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Sudão prende jornalistas por não cobrirem discurso presidencial

O Sudão do Sul prendeu dois jornalistas de divulgação estatal por não garantirem a cobertura de um importante discurso do presidente do país, Salva Kiir, informou um funcionário do governo neste domingo, provocando protestos de um observatório internacional da imprensa.

Jornalistas frequentemente queixam-se de perseguição pelo serviço de segurança da república africana que se separou do Sudão em 2011. Naquele ano, autoridades de Juba fecharam um jornal após o mesmo criticar Kiir por permitir que a sua filha se casasse com um estrangeiro.

O governo do Estado sul-sudanês de Western Bahr el Ghazal afirmou que deteve dois altos funcionários da emissora por “questões administrativas” após a estação deixar de cobrir a visita de Kiir à cidade de Wau, no mês passado.

“Eles foram presos simplesmente pois quando o presidente chegou aqui em Wau em 22 de dezembro de 2012, ele fez um discurso muito, muito importante”, disse Derrick Alfred Uya, Ministro das Informações Estatais, à Reuters.

O Comité de Proteção aos Jornalistas, um observatório de imprensa baseado em Nova York, afirmou que os detidos são Louis Pasquale, diretor-geral da emissora estatal de Western Bahr el Ghazal, e Khamis Ashab, diretor da televisão estatal.

Segundo o Comité, os dois provavelmente foram detidos como parte de uma campanha para impedir que a mídia investigue recentes tumultos em Wau. Soldados mataram a tiros 10 pessoas que protestavam contra a transferência de um conselho local no mês passado, desencadeando mais violência na cidade localizada próxima à fronteira com o Sudão.

“Nós pedimos que as autoridades libertem Louis Pasquale e Ashab Khamis imediatamente, e que permitam que os jornalistas cubram os eventos estatais sem terem que enfrentar intimidações ou prisão” disse Tom Rhodes, consultor da CPJ East Africa, num comunicado.

O Sudão do Sul é um país sem lei de imprensa, o que torna difícil para os jornalistas obterem informações, uma vez que o governo e os serviços de segurança são predominantemente compostos por ex-guerrilheiros acostumados à impunidade, um legado de décadas de guerra civil com o Sudão. No mês passado, atiradores desconhecidos mataram a tiros o proeminente blogueiro e crítico do governo, Diing Chan Awuol, em sua casa.

A organização sediada na França, Repórteres Sem Fronteiras, classificou o Sudão do Sul em 111o lugar em seu índice de 179 países sobre liberdade de imprensa de 2011/2012.

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