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Sofala: pobreza origina movimentos migratórios

A escassez de recursos que se regista nos últimos dias em alguns distritos de Sofala, Centro de Moçambique, está a forçar algumas comunidades a movimentarem-se ao longo daquela província a busca de melhores condições de vida. Estes movimentos migratórios são designados por alguns jornais moçambicanos de nomadismo.

 

Contudo, o nomadismo e’ um estilo de vida que os povos Bantu começaram a abandonar há cerca de mil anos, com o início da sua fixação na zona austral de África, como resultado da prática da agricultura, metalurgia, entre outras actividades.

 

Assim, o que está a acontecer em alguns distritos da província de Sofala não se pode considerar de nomadismo, já que nos locais para onde as comunidades emigram, elas acabam construindo as suas casas e fixar residência.

Contudo, uma coisa é certa: a província de Sofala tem estado a registar um fenómeno preocupante que se caracteriza pelos movimentos migratórios das comunidades que procuram recursos para a sua sobrevivência.

Seguiamente, esta situação resulta do fracasso da agricultura, actividade que, apesar de ser base de sustento da maioria das comunidades moçambicanas nas regiões rurais, ainda depende das chuvas, que algumas vezes obedece aos caprichos da natureza.

No início do mês passado, foi reportado que pelo menos 20 famílias da povoação de Nhauandu, distrito de Marínguè, emigraram para as encostas da Serra de Gorongosa devido a crise alimentar que afecta aquela zona afectada pela seca.

As comunidades que naquela altura ainda teimavam em permanecer naquela povoação de Marínguè sofriam sérias limitações de comida, alimentando-se basicamente de farelo e folhas de mandioqueiras.

Na mesma província, em Muanza, as autoridades distritais, anunciaram a criação de um gabinete multissectorial para estudar as reais causas do “nomadismo”.

Acredita-se, porém, que ao abandonar o distrito de Muanza para outros pontos da província, as comunidades estão a procura de terras férteis para a prática da agricultura.

A edição de hoje do semanário “Domingo” escreve que os habitantes de Inhamitanga, distrito de Cheringoma, também em Sofala, estao a abandonar aquele posto administrativo, citando o crónico problema de falta de água potável como uma das principais causas.

“…cansadas da disputa de água, as pessoas resolveram fixar residência fixa nas zonas onde conseguem obter o precioso líquido”, escreve o semanário “Domingo”.

Estas notícias mostram claramente uma tendência de movimentos migratórios constantes em resultado de falta de recursos, nomeadamente comida, água e terra arável, principais factores de produção para os agricultores.

Além de ser preocupante, este fenómeno deita por terra os esforços do Governo e de todos aqueles que lutam por concentrar recursos num determinado lugar para melhor combater a miséria.

Aliás, o administrador do distrito de Muanza, João Geral, disse que esta situação está a afectar várias áreas sociais, como são os casos de hospitais e escolas, entre outras infra-estruturas construídas pelo Estado (com recursos escassos). E Nhauandu, distrito de Marínguè, pelo menos 75 alunos desistiram de ir a escola local (até finais de Setembro passado).

Estimativas indicam que este número corresponde a duas turmas. Por isso, Jorge Mamboza, director da Escola Primária Heróis Moçambicanos, em Nhauandu, apela as autoridades administrativas locais para prestarem ajuda alimentar de emergência aos infortunados, sob risco de a escola encerrar as suas actividades antes do final do corrente ano.

“Nhauandu, que em língua local, chissena, quer dizer zona habitada por muita gente, está agora a ficar desértica por causa da seca e as pessoas estão a movimentar-se para Gorongosa com vista a aproveitarem as zonas baixas para a prática da agricultura”, explicou Mamboza.

É urgente a tomada de medidas sob o risco de as migrações se agravarem e, eventualmente, Moçambique voltar a contar com alguns povos nómadas, com as quais dificilmente poderá combater a pobreza.

Olhando para as razões na origem das migrações acima apontadas, nota-se que é possível remediar ou travar algumas dessas tendências através de provisão de assistência alimentar imediata para os necessitados, abertura de fontes de água para o consumo e para a irrugaçao bem como com a expansão dos serviços de extensão agrícola.

Especialistas acreditam que a maioria dos casos do empobrecimento de solos em Moçambique resulta da falta de maneio adequado por parte dos usuários deste recurso, nomeadamente a adubação orgânica ou inorgânica dos solos.

Na maioria das vezes, isso acontece porque os camponeses, grande dos quais do sector familiar, não conhecem as melhores técnicas agrícolas, incluindo as relacionadas com o maneio dos solos.

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