Para continuarmos  a fazer jornalismo independente dos políticos e da vontade dos anunciantes o @Verdade passou a ter um preço.

Sociedade civil em frenética busca pela paz e ensaia como reunir Nyusi e Dhlakama com o povo

As organizações da sociedade civil que compõem o Painel de Monitoria do Diálogo Político pela Paz, mas sem qualquer representação nas conversações em curso em Maputo, planeiam juntar as lideranças do Governo, da Renamo e o povo numa “conferência nacional sobre paz, reconciliação e desenvolvimento”, com vista a tentar convencer as partes em conflito a selarem um acordo que cale definitivamente as armas e assegure o perdão entre os moçambicanos.

Salomão Muchanga, presidente do Parlamento Juvenil (PJ), que hospedada o painel acima indicado, disse que o país “precisa de uma paz sincera, urgente e sustentável”.

“Basta de diálogo excludente”, promovido pelo Executivo e pelo maior partido da oposição.

O líder daquele organismo juvenil referiu-se nesses termos pelo facto de o Governo e a Renamo terem aceite, no princípio, a monitoria do diálogo político pela sociedade civil, mas tal ainda não se concretizou.

Os encontros, sob a mediação de figuras internacionais renomadas e consideradas capazes de trazer consensos e paz de que os moçambicanos estão despojados há anos, não registam nada de realce.

Salomão Muchanga lembrou-se que as anteriores e longas reuniões entre a partes desavindas, no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, só “produziram uma paz intermitente”.

O antigo Presidente da República, Armando Guebuza, e o líder do maior partido da oposição, Afonso Dhlakama, apertaram as mãos, abraçaram-se e rasgaram sorrisos para nada. Mais tarde, o Acordo sobre a Cessão das Hostilidades Militares, transformado em Lei, se revelou uma fracasso.

Por conseguinte, anotou o presidente do PJ, a pobreza que flagela população das zonas de conflito, em particular, agravou-se.

Esta situação, segundo Salomão Muchanga, é por si só bastante para que o Presidente da República, Filipe Nyusi, e Afonso Dhlakama, “sejam chamados à razão e consciência”.

Muchanga mostrou-se ainda céptico em relação ao alcance da paz nas negociações em curso, conduzidas pelos mediadores internacionais, escolhidos a dedo pelas partes em desacordo no que diz respeito à governação do país.

Por sua vez, Roberto Tibana, representante do Painel de Monitoria do Diálogo Político pela Paz, disse que nos encontros que realizados um pouco por todo o país os cidadãos defendem a cessão incondicional das hostilidades militares.

O economista voltou a sublinhar que o objectivo das referidas reuniões não é criar protagonismos, nem “tirar lugar aos negociadores”. O que a sociedade civil pretende é monitorar as discussões na mesa do diálogo.

Para Tibana, não basta que o Governo e a Renamo cheguem somente um acordo de paz, “perdão e reconciliação”. É preciso, acima de tudo, que o mesmo pacto tenha “garantias internacionais”.

Tibana defendeu que igualmente a necessidade de se definir princípios para a gestão das Forças Armadas, de modo que elas defendam os interesses do país e não partidários. “Parar com a guerra deve ser uma prioridade e este é um sentimento unânime por onde andamos. Os moçambicanos querem a responsabilização das pessoas envolvidas” na guerra e no escândalo das dívidas ocultas.

“Os mediadores devem ouvir a sociedade civil para se discutir um novo paradigma” que permita acabar com a guerra em Moçambique. Aliás, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), Armando Guebuza precisou que a tensão político-militar, supostamente “protagonizada pela Renamo”, começou entre 2011/2012.

Já Alice Mabota, presidente da Liga dos Direitos Humanos (LDH), considerou que aqueles que promovem a guerra em Moçambique, mais tarde serão julgados pelos seus actos. Ela considerou impudente a justificação de Guebuza, segundo a qual as dívidas contraídas sigilosamente visavam, por exemplo, reforçar o sector de segurança através de Proindicus, SA, face às ameaças impostas pelo maior partido da oposição.

Na óptica de Alice Mabota nenhum governo compra armamento para combater o próprio concidadão [referia-se à Renamo]. A chefe daquela agremiação anotou que é um insulto que Guebuza tenha dito que “(…) se tivéssemos que estar nas mesmas condições e para tomar as mesmas decisões, considerando o circunstancialismo descrito naquele momento, nós faríamos justamente da mesma maneira hoje (…)”.

Os pronunciamentos foram feitos na terça-feira (13), na capital do país, numa “Sessão de Apresentação Pública da Proposta de Conferência Nacional sobre Paz, Reconciliação e Desenvolvimento”.

O Estúdio 222, no Cine-Teatro Gilberto Mendes, abarrotou de gente, na sua maioria jovem. Contudo, muitos actores políticos mandaram passear o evento, excepto José Manteiga, membro da comissão mista pela “Perdiz”, no diálogo político.

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Related Posts

error: Content is protected !!