negociadora do caso.

Entretanto

O director provincial de Trabalho na Zambézia, diz que o processo sobre o caso ÓMEGA, de facto se arrasta há bastante tempo. Julião Sigauque, disse a imprensa que neste momento, a polícia está a procura do proprietário da empresa que se presume que se encontra num lugar incerto.

Guebuza, Luísa Diogo, Mandra, Muária e companhia sabem

Os trabalhadores OMEGA dizem que o assunto não é novo. O próprio presidente da República, Armando Guebuza, sabe do assunto, porque aquando da sua estadia na Zambézia, os trabalhadores da empresa apresentaram este caso.

E não só, mesmo quando a Luísa Diogo era Primeira ministra, na altura que fazia campanha eleitoral, foi informada, mas nada foi feito.

Os restantes membros do governo deste país, tais como o próprio viceministro do Interior, José Mandra, foi informado. Os governadores Carvalho Muária e Francisco Itai Meque, não tem dúvidas sobre o assunto, mas também continuam sem darem soluções.

Neste momento, a situação é tida como calma, porque depois da acção da FIR, tudo voltou a normalidade, mas os funcionários da ÓMEGA continuam com fome e sem saberem até quando terão os seus ordenados mensais que vem se arrastando já há 20 meses.

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