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Terá, finalmente, soado a hora do resgate da qualidade do ensino no País?

Recordo-me de um velho ditado que apregoa que “mais vale tarde do que nunca”. Por isso não fiquei embascado pelo facto do pelouro da Educação e Cultura ter despertado, finalmente, da escatológica situação em que o sistema nacional de ensino e aprendizagem descambou nos últimos anos, arrogantemente insensíveis às criticas acérrimas que se erguiam implacáveis.

O indício desse propósito de resgatar a educação dos constrangedores abismos em que se encontra atolado foi manifestado pela realização do Seminário Nacional sobre Leitura e Escrita , na passada semana, na capital do país. Subordinado ao sugestivo mote “Saber Ler Para Aprender Mais.” No prólogo do evento, o ministro da Educação e Cultura, Aires Aly, vincou a importância da inversão premente do estágio causticante (com laivos de arrogante perversidade, convenhamos) em que, nestes últimos anos, degenerou a qualidade do ensino e aprendizagem, a despeito de repetidos regateios da sociedade.

Para a consecução do referido desiderato, o encontro escalpelizou as “ervas daninhas” que fragilizam o processo e debruçou-se numa exaustiva busca de estratégias conducentes à sua consequente e imediata erradicação. Além de congregar delegações de todas as províncias do país, o evento contou com a presença de personalidades nacionais e estrangeiros provenientes do Brasil, África do Sul, Namibia e Quénia, que contribuiram com preciosas achegas para a almejada remoção do cúmulo de constrangimentos que precipitaram o nível do ensino para o actual abismo.

A deficiente capacidade dos docentes formados no sistema de 10ª. classe mais um e 12ª. classe mais um, a prevalência dos apelidados professores “turbos”, a supelotação das turmas, as passagens automáticas no ensino primário do 1º. grau, foram indiciados como os principais factores que emperram o processo do ensino-aprendizagem. E que, reflexamente, provocam profundos estigmas nos graduados do decimo segundo ano e, até mesmo, das nossas universidades. E, em consequência, esbarram com enormes dificuldades para ingressarem no mercado do trabalho.

Terão, finalmente, despertado as consciências que se haviam aferrado renitentemente à programas incumbados em optimizações estatísticas em detrimento da realidade? São, obviamente, indizíveis as expectativas pela consumacao das determinações emanadas, para o efeito, do recente Seminario Nacional sobre Leitura e Escrita. Aguardemos, pois então, que a ansiada inversão se processe e sem delongas, identificadas (aliás, confirmadas) que estão os perniciosos óbices.

Aproveito o ensejo para me declarar subscritor incondicional do alerta emitido, na pretérita sermana, por Castigo Langa, um dos protagonistas da famosa Geração de 8 de Março e antigo ministro dos Recursos Minerais e Energia, de que a acumulação de diplomas jamais deverá sobrepor-se ao domínio do conhecimento real.

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