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Soldados do Mali lutam para reverter golpe na capital

Soldados da unidade da guarda presidencial do Mali, leais ao presidente deposto, combateram as forças da junta militar nesta segunda-feira em uma tentativa de retomar o controle da capital Bamaco um mês depois do golpe, disseram testemunhas e uma autoridade militar. Um forte tiroteio ressoou no centro da cidade, perto de um quartel, e a unidade presidencial assumiu posições ao redor do aeroporto e entrou no prédio da emissora estatal, disseram testemunhas.

“Esses são elementos da guarda presidencial do antigo regime e estão tentando mudar as coisas”, disse à Reuters Bacary Mariko, um porta-voz da junta militar no poder. “Temos a situação sob controle”.

Uma testemunha da Reuters disse que moradores perto do aeroporto estavam a fugir depois da chegada de camiões repletos de boinas vermelhas (soldados da unidade da guarda presidencial) fortemente armados. A eletricidade na área foi cortada.

Tiros foram escutados perto do principal prédio da emissora estatal e um técnico disse que boinas vermelhas entraram no edifício. A televisão estatal transmitiu um documentário sobre o Japão em vez do noticiário habitual das 20h.

“Há forte troca de tiros em todo canto. Ela continua. As ruas estão desertas. Ninguém se move”, disse uma testemunha da Reuters.

Soldados rebeldes enraivecidos pelo modo como o governo lidou com uma rebelião de tuaregues no vasto e desértico norte derrubaram o presidente Amadou Toumani Touré em 22 de março, obrigando-o a fugir para o vizinho Senegal.

O golpe, que se antecipou a uma eleição planejada para abril para substituir Touré, atraiu grande crítica internacional por ser um revés para a democracia regional.

Os rebeldes do norte aproveitaram o caos para tomar várias cidades, assumindo o controle de dois terços da nação.

A junta que governa o Mali nomeou um governo interino em uma primeira medida para restaurar a ordem constitucional desde o golpe, mas vem sendo contra um plano do bloco regional CEDEAO de enviar mais de 3.000 soldados para ajudar a supervisionar uma transição de um ano.

A junta já concordou em entregar o poder por 40 dias para um governo civil liderado pelo presidente interino Dioncounda Traore, e então permitir eleições no final de maio.

Mas a CEDEAO disse na semana passada que o governo interino deveria ter até 12 meses para se preparar para as eleições, um anúncio que enfureceu a junta.

 

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