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Tarifas de electricidade não compensam investimentos

As tarifas aplicadas pelo consumo de energia em Moçambique não reflectem os custos reais de investimentos na electrificação do país. Esta informação foi avançada hoje, em Maputo, pelo Ministro da Energia, Salvador Namburete, no decurso do Seminário de Peritos sobre a Iniciativa de Electrificação em África.

De acordo com Namburete, as operações de electrificação em curso nas zonas Centro e Norte de Moçambique não são comercialmente lucrativas, porque as pessoas não pagam o preço equivalente ao consumo real deste recurso. “Estamos a intensificar a electrificação nas zonas Centro e Norte de Moçambique, mas as operações não são comercialmente viáveis e rentáveis ou lucrativas. Se a Electricidade de Moçambique (EDM) fosse uma empresa privada, de certo, já teria abandonado essas zonas” revelou a fonte.

Namburete explicou que “porque a EDM é uma empresa do Estado, e para garantir a electrificação do país, vai buscar rendimentos nas zonas lucrativas como a região Sul e em grandes consumidores comerciais e industriais de energia e usa esses recursos para financiar a electrificação das zonas menos rentáveis”. O Ministro referiu que “se fossemos pelo critério de cobertura de custos de electrificação, a energia nas zonas Centro e Norte do país seria disponibilizado a um preço muito elevado”.

Para Salvador Namburete, que actualmente exerce o cargo de Presidente do Fórum dos Ministros de Energia da África (FEMA), a disparidade entre os custos de electrificação e as tarifas dos consumos é uma realidade de todos os países africanos. “De uma maneira geral, em África os custos de electrificação não são cobertos pelas tarifas que os consumidores de energia pagam”, explicou o titular da pasta de Energia.

Namburete defendeu que apesar destes problemas, a electrificação deve continuar a ocorrer para garantir o desenvolvimento de Moçambique, em particular, e dos países africanos, no geral. Mais adiante, Namburete explicou que “a electrificação Moçambique segue a África do Sul, Zâmbia e Zimbabwe que conseguiram duplicar a electrificação” referiu o Ministro moçambicano da Energia, Salvador Namburete.

Ele falava, em Maputo, no seminário sobre a iniciativa de electrificação em África que iniciou ainda hoje e com o seu termino previsto para a próxima Sexta-feira. Contudo, segundo Namburete, a percentagem de 14 por cento alcançado por Moçambique ainda não e satisfatória, uma vez que a pretensão é aproximar a cobertura a 100 por cento. África é um continente com elevado potencial de recursos energéticos, mas que continua a registar baixos índices de acesso aos serviços de fornecimento de energia eléctrica, perpetuando a dependência da população em relação à biomassa ou seja uso do carvão e lenha.

Tendo em conta esta realidade, aquando da criação do Fórum dos Ministros da Energia de África (FEMA), em 2005, estabeleceu-se que todos os países africanos deviam duplicar o consumo da energia eléctrica, aumentando o uso deste recurso para o sector produtivo, para o uso doméstico nas zonas rurais e para a electrificação de escolas e centros de saúde. “Estas metas foram estabelecidas com o pressuposto de que a energia eléctrica é o motor do desenvolvimento e factor crucial para o alcance dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio” sublinhou o Ministro.

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